Ainda há espaço para negociação?
Está a cada dia mais exíguo esse espaço. Não ouvimos até agora nada parecido com o convincente. Só coisas supérfluas. Não podemos sair disso sem ter a sensação nítida de rebaixamento da carga tributária.
Se o governo reduzir a alíquota, isentar parcela da população da CPMF e criar um redutor de despesas correntes, a resistência diminuirá?
Qualquer coisa que venha é examinável. O que estou tentando dizer é que nossa bancada está se definindo cada vez mais fortemente contra a matéria. Denuncio a prepotência do governo, que não negociou antes e preferiu confiar nas suas supostas possibilidades de cooptar pessoas.
O governo alega que, em vez de acabar com a CPMF, é melhor aproveitar o cenário atual para aprovar a reforma tributária.
Isso seria muito bom se fosse numa relação na qual eu confio em você e vice-versa. Agora, se eu cair no mesmo conto, ser for enganado duas vezes num espaço tão curto de tempo, vou assinar um atestado de "bi-otário". Não sou otário, muito menos "bi-otário". Não posso aceitar essa conversa porque as sucessivas demonstrações de desapego ao cumprimento da palavra são uma marca deste governo.
O governo diz que, se a CPMF não for prorrogada, terá de cortar investimentos em infra-estrutura e na área social.
Meu dever é repudiar uma inverdade grosseira. Nosso partido tem insistido que vale a pena adubar qualquer plantinha de diálogo. O governo pode perfeitamente manter seus programas, sem exageros, e parar de inventar Bolsa Família para quem não precisa. Pode viver tranqüilamente sem a CPMF, mas não com a cabeça gastadora que tem.
O fim da CPMF não contribuirá para o desequilíbrio fiscal?
O governo me dá a impressão daquele pai que vive o seguinte drama: se não dá dinheiro para o filho, o traficante mata o filho; se dá o dinheiro, está alimentando isso. O governo precisa se libertar deste traficante que é o gasto público exorbitante.
De zero a 10, qual é a chance de o governo convencer o PSDB a votar a favor da prorrogação da CPMF?
Hoje, a chance é zero. Como a gente prega o primado da dialética, diria que de zero a 10 é pouco. Teria de ser de zero a 10 mil. E, aí, a chance seria de meio.