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Ultima modificação: 29/06/2010 às 12:48:08
Instituições, ética e sorte Luiz Paulo Vellozo Lucas - Revista Veja 29/06/2010

Recentemente, as páginas amarelas da Veja trouxeram entrevista com Daron Acemoglu, economista do MIT nascido na Turquia, que aborda o sucesso dos países por uma ótica muito interessante. Diz ele que os países dão certo na medida em que suas instituições políticas e econômicas regulem a disputa pelo poder e pela riqueza  de forma “inclusiva”, impedindo que os governantes exerçam o poder de modo arbitrário em beneficio de apaniguados.

Se a competição e a rivalidade forem reprimidas pelos governantes, sem que haja instituições que informem através de um sistema de pesos e contrapesos o exercício do poder, não haverá renovação nem dinamismo na economia. Em resumo:  a ética política  faz bem à economia, ou melhor, é imprescindível. 

Além do argumento “Shumpeteriano” da destruição criativa, e do papel das instituições éticas e respeitadas , o professor Daron usa, sem preconceito, a componente “sorte” no seu discurso. Existem alguns excelentes livros publicados recentemente sobre o papel do “aleatório”, do “imponderável” e dos fatos “altamente improváveis” que acontecem e alteram a previsibilidade e o curso dos acontecimentos.

“A Lógica do Cisne Negro”, do libanês/americano Nassin Nicholas Taleb, é uma leitura obrigatória para planejadores e estrategistas em qualquer dimensão: vida pessoal, empresa, organização ou governo. O acaso e as coincidências explicam muito mais do que nós habitualmente preferimos acreditar.  No livro, Nassin traça um impiedoso perfil dos vários tipos de “explicadores de fatos extraordinários” e de “adivinhadores de tendências futuras” que infestam a academia e a imprensa.

 No excelente livro “Andar do Bêbado”,  do físico americano Leonard Mlodinow, ele mostra como os jurados do caso O.J. Simpson foram ludibriados por um raciocínio probabilístico distorcido e acabaram convencidos que o fato do acusado sistematicamente bater na mulher não fazia dele o principal suspeito. Como menos de 1% dos agressores se tornam assassinos o júri esqueceu a correlação estatística mais importante, qual seja: mais de 99,5% dos assassinos comprovados são ou foram agressores. Os números não mentem mas os homens mentem a custa dos números. Trata-se de torturar os dados ate que eles confessem o que se deseja provar.

Eleições são um prato cheio para previsões e teorias sobre o futuro. As pesquisas de opinião são usadas a gosto para sustentar o prognóstico dos especialistas e os modelos probabilísticos enfeitam de linguagem matemática pilhas de supostas “previsões científicas”. Os grandes clientes são os especuladores e os políticos oportunistas que  ficam esperando as pesquisas apontarem um resultado com segurança suficiente para fazerem suas apostas. É aí que aparecem os “cisnes negros”, os fatos altamente improváveis que teimam acontecer, para o desespero dos que viram certezas sólidas se desmanchando no ar.

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