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Ultima modificação: 22/05/2012 às 05:50:31
"Eles querem é me tirar do jogo antes do jogo começar, mas não vão conseguir" Luiz Paulo Vellozo Lucas

 

Durante visita à região do Caparaó, Luiz Paulo concedeu entrevistas a vários veículos de comunicação locais. Entre eles, destaque para a entrevista concedida ao jornalista e colunista do jornal Folha do Caparaó, Ilauro Oliveira, sobre o cenário político e pré-candidatura ao governo do estado em 2010, publicada na edição do dia 4/08. Veja abaixo a entrevista na íntegra

?Olha, o que existe na verdade é uma operação para inviabilizar a minha candidatura e todas as outras que não sejam a do vice-governador. O projeto é que ele seja candidato único, disputando contra o PCO do Carlão, e o PSol da Brice Bragato? 
 

Apesar de o governador Paulo Hartung (PMDB) acenar com a possibilidade de não ser candidato a senador, deixando livre o caminho para o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) disputar a vaga, esse não parece ser o caminho e nem o desejo do tucano. Ele está em franca campanha para o governo do Estado, e o pior: em rota de colisão com a candidatura do vice-governador peemedebista, Ricardo Ferraço, seu ex-colega de partido e hoje adversário político.
 
Pelo que deixou exposto nessa entrevista, nada tira a sua pré-candidatura a governador pelo simples fato de que a presença do PT no palanque do PMDB afasta o PSDB, que precisa cumprir uma tarefa nacional que é dar palanque ao candidato a presidente da República aqui no estado.
 
O tucano fala da sua luta pela construção da candidatura, se definindo como um aliado leal e de primeira hora do governador. Disse que o projeto de candidatura única para eleger o vice-governador não é benéfico para o Espírito Santo e acredita plenamente na vinda do DEM e do PPS para o seu palanque, mesmo diante das declarações que já foram dadas sobre o apoio a Ricardo.
 
Jornal Folha do Caparaó - Como está a construção da sua candidatura ao governo do Estado?


Luiz Paulo Veloso Lucas - No momento estamos priorizando a consolidação dos partidos que estão nacionalmente aliados ao PSDB, que são PPS, DEM e o PTB, do ex-deputado federal  Roberto Jéferson, com quem tenho um relacionamento muito estreito e já manifestou a intenção de o partido aqui no estado caminhar conosco. O PT precipitou muito o calendário, esse ano não deveria ser o ano de dedicação a essas costuras, mas precisamos nos manifestar porque está em curso uma operação para isolar nossa candidatura e também a construção de um projeto regional coerente com a candidatura do partido em nível nacional. Então tivemos que começar esses contatos não só externamente, mas com os nossos diretórios municipais e reforçarmos o tempo todo a disposição de construir um palanque completo com governador, senador...e rejeitarmos essa ideia de chapa única dos principais partidos para nomear o vice governador como o próximo governador.    
 
Mas o PSDB é aliado desse governo...


...Aliado de primeira hora, diga-se de passagem. A Prefeitura de Vitória foi a estaca principal sobre a qual se edificou o projeto político que hoje é aplicado com tanto sucesso no Espírito Santo e nós não seremos excluídos de jeito nenhum desse processo político. Vamos disputar a eleição e oferecer nosso projeto ao eleitor que terá a última palavra. Não vai haver um único caminho de continuidade ou de pós Paulo Hartung no Espírito Santo. O PSDB vai apresentar a sua opção e a minha pré-candidatura está assentada nesses dois pilares: no plano nacional, junto com a candidatura a presidente do PSDB, possivelmente com o governador de São Paulo, José Serra; e aqui com a continuidade da administração do governador Paulo Hartung.
 
O senhor assume o discurso da continuidade, mas do outro lado o vice-governador também representa essa continuidade. O que diferencia essas duas pré-candidaturas?


Na verdade seria melhor perguntar o que é comum. E só existe uma coisa: nós dois somos aliados do governador Paulo Hartung. Quando vem falar sobre o futuro nós começamos divergindo sobre a visão do governo do PT para o Brasil e para o Espírito Santo. A minha avaliação é um governo que paralisou as reformas, atrasou o Brasil...e se tem uma coisa boa foi não ter desfeito as reformas feitas na época do governo Fernando Henrique. Foi não ter fechado a economia, foi não ter deixado a inflação voltar, foi não ter desfeito as privatizações. Digo sempre que no governo do PT existem as coisas boas e ruins, as boas não são novas, são as antigas, e as novas não são boas, como por exemplo mexer no marco regulatório do petróleo. Essa é uma má ideia, está atrasando os investimentos do pré-sal e atrapalhando a economia brasileira...
 

O PT então diferenciaria negativamente esses dois palanques?

É uma primeira grande diferença, essa política de alianças. Os investimentos federais no Espírito Santo são ridiculamente baixos. Somos o segundo estado onde a União investe menos. Não é porque somos discriminados não, é porque o governo federal gasta o dinheiro com custeio, com a máquina, empregando e cooptando gente com essa máquina. Então a maioria das minhas propostas, que eu vou desenvolver nessa nossa caminhada, nessa pré-campanha, é em cima de um diagnóstico que não é o mesmo que a candidatura PT/PMDB vai querer mostrar.
 
Essa caminhada que o senhor começa a fazer, parece que preocupa alguns atores do governo, mas também alguns membros do próprio PSDB, tanto que tem gente querendo sair do partido para ficar com a candidatura de Ricardo. Está existindo uma espécie de esvaziamento?


Olha, o que existe na verdade é uma operação para inviabilizar a minha candidatura e todas as outras que não sejam a do vice-governador. O projeto é que ele seja candidato único, disputando contra o PCO do Carlão, e o PSol da Brice Bragato. Então hoje a minha luta é para eu conseguir ser candidato, conseguir formar uma chapa majoritária, conseguir manter os companheiros. Não quero obrigar ninguém a ficar no partido, quero que as pessoas acreditem  no nosso projeto. Mas não dá para esquecer que quem está hoje no governo, está por indicação nossa, do nosso partido. O PSDB vai ter chapa de estadual federal, senador e governador.
 
Por falar em Senado, há uma sinalização para que no palanque do vice-governador seja aberta uma vaga de senador para o senhor. Está excluída mesmo essa composição?


Com chapa única sim. Porque eu sou adversário dessa chapa. Não se trata de excluir a possibilidade de eu ser candidato ao Senado com uma outra candidatura de governador. Mas candidatura de que lado? De que campo? As eleições do ano que vem serão definidas a partir de uma realidade nacional e regional. A posição do PMDB em se aliar com o PT, coloca o PSDB no campo de oposição a esse grupo. Se eu abrir mão para ser senador, significa que eu estou abrindo mão para o meu adversário. Significa que eu estou deixando o adversário ganhar por WO. E nós não vamos deixar isso acontecer.
 
?Olha, o que existe na verdade é uma operação para inviabilizar a minha candidatura e todas as outras que não sejam a do vice-governador. O projeto é que ele seja candidato único, disputando contra o PCO do Carlão, e o PSol da Brice Bragato?
 
Alguma coisa evitaria esse confronto entre a sua candidatura e a do candidato do governo?
Olha, é a realidade que está posta hoje. Não se trata de uma candidatura contra a candidatura do governo, porque nós também somos governo. A outra candidatura é de um pedaço do governo, pode até ser do pedaço maior, mas não do governo como um todo, porque nós também estamos dentro do governo. O PSDB está no governo e governo não disputa eleição, quem disputa são os partidos que estão dentro dele. Esse governo do Paulo Hartung termina ano que vem. E todos nós fizemos parte dele e do sucesso dele. Esse sucesso não pertence só ao vice-governador, ou ao PT, que ajudou muito menos. Nós ajudamos muito mais. Tivemos presença administrativa e política muito maior. Lembro que em 2002 na primeira eleição de Hartung o PT não apoiou.
 
Porque então essa preferência do governador e do vice pelo PT...

Você tem que perguntar isso a eles (risos).
 
(risos)...Mas sim, mas é que na cabeça do eleitor fica difícil entender...o senhor é um aliado, mas está excluído...


Pois é, mas insisto que você tem perguntar isso a ele. O fato é que minha candidatura nasce do sucesso desse governo e do desejo de ver ele continuar. Eu fui sucessor de Paulo Hartung em Vitória quando ele era o melhor prefeito do Brasil. Eu disputei a eleição com o compromisso de não deixar a peteca cair. E não deixei. Fui eleito e depois reeleito prefeito. Coordenei  a campanha dele para governador em 2002. Então eu sou um político e administrador comprovadamente capaz de dar continuidade a Paulo Hartung, e leal. Eu provei as duas coisas. Tanto competência quanto lealdade. Se tivesse faltado uma dessas duas coisas, dificilmente Hartung teria chegado ao governo do Estado. Isso eu provei em Vitória. Outros nomes que estão postos aí não provaram. Não têm essa experiência comprovada. Eu tenho. Então acho que o PSDB tem obrigação de apresentar o seu projeto, e a minha pré-candidatura está vinculada a esse histórico político e administrativo.
 
O senhor tem pregado que uma candidatura única, como seria o caso da de Ricardo, não é saudável para o estado. Por que?


Acho que é uma construção política baseada no poder. Condomínio de poder. Evidente que uma boa administração acaba tirando proveito dela mesma. Acontece que essa administração tem muitos parceiros. Nós somos parceiros. E esse sucesso não pertence a um único partido, ou único bloco de partidos. As alianças têm que ser feitas com propósitos claros. E eu vejo essa aliança que está sendo feita com um problema grave:não identifico nela uma aliança com projeto político-administrativo para o estado. Aliás, identifico essa aliança como um grande desconforto dentro do PT, e do PMDB. Não é algo natural, mas uma aliança baseada em ocupação de espaço de poder. E acho que esse é um caminho equivocado para um projeto ambicioso que é dar continuidade a uma administração bem sucedida. E continuar uma administração bem sucedida como a de Paulo Hartung não é fácil! É preciso ter liderança, competência política e administrativa, identidade...como eu tive em Vitória.
 
E o senhor não enxerga isso nos seus possíveis adversários?


Não, não enxergo isso nos meus adversários.
 
Deputado, ficou algum tipo de mágoa com o Ricardo por causa da saída dele do PSDB? E isso de certa forma alimenta a sua pré-candidatura contra ele? Vocês até trocaram farpas publicamente...


Eu não troquei farpas, eu apenas fiz uma crítica política ao fato dele sair do PSDB, uma vez que a vice-governadoria era fruto de uma coligação e o PSDB estava sendo expulso de uma coligação majoritária. Em 2006 eu era pré-candidato a senador, e abri mão da minha pré-candidatura para que a gente ficasse com a vice-governadoria. Então o PT não lançou candidato a governador, e Hartung teve 77% dos votos, disputando a reeleição em condições bem favoráveis. Essa foi a contribuição que nós demos.  Então nossa presença partidária como vice-governador nas campanhas municipais virou água. O vice-governador em dez municípios apoiou candidatos contra nós e criou uma crise política saindo do partido. Fiz uma crítica política dura. Separo bem as relações pessoais das demais. Ele (o vice-governador) que em entrevistas fez uma série de considerações pessoais ao meu respeito e que não mereceu de mim nenhuma resposta.     
       
Voltando às alianças, e o PPS e o DEM? O senhor está construindo isso por cima, porque aqui no estado alguns membros já manifestaram a preferência pelo Ricardo.


PPS e o DEM estão coligados com o PSDB em todos os estados brasileiros. Na Bahia, por exemplo, o PSDB estava dentro do governo Jacques Vagner (PT). Nós perdemos dezenas de prefeitos e deputados estaduais porque o PSDB vai caminhar com Paulo Souto (DEM) para governador. Por conta da oposição que fazíamos a ACM (ex-senador Antonio Carlos Magalhães), que já não está mais entre nós, a realidade hoje é outra e nos coloca dentro do projeto dos democratas com grande sacrifícios, já que tivemos que sair do governo. Aqui nós somos governo. Ricardo Santos é do PSDB e é secretario de Agricultura. O líder do governo na Assembleia Legislativa é presidente do PSDB.  Não somos menos governo do que outros que aí estão. Admito que queiram outras candidaturas por qualquer razão, menos porque nós não somos governo. Então, que arranjem outra desculpa porque essa não cola.    
 
Então o senhor imagina que esses partidos venham por gravidade...


Eles veem naturalmente. Será absolutamente natural. Estaremos juntos porque essa é a linha desses partidos. Estamos próximos desses três, PPS, DEM e também do PTB.
 
Então essas manifestações isoladas seriam para enfraquecer sua pré- candidatura...

Só servem para isso. Essas declarações são tentativas de me isolar e me fazer desistir. Isso é conversa dos adversários. Isso é conversa dos adversários.   Eles querem é me tirar do jogo antes do jogo começar, mas eles não vão conseguir.
 
O senhor tem conversado com o senador Renato Casagrande (PSB). Mas há uma dificuldade em nível nacional para uma aliança nesse sentido.


Apesar do Casagrande e do PSB estarem no campo do PT nacionalmente, eu tenho orgulho de ter ajudado a elegê-lo.  Ele tem sido um ótimo senador e tem uma ótima relação com a nossa base no Senado. Quando ele era vice-governador ele me apoiou para prefeito de Vitória. Então temos ótima relação e estamos conversando. Ele é pré-candidato ao governo, como eu sou. A pré-candidatura dele é legítima porque ele também não gosta desse projeto de candidatura única. Ele também acha que isso não representa adequadamente as forças políticas do estado. Então uma possível aliança não é uma coisa que nós descartamos. Temos formas de construir isso, dependemos claro do quadro nacional e regional, e isso tem sido motivo frequente de encontro entre nossas executivas.
 
O senhor está andando, trabalhando nas bases. Como está a aceitação do partido à sua candidatura?


Tenho até que pedir desculpas por causa do calendário. Está muito cedo para discutir isso, mas se a gente não se mexer agora, quando a gente olhar só vai ter uma candidatura única e só vai nos restar apoiar o PSOL ou o PCO. E isso o nosso eleitor não quer, por isso estamos tratando do nosso projeto regional. E para isso precisamos ter candidatura a governador. Não há projeto regional sem candidatura a governador. Se Paulo Hartung for candidato ao Senado, nós só teremos uma candidatura ao Senado do nosso lado. Se por acaso o governador não for candidato, nós teremos duas candidaturas. Os nomes estão sendo colocados e sendo discutidos devagar.        
 
Ainda sobre o Senado. Quais seriam esse nomes do partido para uma ou para as duas vagas? Colnago, Ricardo Santos...


O César Colnago será candidato a federal e o Ricardo é pré-candidato a deputado estadual. Ainda não temos nenhum nome colocado para essas vagas. Temos conversado, feito movimentações. O deputado federal Camilo Cola (PMDB) lá na Câmara comenta que gostaria de sair candidato a senador. Para isso ele teria que sair do PMDB, eu acho. Vejo o nome dele com bons olhos. A Rita Camata também tem mostrado grande desconforto com essa situação entre PMDB e PT. Ela foi candidata a vice-presidente da República na chapa do José Serra em 2002, e certamente com Serra sendo candidato a presidente da República, ela certamente vai apoiar o Serra. Como ela vai ficar contra agora ou apoiar a Dilma? Então vejo a Rita como um grande nome ao Senado. Como o próprio senador Gérson Camata...
 
...Isso é um convite do seu partido a essas lideranças (risos)?
(risos) Todos eles já foram convidados, mas eu respeito a posição deles. Mas nós teremos candidatos a senador. Mas vejo nessas três lideranças do PMDB o desconforto em relação a esta aliança do partido com o PT. Se isso vai ser suficiente para que eles saiam do PMDB, só o tempo dirá.
 
?Então eu sou um político e administrador comprovadamente capaz de dar continuidade a Paulo Hartung, e leal. Eu provei as duas coisas. Tanto competência quanto lealdade. Se tivesse faltado uma dessas duas coisas, dificilmente Hartung teria chegado ao governo do Estado. Isso eu provei em Vitória.?


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