As revelações de que membros e entidades ligadas ao MST são sustentados com dinheiro público através de convênios assinados pelo INCRA vão levar a a opinião pública a repudiar não apenas os sem-terra mas também o PT. Esta é a avaliação do filósofo e professor da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS), Denis Rosenfield.
Para ele, o MST vive uma crise de legitimidade "e passou de vítima a algoz" aos olhos da sociedade a partir do momento em que abandonou a luta pela reforma agrária e passou a depredar o patrimônio das fazendas invadidas. "O MST, cada vez menos social, contaminou o governo Lula ao se revelar que é custeado com dinheiro do contribuinte", afirmou. "Os brasileiros repudiam as ações criminosas do grupo e vão relacioná-las ao PT que é defensor do movimento", diz ele.
Depois de invadir e destruir as instalações de pesquisa de empresas multinacionais instaladas no Brasil, o MST foi flagrado em setembro passado destruindo laranjeiras em uma fazenda produtora de suco no interior de São Paulo. A ação foi filmada e gerou revolta em todo o país.
Segundo o site Contas Abertas, o organizador da invasão preso pela Polícia Federal esta semana junto com outros nove integrantes do movimento, Miguel da Luz Serpa, foi beneficiado em 2007 com a assinatura de dois convênios com o INCRA, no valor total de R$ 222 mil.
Serpa era diretor na época da Associação Regional de Cooperação Agrícola (Acar) que atua em assentamentos na região de Iaras (SP). Mesmo tendo reprovado a prestação de contas da entidade referente a convênio anterior, o INCRA realizou novo contrato com a entidade de Serpa, no valor de R$ 42 mil.
A verba, destinada para a capacitação dos assentados, foi desviada do objetivo para o qual foi obtida pela Acar.Equipe da TV Globo foi ao assentamento que deveria ter sido beneficiado pelo convênio e mostrou que nada foi feito, conforme informou a edição do Jornal Nacional desta quinta-feira, dia 28.
O financiamento de entidades ligadas ao MST deu origem a uma CPI mista no Congresso depois da revelação, pelo próprio Ministério do Desenvolvimento Agrário, de que o governo Lula repassou R$ 115 milhões a nove ONGs vinculadas aos sem-terra entre 2004 e 2008. A CPI começa a funcionar no mês que vem.
Para o deputado Bruno Rodrigues (PE), "o governo financia criminosos". "O MST deixou de ser um movimento social para se transformar num grupo praticante de diversos crimes, sob a proteção do PT e de setores do governo", lamentou. "A sociedade repudia isso e espera punição dos responsáveis pelas badernas". Rodrigues acredita que o governo Lula "está colado" ao MST e sofrerá o ônus que este vínculo produzirá nas eleições.
Segundo o deputado Renato Amary (SP), "ao enveredar por esse caminho criminoso", o MST tornou o PT e o governo Lula reféns de suas ações perante a opinião pública.