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Ultima modificação: 22/05/2012 às 05:48:38
Eleitor está cada vez mais exigente ao votar, diz Virgílio Senador Arthur Virgílio

Senador Arthur Virgílio e o livre exercício do voto

Em entrevista exclusiva, o senador tucano analisa o cenário político nacional. 

O eleitor está cada vez mais experiente na escolha de seus candidatos. E quem ganha com isso é a democracia. A observação é do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apontado consecutivamente pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar - DIAP, desde 1995 ? quando retornou ao Congresso ? como um dos 100 parlamentares "Mais Influentes" do Congresso Nacional e, por diversas vezes, como um dos dez "Cabeças do Congresso". Com tamanha experiência, nesta entrevista exclusiva, o senador analisa o cenário político nacional.


O senhor vem de uma família de políticos tradicionais de Manaus. O seu avô foi prefeito e intendente. O gosto pela política vem da infância?

Não foi apenas o meu avô. Meu tio-avô foi dirigente da antiga UDN. Meu bisavô foi deputado estadual. E meu pai foi político muito atuante: constituinte no Amazonas, em 1947, deputado estadual, depois deputado federal e senador pelo PTB. Foi líder do partido, líder do governo João Goulart e primeiro líder da oposição ao regime militar. Com o AI-5, teve, em 1969, o mandato de senador cassado e os direitos políticos suspensos. Vivi, desde criança, nesse ambiente político. Minha casa era freqüentada por ministros de Estado e líderes políticos. Foi certamente isso que despertou minha vocação pela vida pública, levando-me, primeiro, à militância estudantil. Ali, comecei o combate à ditadura, ao qual dei continuidade no Congresso, ao eleger-me deputado federal.

O senhor já foi deputado federal, prefeito de Manaus, ministro de Estado e, agora, senador. Com a sua experiência, qual a principal missão de um prefeito?

Sem dúvida, a de cuidar bem da sua cidade. É para isso que é eleito. É o que o eleitor quer e é o que espera de um prefeito.

A sua formação se deu na carreira diplomática, área responsável pela política externa. Portanto, sua visão tem foco internacional, mas sua atuação não perde o objetivo local, o município. Em que momento o local colabora para o internacional e vice-versa?

Foi certamente meu gosto pela política que me levou, logo depois de concluído o curso de Direito, no Rio de Janeiro, a fazer o concurso para o Itamaraty, cursar o Instituto Rio Branco, e ingressar na carreira diplomática. Política interna ou externa, é tudo política. Gosto muito de ambas. E de política econômica também. Há entrelaçamento de todas elas. E por aí se vai à política municipal. Nenhum político pode deixar de lado a sua cidade. Como lembrava o saudoso Ulysses Guimarães, é no município que mora o cidadão.

Qual sua avaliação do cenário eleitoral atual?

A primeira e principal avaliação é de que se trata de mais um degrau que o País sobe na consolidação do regime democrático. A cada eleição, mais se fortalece o regime e mais experiente fica o eleitor, para melhor escolher os seus candidatos. Assim se faz a democracia: pelo livre exercício do voto.

Como o senhor analisa as eleições de 2010? A eleição municipal de agora influencia o próximo pleito?

Nas eleições de 2010, o eleitor poderá optar, basicamente, entre dois grupos políticos. De um lado, o que está no poder e que teve o mérito de manter as linhas básicas da política macroeconômica herdada do governo Fernando Henrique, mas que não levou adiante as reformas estruturais necessárias e, em alguns casos, levou o País ao retrocesso. De outro, o nosso lado, responsável por haver preparado o Brasil para os êxitos agora alcançados e, por isso, credenciado a levar adiante as reformas de que o País ainda necessita para se tornar nação verdadeiramente do Primeiro Mundo. É claro que há nuances. As forças políticas não se dispõem exatamente assim em todos os municípios. Há casos em que partidos da base governista estão alinhados conosco. É a força da política municipal, dos interesses locais, sobrepondo-se aos nacionais. O resultado tende a influenciar o próximo pleito, mas será uma variável em meio a várias outras, talvez decisivas, como o cenário econômico nacional, que está sujeito à tempestade externa que se avizinha. Justamente por não ter o governo Lula dado prosseguimento às reformas estruturais, o Brasil poderá estar mais vulnerável à atual crise financeira internacional.

O senhor se considera um amazônida ou hoje é um "cidadão do mundo"?

Não há nisso contradição. Sou, com orgulho, um amazônida, um cidadão de uma região, que, pela sua riqueza florestal, aquática e mineral, é da maior importância não apenas para o Brasil como para o mundo. Sempre me lembro de Tolstoi: "Se queres ser universal, cultiva a tua aldeia!" A minha eu cultivo!

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