Ultima modificação: 20/05/2012 às 01:11:29
Tentativa de aniquilação
Jornal A Gazeta
31/05/2010
Aestratégia de PV, DEM, PPS e outros partidos construírem um bloco alternativo, uma suposta ?terceira via?, teria o objetivo direto de desidratar ao máximo a candidatura do ao governo do deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Segundo lideranças desses partidos, o plano teria sido costurado pela cúpula palaciana ? leia-se o governador Paulo Hartung (PMDB) ?, com o aval de pré-candidatos insatisfeitos com a possibilidade de ficarem no palanque tucano por força dos acordos nacionais entre as siglas.
E são justamente esses acordos que provavelmente impedirão a construção do novo bloco. O pacto entre PSDB e DEM, particularmente, já avançou bastante por aqui. O caso do PPS seria questão de tempo, agora que as pesquisas nacionais mostram o acirramento da disputa presidencial, e as cúpulas partidárias em Brasília cobram a reprodução da aliança nacional nos Estados. Querem fortalecer o palanques regionais para o presidenciável José Serra (PSDB).
Mas se eventualmente fechada aqui no Estado, a costura entre PV, DEM e PPS representaria quase um xeque-mate em Luiz Paulo. Tiraria dele metade dos cinco minutos e meio que o bloco PSDB, PTB, DEM e PPS terá no horário eleitoral gratuito, segundo estimativas dos partidos. Um tempo que marqueteiros eleitorais consideram suficiente.
Mas sem DEM e PPS, e apenas com PSDB e PTB, o deputado teria pouco mais de dois minutos e meio de propaganda na TV e no rádio para tentar expor suas propostas.
Só para comparar, a chapa do senador Renato Casagrande (PSB), ?apenas? com PSB, PT, PMDB, PR, PDT e PP teria praticamente 15 minutos. Um ?massacre? na avaliação de tucanos, para quem uma das principais armas de Luiz Paulo será justamente o discurso afiado na campanha. Discurso que a cúpula palaciana tentaria esvaziar, impedindo o confronto.
Mas, além de quase aniquilar Luiz Paulo, a articulação inviabilizaria por tabela a eleição para a Câmara dos Deputados do tucano César Colnago e do ex-prefeito Max Filho (PTB) ? este um dos maiores desafetos de Hartung e hoje aliado do PSDB. Até a candidatura ao Senado da deputada Rita Camata (PSDB) seria afetada.
A cartada ainda permitiria que os tempos de TV do DEM e do PPS fossem redistribuídos entre todos os candidatos, beneficiando Casagrande. E, por fim, tornaria mais viável a candidatura de Guerino Balestrassi (PV), a quem Hartung teria como segundo nome para o Senado, de acordo com avaliações no mundo político.
Como se sabe, Guerino tenta permanecer no jogo, mas no atual cenário, fora da chapa de Casagrande, fica mais complicado para ele.
Ao que parece, portanto, com a nova articulação, Hartung e aliados tentariam virar o jogo a seu favor. Porque, se concretizada, ela praticamente traria de volta a candidatura única, barrando o debate de projetos para o Estado.
Evidentemente, os tucanos não assistem parados à tentativa de puxada no tapete, e articulam em Brasília a reação, por meio do cumprimento da aliança nacional por aqui. Mas a pressão local é forte, e, a esta altura, até candidatos a deputado do DEM e do PPS já se sentiriam pressionados a recuar da disputa se tiverem mesmo de ficar na chapa tucana.
O deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) ainda não definiu se será candidato à Câmara, mas essa seria a tendência mais provável No DEM, a avaliação é de que nessa disputa ele não atrapalha os apoios dos candidatos a deputado estadual para o filho, Ricardo Ferraço (PMDB)
Desconfiança. A reviravolta eleitoral no Estado teria repercutido em Brasília, segundo líderes partidários, a ponto de os comandos nacionais do DEM e do PPS verem com desconfiança um acordo entre essas legendas avalizado pelo governador Paulo Hartung. Ao que parece, a participação do governador no episódio não agradou e gerou insegurança.
Pacto mantido. Essa incerteza estaria contribuindo para barrar a possível costura supostamente articulada pelo grupo palaciano com o PV. Assim, DEM e PPS ficariam mesmo no palanque do tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas.
Na mesa. DEM e PSDB já estariam quase fechados aqui no Estado. Na reunião que o comando democrata terá com Luiz Paulo, possivelmente esta semana, o partido colocará na mesa três pontos: 1- o DEM quer fazer uma coligação à parte para deputados federais; 2- o apoio à candidatura de Ricardo Ferraço (PMDB) ao Senado; e 3- o partido quer ter voz ativa na construção das alianças do bloco.
Polêmica à vista. Se os tucanos acatarem as propostas, a costura seria fechada. Mas haveria sinais de que o PSDB não abrirá mão de contar com o DEM numa aliança formal para deputados federais. Cálculos indicariam que a chapa PSDB, DEM, PPS e PTB poderia eleger até três federais: César Colnago (PSDB), Max Filho (PTB) e Theodorico Ferraço (DEM).
De fora. Ainda segundo avaliações tucanas, o ex-secretário Luciano Rezende (PPS) teria dificuldades nessa chapa, a não ser que tivesse votação acima do esperado. Por isso ele teria resistência em ingressar na frente tucana.
Fonte: Coluna Praça Oito