Senador Arthur Virgílio e o livre exercício do voto
Em entrevista exclusiva, o senador tucano analisa o cenário
político nacional.
O eleitor está cada vez mais experiente na escolha de seus
candidatos. E quem ganha com isso é a democracia. A observação é do líder do
PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apontado consecutivamente pelo
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar - DIAP, desde 1995 ?
quando retornou ao Congresso ? como um dos 100 parlamentares "Mais
Influentes" do Congresso Nacional e, por diversas vezes, como um dos dez
"Cabeças do Congresso". Com tamanha experiência, nesta entrevista
exclusiva, o senador analisa o cenário político nacional.
O senhor vem de uma família de políticos tradicionais de Manaus. O seu avô
foi prefeito e intendente. O gosto pela política vem da infância?
Não foi apenas o meu avô. Meu tio-avô foi dirigente da antiga UDN. Meu bisavô
foi deputado estadual. E meu pai foi político muito atuante: constituinte no
Amazonas, em 1947, deputado estadual, depois deputado federal e senador pelo
PTB. Foi líder do partido, líder do governo João Goulart e primeiro líder da
oposição ao regime militar. Com o AI-5, teve, em 1969, o mandato de senador
cassado e os direitos políticos suspensos. Vivi, desde criança, nesse ambiente
político. Minha casa era freqüentada por ministros de Estado e líderes
políticos. Foi certamente isso que despertou minha vocação pela vida pública,
levando-me, primeiro, à militância estudantil. Ali, comecei o combate à
ditadura, ao qual dei continuidade no Congresso, ao eleger-me deputado federal.
O senhor já foi deputado federal, prefeito de Manaus, ministro de Estado e,
agora, senador. Com a sua experiência, qual a principal missão de um prefeito?
Sem dúvida, a de cuidar bem da sua cidade. É para isso que é eleito. É o que o
eleitor quer e é o que espera de um prefeito.
A sua formação se deu na carreira diplomática, área responsável pela
política externa. Portanto, sua visão tem foco internacional, mas sua atuação
não perde o objetivo local, o município. Em que momento o local colabora para o
internacional e vice-versa?
Foi certamente meu gosto pela política que me levou, logo depois de concluído o
curso de Direito, no Rio de Janeiro, a fazer o concurso para o Itamaraty,
cursar o Instituto Rio Branco, e ingressar na carreira diplomática. Política
interna ou externa, é tudo política. Gosto muito de ambas. E de política
econômica também. Há entrelaçamento de todas elas. E por aí se vai à política
municipal. Nenhum político pode deixar de lado a sua cidade. Como lembrava o
saudoso Ulysses Guimarães, é no município que mora o cidadão.
Qual sua avaliação do cenário eleitoral atual?
A primeira e principal avaliação é de que se trata de mais um degrau que o País
sobe na consolidação do regime democrático. A cada eleição, mais se fortalece o
regime e mais experiente fica o eleitor, para melhor escolher os seus
candidatos. Assim se faz a democracia: pelo livre exercício do voto.
Como o senhor analisa as eleições de 2010? A eleição municipal de agora
influencia o próximo pleito?
Nas eleições de 2010, o eleitor poderá optar, basicamente, entre dois grupos
políticos. De um lado, o que está no poder e que teve o mérito de manter as
linhas básicas da política macroeconômica herdada do governo Fernando Henrique,
mas que não levou adiante as reformas estruturais necessárias e, em alguns
casos, levou o País ao retrocesso. De outro, o nosso lado, responsável por
haver preparado o Brasil para os êxitos agora alcançados e, por isso,
credenciado a levar adiante as reformas de que o País ainda necessita para se
tornar nação verdadeiramente do Primeiro Mundo. É claro que há nuances. As
forças políticas não se dispõem exatamente assim em todos os municípios. Há
casos em que partidos da base governista estão alinhados conosco. É a força da
política municipal, dos interesses locais, sobrepondo-se aos nacionais. O
resultado tende a influenciar o próximo pleito, mas será uma variável em meio a
várias outras, talvez decisivas, como o cenário econômico nacional, que está
sujeito à tempestade externa que se avizinha. Justamente por não ter o governo
Lula dado prosseguimento às reformas estruturais, o Brasil poderá estar mais
vulnerável à atual crise financeira internacional.
O senhor se considera um amazônida ou hoje é um "cidadão do
mundo"?
Não há nisso contradição. Sou, com orgulho, um amazônida, um cidadão de uma
região, que, pela sua riqueza florestal, aquática e mineral, é da maior
importância não apenas para o Brasil como para o mundo. Sempre me lembro de
Tolstoi: "Se queres ser universal, cultiva a tua aldeia!" A minha eu
cultivo!