As eleições se aproximam e começam a se configurar com mais clareza as chapas ao governo estadual, deputados federais, estaduais e senadores. No Espírito Santo, pelo menos três pré-candidaturas ao Palácio Anchieta são tidas como certas: do vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB); do deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB); e de Brice Bragato (P-SOL). Os tucanos prometem trazer ao debate estadual questões nacionais de relevância, como o marco do pré-sal e as tão prometidas obras de ampliação do Aeroporto de Vitória e duplicação da BR-101. Segundo o deputado estadual e pré-candidato a federal, César Colnago, o Espírito Santo não foi tão beneficiado pelo governo Lula - cuja continuidade está representada pela pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff, que está no palanque de Ricardo Ferraço no estado.
Confira a entrevista na íntegra:
Folha Vitória - A maior discussão econômica do país gira em torno da discussão do marco do pré-sal. Como o PSDB do Espírito Santo tem contribuído para garantir que a repartição dos royalties permanece inalterada?
César Colnago - O PSDB tem se colocado de forma conceitual contrario a essas iniciativas do PT de mexer no marco da cadeia do gás e petróleo, criado em 1997. A legislação em vigor fortaleceu a cadeia e fez a participação dela na produção brasileira saltar de 3% para 12%. A Petrobras ficou fortalecida e adquirimos a auto-suficiência. Agora, o governo federal impôs essas mudanças e é um projeto muito ruim, que estabiliza os contratos. E é pior ainda para o Rio e o Espírito Santo, porque vamos perder receita. Justamente no momento que temos um governo empreendedor e que começamos a ter a produção de gás e petróleo para ajudar no desenvolvimento, isso pode ser tomado do Espírito Santo. E logo do Espírito Santo, que é exportador de tributos federais. Em 2009, a União arrecadou R$ 8,1 bilhões no Estado. E o que voltou na forma de convênios e transferências? Apenas R$ 1,6 bilhão. Nós muito mais cedemos do que recebemos do governo federal. Agora eles querem fazer o mesmo na área do petróleo. O PSDB não é contra parte dos royalties serem distribuído entre os estados não-produtores. Mesmo porque isso já acontece no Estado com apoio do PSDB. Os municípios não-produtores recebem royalties por aqui. Agora, somos contra a mudança como foi proposta pelo governo.
Folha Vitória - As eleições atrapalham esse debate?
César Colnago - Não tenho dúvida. A lei do petróleo de 1997 ficou dois anos em debate. Desta vez não. O governo federal ficou um grande tempo debatendo internamente e agora quer que o Congresso decida rapidamente. Desse debate deveria ainda incluir a iniciativa privada no sentido de encontrar o melhor arranjo para o país. É possível modernizar a lei. Mas o projeto proposto não faz isso e está sendo imposto próximo ao período eleitoral. E isso é uma variável. O ideal é que um projeto desses seja conversado com mais calma, para que essa proposta seja melhorada. Acho que o período não é bom.
Folha Vitória - Outra questão que envolve o governo federal no Estado é a ampliação do Aeroporto de Vitória. Esse será outro ponto de debate em campanha?
César Colnago - Evidentemente. Essa obra é uma falta de respeito. O presidente Lula veio aqui e prometeu a conclusão das obras até 2007 e até agora nada. Uma obra que não tinha nem projeto executivo. Isso vai ser tema de debate. Essa obra é um desastre. O governador chamou esse aeroporto de uma rodoviária de interior, bem atrasada. E, além disso, você tem quantas outras obras que seriam importantes para o Espírito Santo que não avançam? Temos a duplicação da BR-101, a duplicação do contorno, a drenagem do porto... São várias.
Folha Vitória - Eu já ouvi muitos petistas aqui do Estado e todos são enfáticos em dizer que é um esforço inútil tentar trazer para a esfera regional polêmicas nacionais que envolvem a pré-campanha do PT e do PMDB. O senhor concorda ou acha que esses são debates que cabem a todos os eleitores?
César Colnago - Nós vamos viver uma eleição de projetos diferentes apresentados. Os governos de estado não vivem em ilhas separadas de realidades econômicas e sociais do país. O prefeito atual bateu muito durante as eleições que queria ser prefeito porque o Lula era presidente e isso facilitaria as coisas. Evidente que todas as questões que dizem respeito à economia capixaba devem ser debatidas. E o estado é uma província do petróleo importante. Temos uma importância nacional. Essa discussão tanto do pré-sal, como do aeroporto e outras serão debatidas nas eleições. Temos que nos colocar dentro de um contexto de federação.
Folha Vitória - Falando em política nacional, o senhor acredita que a nova recusa do Aécio em ser vice de Serra coloca ponto final da discussão sobre a chapa puro-sangue?
César Colnago - Nós temos uma eternidade até junho. Nós sabemos que, na conversa com Serra, a contundência de Aécio não foi tão grande quando a colocada pelos jornais. O PSBD vai caminhar unido. Essas coisas todas vão amadurecendo. E vamos construir uma grande chapa. Isso vai se dar no percurso de abril para a descompatibilização de dois governadores importantes. Temos muito tempo até lá.
Folha Vitória - O que mais o PSDB pretende trazer para o debate nessas eleições?
César Colnago - Nós vamos debater os pontos importantes para o Espírito Santo. Por onde a gente acha que as relações de governo do estado passam pelo governo federal, nós vamos colocar a nossa visão. O governo federal que promete muito e faz muito pouco. O PAC é uma grande arma de comunicação, mas muito pouco se andou. O Espírito Santo ficou muito à margem da transferência de recursos federais. A lanterna dos investimentos federais no Sudeste é o Espírito Santo. Nós só perdemos para o Amapá e Roraima. Só esses dois recebem menos recursos federais que o Espírito Santo. Temos uma economia plural que ajuda o Brasil. E não temos a contrapartida. O presidente Lula não foi bom, não ajudou o Espírito Santo. Ele excluiu o Espírito Santo na hora de distribuir os recursos.
Folha Vitória - O presidente do PT, Givaldo Vieira, me disse que a candidatura de Luiz Paulo está atrelada a uma candidatura nacional que está perdendo força e que isso certamente vai comprometer o desempenho dele nas urnas. Como o senhor avalia essa declaração?
César Colnago - Primeiro que o deputado Givaldo está se antecipando. O PSDB ainda não colocou a candidatura nacional. Não há definição oficial. O Serra não se colocou como candidato. Em contrapartida, a ministra Dilma tem feito uma campanha antecipada de dois anos de mídia, mas que o TSE não enxerga pelo excesso de formalismo. É natural que com isso ela cresça. Mas o processo eleitoral está longe. É só depois da Copa do Mundo. Temos muito chão pela frente. E, querendo ou não, o Serra continua na frente nas pesquisas e bem posicionado. Isso é fruto da vida pública dele. Vamos esperar o jogo começar. O deputado Givaldo já está cantando a vitória? A população vai se manifestar ainda. As candidaturas nem foram colocadas ainda.
Folha Vitória - O senhor avalia o vice-governador Ricardo Ferraço como preparado para assumir o comando do governo do Espírito Santo?
César Colnago - Eu não quero falar de uma candidatura que considero legitima. Eu conheço a do Luiz Paulo, que tem histórico de importância. E coloco o nome dele. É um nome que a população conhece e em que a população pode confiar. Eu me recolho ao direito de não opinar sobre os demais pré-candidatos.
Folha Vitória - Nesses anos eleitorais é impossível afirmar que os trabalhos na Assembleia transcorrem normalmente. Já que muitos são candidatos, inclusive o senhor, por exemplo. Como trabalhar essa questão, uma vez que o Estado tem prioridades e o Legislativo não pode parar...
César Colnago - No período de campanha - agosto e setembro - é realmente difícil. O ritmo diminuiu. Mas os trabalhos são muito pautadas pelos projetos do executivo, porque o governador não propõe normatizações sem ouvir a Assembleia. Ele encaminhou muita coisa no ano passado e no início deste ano. Mudanças de políticas e reestruturações. Ele sabia que o ritmo seria diferente. Mas ainda tem o orçamento, a Assembleia não pode parar. Vai seguir devagar, mas não significa que vai parar e nem pode. Não podemos dizer que é o mesmo rimo. A pauta da Assembleia acaba sendo um pouco menor, mesmo tendo em vista que é final de Legislatura.
Folha Vitória - A candidatura do senhor como deputado federal já é certa?
César Colnago - Vou esperar as convenções, que vão do dia 10 ao dia 30 de junho. Ai vai se definir as alianças ou eu sou pré-candidato, isso é certo. Mas a definição fica mais para frente.
Folha Vitória - Como o senhor pretende se apresentar ao eleitorado?
César Colnago - Acho que tem três coisas fundamentais: a minha história em Vitória, com os mandados na Câmara, como líder de governo na Assembleia, como secretário de Estado... São quase cinco mandatos que a gente tem feito esforço para conduzir com compromisso e identidade. E ai entrando no segundo lema, a questão da ética, construir um mandado que aposte em valores virtuosos. Que possa, no ponto de vista da representação, estar afinado com movimento da sociedade que quer mais transparência e respeito aos recursos dos contribuintes. Nós somos servidores da população. O terceiro evidentemente são os conteúdos. A gente tem conversado nos mais diversos campos sobre que políticas vamos assumir na candidatura a deputado federal. Têm vários que a gente quer atuar, mas um deles que acho imprescindível: investimento na educação como fator fundamental de desenvolvimento. Preparação do jovem para a vida. E, acima de tudo, para enfrentamento do mercado de trabalho.