Leandro Moreira e Elias Carvalho
O deputado federal Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB) esteve ontem em Cachoeiro de Itapemirim e visitou a redação do Folha do Caparaó. Na ocasião, ele falou sobre política nacional e estadual, a qual está inserido como pré-candidato ao governo do Estado. O tucano relembrou a exclusão do partido do projeto político hartunguiano quando o vice-governador Ricardo Ferraço, então do PSDB, fugiu ao direcionamento da sigla para apoiar um candidato adversário. Manifestou a importância de sua candidatura futura para o processo democrático e se colocou como o mais preparado para tocar o Espírito Santo no período pós-Hartung. Seu argumento principal é que já sucedeu o hoje governador na prefeitura de Vitória.
Folha do Caparaó - Como o senhor está vendo a candidatura do governador de São Paulo, José Serra?
Luiz Paulo - Na minha visão, o PSDB conduziu com muito cuidado e com muita sabedoria política o processo interno. Tínhamos duas pré-candidaturas, todas muito boas e legítimas. E o tempo se encarregou de mostrar ao governador (de Minas Gerais) Aécio Neves que o projeto mais consistente era o em torno do governador José Serra. E ele retirou a sua pré-candidatura, sem a necessidade de prévia, ou se submeter a uma pré-convenção. Foi um processo normal de convencimento, de cálculo político das possibilidades. Então, o partido está unido, consciente das suas responsabilidades, porque não se trata de uma eleição qualquer. Temos um PT que abandonou toda a sua história e trajetória de democracia interna, mitifica o presidente Lula, recorrendo a todo o tipo de prática, manipulando verbas publicitárias, e o uso descarado da máquina pública. Através do mito Lula, querem fazer uma reprodução artificial em laboratório de uma candidata inventada, que nunca disputou eleição nem para vereadora, não era do PT, era do PDT, e foi assessora de vereador em Porto Alegre. E as pessoas confundem falta de educação com firmeza gerencial, não tem nada que ver isso. Têm muitos líderes mais qualificados para disputar a eleição presidencial, experimentados, e eles não se aproveitariam do mito Lula. A estratégia de uma candidata inventada é coirmã da mitificação do presidente. Esse projeto é atrasado e autoritário, que reuniu em torno de si forças conservadoras, oligarquias regionais brasileiras - a oligarquia Sarney. Inclusive, estive no Maranhão, recentemente, e lá só não existe cemitério e funerária com o nome de Sarney. O resto tudo tem. A retransmissora da Globo é da família Sarney, tem construtora, imobiliária, avenida, ginásio, museu. Mandam há décadas no Maranhão e é o pior estado do país, mais atrasado e com os piores indicadores. E essas são as alianças que o PT fez para governar e ficar no poder. Tudo se parecendo com o Partido Revolucionário Institucional (PRI) mexicano, que ficou 70 anos no poder, saiu há duas eleições, mas que se prepara com voracidade para voltar.
O senhor acha que o Lula consegue transferir todo o seu prestígio à Dilma e qual a postura para derrubar o mito e impedir essa transferência?
- Ela (Dilma) era um nada e as pesquisas a mostram com 15, 17% da intenção de votos para presidente da República. Isso já é um efeito da máquina. Como é que uma pessoa que nunca disputou eleição nenhuma já está praticamente fazendo uma polarização, um plebiscito. Não se pode subestimar a força deste projeto. O PSDB não subestima a força deste projeto, que é perigoso para a democracia brasileira e para o desenvolvimento do país. Nós hoje já estamos vivendo um sinal amarelo das contas externas do país. O governo gastou o que tínhamos conquistado de contas públicas saudáveis, de superávit fiscal, de equilíbrio das contas externas com uma política macroeconômica extremamente conservadora, que serve só aos bancos. Na verdade, é o preço que se paga por um governo com discurso populista e sem rumo. Não há um projeto de país e sim uma colcha de retalhos. O que une essa frente liderada pelo PT é a ocupação da máquina pública: diretorias na Petrobrás, na Eletrobrás, da Portobrás, dinheiro dos contratos que rolam em torno desses negócios, negócios das grandes empresas com o governo. O grande capital está muito feliz com a União. E é através de medidas assistencialistas que se chega aos mais pobres, aos grotões. Nós vamos combater essa tática com a nossa, que é de verdade. A estratégia do PSDB é baseada no trabalho que fizemos para o Brasil nos oito anos que governamos. As reformas deram sustentabilidade e foram responsáveis para que tivéssemos atravessado a crise econômica como atravessamos. Tudo o que o Brasil comemora hoje no mundo nasceu do governo do PSDB. Na essência, o governo do Lula não trouxe nada de novo. As coisas novas que vieram não são boas; as coisas boas do governo não são novas.
O DEM sempre foi parceiro de primeira hora do PSDB. Esse desgaste do governador Arruda pode comprometer a união dos partidos?
- Não compromete a unidade do PSDB com o DEM. Tanto o DEM como o PSDB já saíram do governo, o Arruda também já saiu do DEM. Tem que sanear a política de Brasília que é muito ruim, toda feita com repasse de dinheiro federal para Brasília. Essa é a segunda vez que Arruda pisa na bola, o povo de lá já tinha dado outra chance a ele. Pela segunda vez, ele traiu a confiança dos eleitores, não merece continuar no governo, quanto mais ser candidato a mais alguma coisa. O DEM e o PSDB continuam aliados e estarão alinhados em todos os estados do Brasil.
No caso do Espírito Santo, por que o senhor que ser governador do Estado?
Porque eu quero apresentar ao eleitorado um projeto de continuidade e avanço da administração Paulo Hartung. O PSDB esteve na origem do sucesso do governo Hartung. Voltei para o estado depois de anos fora, atuando no governo federal, a convite do então deputado federal Paulo Hartung. Somos amigos do tempo de faculdade. Ele me entusiasmou com o novo momento econômico do estado e de uma perspectiva de fazer um projeto de desenvolvimento. Formar novos dirigentes, novas lideranças políticas, antenadas com as exigências e desafios dos novos tempos. Fui sucessor dele na prefeitura de Vitória e fiquei por dois mandatos. Mostrei capacidade administrativa e lealdade política no período que fui prefeito. Fui a principal estaca para que pudéssemos chegar ao governo com Hartung, em 2002. Coordenei a campanha dele para senador, em 1998, e também para governador, em 2002. O PSDB foi fundamental no primeiro mandato, em que as contas públicas do estado foram saneadas. Toda a equipe econômica do governo veio do PSDB. A administração estadual terminou o seu primeiro mandato com um sucesso de avaliação. Lideramos as pesquisas. Ajudamos também no processo de reeleição. Eu tinha uma candidatura ao Senado aprovada em convenção. Abri mão dessa candidatura para indicarmos o vice (Ricardo Ferraço). Nossa chapa foi eleita quase que por unanimidade. Uma chapa amplíssima. Tivemos o Casagrande como senador. Estivemos, todos os principais partidos, em torno da reeleição de Hartung, assim como no segundo mandato. E no projeto que se desenhou, de sucessão, o vice mudou de partido.
Saiu o vice, que foi indicado pelo nosso partido e era o nosso candidato ao governo. Ele mudou para se aliar aos nossos adversários. O vice-governador foi coordenador da campanha do Geraldo Alckmim (candidato à presidência da República), em 2006. Era nosso representante na chapa majoritária. E evidentemente que não cabe ao PSDB no palanque da candidata do PT. Não vemos nada que ver com isso. Fomos excluídos desse projeto no estado. E o PSDB não podia assistir esse projeto (de Hartung) tão exitoso e vitorioso sucumbir dessa maneira. Na verdade, seria um enorme retrocesso. O partido entendeu que o meu nome devia ser colocado à disposição e montarmos no estado um projeto que consolide todos os avanços que ajudamos a fazer no sucesso do governo Hartung. Queremos sintonizar o estado com o desenvolvimento que vamos ter em 2011, se Deus quiser, com o Serra como presidente da República, retomando a agenda de reformas, reforma tributária, da legislação trabalhista, retomando uma estratégia de política externa com começo, meio e fim. Ou seja, fazendo uma política econômica com ousadia, para o Brasil crescer o que tem que crescer. Com políticas sociais eficazes, sem concessão à demagogia. E isso me anima a ser candidato a governador.
Como o senhor avalia esse projeto político construído pelo governador que agrupa tantos partidos heterogêneos, inimigos históricos?
O projeto de Hartung, que termina ao final de seu mandato – seja fim do ano ou em abril –, é de sucesso e estrondoso. A capacidade de formar alianças do governador se deve ao êxito do governo. Ele foi atraindo ex-adversários e construindo uma base sólida. Isso é legítimo e se deve à competência dele. O que não pode ser feito é ser reproduzido em laboratório para o outro. Essa base não se passa em laboratório e nem por herança. Na democracia, o poder só se renova no debate político e na escolha da população, que verá quem tem mais condições para governar na era pós-Hartung. Assim como o Brasil tem que saber o que será melhor na era pós-Lula.
O senhor disse que o projeto de Hartung é de sucesso. Sendo assim, o primeiro equívoco seria a escolha de Ricardo para tocar esse projeto?
Hartung nunca declarou quem é o candidato dele. Embora, (Ricardo) seja do partido dele e tudo mais. A minha candidatura vai disputar contra esse projeto PMDB/PT, aliados e todo o seu significado. E esse projeto nos exclui e nós não temos interesse em participar dele, não nos representa. Estamos formando outro projeto para o futuro. No entanto, muitos colaboradores de ambos projetos estiveram no governo Paulo Hartung, isso não nos diferencia. O que nos diferencia é o projeto de futuro.
Tem saído na imprensa que o DEM lançará candidato ‘laranja’ ao governo do Estado para não ter que fazer aliança com o PSDB. O que o senhor acha disso?
Acho que é uma notícia plantada para desqualificar o nosso projeto, da mesma maneira que essa fonte veio a dizer que eu iria desistir, que minha candidatura não se sustentaria, que ia ficar isolada, sem conseguir fazer projeto. A fonte é a mesma. O DEM, o PPS e o PSDB são aliados nacionais, em todos os estados da federação. Na Bahia, nosso candidato é Paulo Souto (DEM), em Sergipe, é o João Alvez (DEM), no Rio Grande do Norte, nossa candidata é a senadora Rosalva (DEM). Nesse estado, o PSDB teve que intervir, pois um político nosso queria apoiar um candidato do PSB, e nós nos alinhamos com o DEM para garantir o palanque do Serra naquele estado. E em todos os estados será assim, claro que em alguns de forma mais fácil e outros mais difíceis. Mas, até junho, não tenho dúvidas que a aliança nacional será seguida aqui no estado e já temos a companhia do PTB, que foi o primeiro partido que declarou apoio ao nosso projeto.
Como o senhor avalia essas tentativas para desestabilizar a sua pré-candidatura e de onde elas vêm?
Vem da ideia, do pesadelo, do projeto de candidatura única, que, na minha opinião, foi o grande derrotado de 2009. Porque a minha pré-candidatura se consolidou, está aí, tem presença, tem viabilidade, competitividade. Vamos ter candidatos desde a presidente da República a deputado estadual. O partido está montado em todos os 78 municípios. Tivemos a grande conquista que foi a vinda da deputada Rita Camata para o PSDB, que, se tudo der certo e vejo que dará, será nossa candidata ao Senado. A tentativa de nos isolar deu errado. O senador Casagrande, que mesmo não tenha afirmado que é candidato, se movimentou e o seu partido o quer na disputa. Respeito a candidatura do senador Casagrande, é legítima, ele faz um grande mandato, é uma nova liderança consolidada no estado, tanto no interior quanto na grande Vitória. Então, vejo que ele também deu a sua contribuição. Se ele conseguir emplacar a sua candidatura será bom para a democracia e bom para o estado.
O governador é do sul do estado, assim como o vice-governador e o senador Renato Casagrande. Temos um governo que destina 60% de seus investimentos ao interior. O senhor é um pré-candidato ao governo, visto como candidato da grande Vitória. Há a pretensão de continuar com esse tipo de investimento?
Esses são um dos elementos muito positivos do governo Hartung. Primeiro a conquista da capacidade de investimento; segundo o direcionamento desse investimento. Quer dizer, o desequilíbrio em termos de estrutura do estado é muito grande. Vamos discutir programa de governo ouvindo todo mundo. Mas, tem algumas coisas que são muito evidentes para mim. O estado tem 236 distritos, menos de 100 deles estão ligados, por estradas pavimentadas, à sede do município. A primeira questão é estrada, rodovia para poder escoar a produção. Quem mora perto da estrada consegue escoar a produção, quem não mora não consegue escoar e não consegue produzir. Apenas 14 municípios no estado não depende da agricultura. Venda Nova, por exemplo, Santa Maria de Jetibá, cresceram, aumentaram muito a sua renda per capita, porque estão pertos da estrada pavimentada. Enquanto não tivermos todos os distritos ligados por vias pavimentadas não poderemos falar mais em nada. Pretendo pensar o estado baseado em suas 12 microrregiões.
Por que votar em Luiz Paulo ao invés dos demais concorrentes?
O candidato tem que mostrar primeiro a sua história, o que já fez, por onde passou. Se o povo te deu poder, o que você fez com ele antes. Suas histórias, suas referências, no que você acredita, quais são os seus valores, quais são as suas referências nacionais e internacionais, seus projetos, planos, sonhos. E o povo vai escolher quem consegue incorporar. Nas eleições, o povo renova as suas esperanças de futuro. E o povo está votando cada vez melhor. Ele desconfia de quem fala alguma coisa e no passado foi outra; não passa sinceridade. Hoje em dia não basta o político populista que dá tapinha nas costas. O povo quer uma pessoa que também tenha uma capacidade técnica profissional, tenha uma bagagem; mas também não quer tecnocrata, quer pessoas que saibam dialogar. Que tenha disposição em ouvir e não se julgue o dono da verdade. Eu tenho 53 anos, faço 35 anos de política. Minha primeira eleição foi em 1974, como cabo eleitoral, militante do movimento estudantil. Tenho 30 anos de formado, passei pelo governo federal, estadual, municipal, eleito duas vezes prefeito da capital. Então, tenho o que apresentar à população e ela vai cotejar. O resultado está na mão de Deus e do povo, que vai escolher a quem irá suceder um governo tão exitoso de Paulo Hartung. Posso dizer o seguinte, de todos os candidatos que estão aí eu me enquadro nisso, e já fui sucessor de Hartung uma vez. Sou testado e aprovado