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Luiz Paulo afirma que não fará oposição e que Ferraço não é o único responsável pelo sucesso do governo
Ele não se coloca como oposição. Mas certamente estará na linha oposta do candidato do Palácio Anchieta à sucessão. O deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas gasta o verbo sobre as Eleições 2010 em uma entrevista exclusiva para o jornal online Folha Vitória. Reafirma que o PSDB tem contribuição grande ao sucesso do governo Paulo Hartung e que, por isso, jamais poderia representar uma oposição. Ele ressalta que o vice-governador Ricardo Ferraço não pode trazer para si todos os créditos pelo bom desempenho do governo Paulo Hartung, se colocando como sucessor dele. Vencendo, Luiz Paulo não descarta chamar os perdedores para integrar o governo. Assim como não descarta a possibilidade de, perdendo, compor o projeto vencedor.
Confira a entrevista na íntegra:
Folha Vitória: Quais são os planos do partido para a deputada Rita Camata? Luiz Paulo: Se depender de nós, ela é nossa candidata ao Senado. O desejo é que ela venha a compor a chapa majoritária no nosso palanque regional. Mas isso vai depender dela. A decisão é dela. Ela que terá a opção. A vinda dela ao PSDB não está vinculada a nenhum projeto pré-definido. Está ligada à ideia de ela estar identificada e incorporada ao projeto do PSDB. Agora, ela poderá decidir, mas está muito cedo ainda.
Folha Vitória: Pelas conversas tidas com ela até o momento, ela se mostra receptiva à candidatura ao Senado? Luiz Paulo: Ela gosta de ideia, mas não quer se comprometer nesse momento. Agora, não escondemos o que queremos. Ela prefere tomar essa decisão mais adiante e respeitamos totalmente isso.
Folha Vitória: Há um plano B, caso ela não queria disputar o Senado? Luiz Paulo: Não existe um plano B. O papel de especular é da imprensa, nós não trabalhamos com plano B.
Folha Vitória: Além do Senado, quais são os outros nomes que vão encabeçar a chapa do PSDB? Luiz Paulo: Temos muitos nomes. César Colnago certamente é cabeça de chapa. Ele concorre a deputado federal. É o nosso nome para a Câmara. Para deputado estadual nós temos Ricardo Santos. É outro nome que nós estamos trabalhando. Pela nossa coligação de federal temos Max Filho e de estadual Max Mauro, do PTB. E também para estadual o ex-prefeito José Carlos Elias. Então, temos muitos nomes de peso.
Folha Vitória: Depois de todo esse troca-troca partidário, já dá para vislumbrar mais ou menos como ficam as chapas dos partidos. Como o senhor avalia essa perspectiva? Luiz Paulo: Nesse momento o que eu posso vislumbrar com clareza é que os palanques estaduais corresponderam a projetos federais. Digo isso até conforme o governador Paulo Hartung tem falado nas entrevistas. Teremos no Espírito Santo um projeto vinculado ao da ministra Dilma, que ao que tudo indica virá ligada ao vice-governador. Temos o nosso projeto, vinculado ao PSDB de Aécio e Serra ou Serra e Aécio. E a candidatura do Renato Casagrande, vinculada ou não à possibilidade da candidatura de Ciro Gomes à Presidência. Se Ciro for candidato, a candidatura de Casagrande é certa. Mas se não for, é possível que Casagrande também venha candidato.
Folha Vitória: Como o senhor vê a possibilidade de candidatura de Casagrande? Luiz Paulo: Acho que o Casagrande é um nome forte. Uma liderança importante. Foi nosso candidato ao Senado e está fazendo um ótimo mandato. E tem muito prestiígio no Estado todo. Ele não diz se é candidato ou não, mas o partido quer vê-lo candidato. E vejo isso como uma coisa muito natural. O leque de candidaturas tem que, em um primeiro momento, representar o universo do eleitorado. Ao longo do processo é que isso vai se afunilando. É o debate que afunila.
Folha Vitória: A decisão do governador em disputar ou não a eleição ao senado muda de alguma forma os planos do PSDB? Luiz Paulo: Muda. Se ele não disputar, a gente lança dois candidatos ao Senado. Se ele disputar, a gente lança um só. Nós o apoiaremos ao Senado, se ele for candidato. Mesmo ele estando na outra chapa. Ele tem nosso apoio.
Folha Vitória: Já dá para perceber uma utilização bem forte do Orkut, Twitter e Facebook. Vai ser uma das grandes armas da campanha? Eu acho que sim. É a tecnologia da informação. Isso mexe com a sociedade como um todo, não iria mexer com a política? A internet é um veículo obrigatório de informação e comunicação. Está alterando tudo e, evidentemente, altera a política para melhor. Digo isso porque gera o voto de opinião, que é um voto com maior qualidade. Na verdade ele vale a mesma coisa que o voto desinformado, mas resulta em um processo político que seleciona melhor os líderes. O voto consciente é o voto bem informado.
Folha Vitória: As últimas pesquisas têm mostrado um enfraquecimento da candidatura da ministra Dilma... Luiz Paulo: Eu não subestimo. A missão vai ser duríssima. A imagem do presidente Lula é sólida. A identidade dele com os mais pobres é muito forte e a máquina do governo é poderosa. Ela está sendo usada sem pudor em prol de objetivos eleitorais. Mas essas pesquisas agora refletem muito pouco. Acredito que os candidatos do PSDB vão liderar as pesquisas com folga até começar a campanha propriamente dita. Aí, o jogo fica duro.
Folha Vitória: O senhor acredita que o enfraquecimento ou fortalecimento da candidatura dela vão refletir no cenário estadual? Luiz Paulo: Vai refletir. Reflete no imaginário do eleitorado. Vamos ter o palanque da Dilma liderado pelo vice-governador. Se ela estiver bem, é bom para eles. E o mesmo vai acontecer com a nossa candidatura. E o mesmo acontece com o Renato se o Ciro for candidato. Agora, ainda que uma coisa reflita na outra, não determina. Se Dilma ganhar, não quer dizer que o candidato dela ao governo vai ganhar. E não quer dizer que se ela perder, ele não pode ser eleito. Mas que vai ajudar vai.
Folha Vitória: No site oficial do senhor há um artigo com críticas fortes aos integrantes do governo federal que vão disputar as eleições. Se chama "Um governo em cima dos palanques". No governo estadual também temos casos, como os secretários Rodney, Carnelli, Audifax, o próprio Ricardo Santos e o presidente do Bandes, Guerino Balestrassi. Qual é a avaliação que o senhor faz desse movimento regionalmente? Luiz Paulo: No caso do Governo Federal, minha crítica é que o uso da máquina é despudorado. É descancarado. Mas os brasileiros têm direito de ter candidatos que usam cargos públicos. Por isso tem descompatibilização, todos saem em 1º de abril. Mas todos que estão em cargos públicos precisam ter muito cuidado. A máquina pública não pertence a um partido. É preciso ser usada com equilíbrio e consenso. Aqui no Estado a gente vê que a base do governo é muito ampla, há secretários ligados a mim, ao vice-governador e ao Renato. De certo modo isso embaralha um pouco. Todo mundo é responsável para que não ocorra abuso.
Folha Vitória: O PSDB é partido aliado ao governo Paulo Hartung e o governador pretende lançar a candidatura de Ricardo Ferraço. Como o senhor pretende posicionar a candidatura do senhor, será realmente de oposição? Luiz Paulo: Absolutamente. Primeiro eu quero fazer uma correção na pergunta: o governador Paulo Hartung não lançou ninguém nem disse que o candidato dele é quem quer que seja. O partido do governador, o PMDB, tem como candidato o vice. E Paulo Hartung tem o direito de apoiar o candidato do partido dele, se vier a fazê-lo. Agora, isso não muda o fato do PSDB pertencer ao governo e ter contribuído para o sucesso dele. Esse governo não é só do PMDB. É do PSDB e também do PSB de Casagrande. Quem votou no Paulo Hartung em 2006 votou na chapa PSDB/PMDB. Nós somos parte do atual governo e temos muito orgulho do atual governo. As alianças que estão sendo feitas agora não são para o atual governo, são para o futuro. O PMDB optou por se filiar ao PT e isso nos exclui do futuro governo. Não queremos estar ligados ao PT. Assim como PT não nos quer como aliado. O PMDB tem todo direito de fazer isso, mas essa aliança é o que nos exclui. Então, vamos apresentar um projeto alternativo. Isso não nos transforma em oposição ao atual governo. Agora, no futuro governo, em 2011, o PSDB e PMDB não estarão do mesmo lado.
Folha Vitória: Isso gera alguma confusão no eleitorado. Luiz Paulo: Não gera. Não gera mesmo. Essa ideia de oposição foi plantada por aqueles que defendiam uma candidatura única desqualificando as demais como candidaturas não legítimas. Ou de oposição ao atual governo. Somos parte do atual governo. Fomos eleitos em 2006, estávamos juntos em coligação formal. Ninguém pode nos empurrar à oposição, se nós não quisermos. Poderíamos ter rompido com o governo se o achássemos ruim. Mas achamos um ótimo governo. Contribuímos para que ele seja o ótimo governo que é. O fato de não estarmos aliados para o próximo, não nos torna oposição ao atual governo. É fácil de entender, para quem tem boa fé. Para sintetizar a ideia eu lhe digo que o vice-governador não e o único responsável pelo sucesso do atual governo. Nós também somos. Ele não pode puxar essa nossa contribuição para ele.
Folha Vitória: O secretário Carnelli disse aos jornais que a pré-candidatura do senhor foi decisiva na decisão dele de deixar o PSDB. Como o senhor avalia esse posicionamento? Luiz Paulo: Não tenho que avaliar. Ele tem direito de seguir o caminho que ele considera adequado. Agora, eu acho que escolhendo o PPS ele não mudou muita coisa. O PPS está na nossa coligação nacionalmente. Em todo território nacional. É bem possível que esteja na nossa coligação estadual também. Mas ele tem todo direito de se desfiliar. É da democracia. Tanto que Rita veio para o nosso partido. Só que o partido que ele escolheu é um aliado nacional. Há uma tendência que venha ser do nosso palanque estadual. Nesse sentido mudará muito pouco. Esse é um problema dele.
Folha Vitória: Quando o ex-deputado Roberto Jefferson esteve aqui e declarou apoio ao senhor, ele chamou de "unanimidade burra" a base de apoio do governador. O senhor concorda? Luiz Paulo: Essas palavras são dele. Eu uso as mais adequadas. Eu acho que a aliança do PMDB com o PT não é capaz de representar todo o universo do eleitorado capixaba. Eu acho necessário que existam outras candidaturas. Um projeto de fazer candidatura única é um projeto equivocado. Autoritário e equivocado. Essa aliança não teria capacidade de dar continuidade ao projeto político da administração Paulo Hartung. Nós pretendemos construir um projeto administrativo e político que tenha condições de fazer isso.
Folha Vitória: Como o senhor avalia a possibilidade de ter na base aliada o ex-governador Max Mauro e o ex-prefeito Max Filho, que sempre foram rivais do governador Paulo Hartung? Luiz Paulo: Com enorme naturalidade. Quando a gente faz aliança é porque existem pontos de convergência maiores do que os de divergência. Você tem que respeitar as diferenças entre os aliados. Nós do PSDB temos mais pontos de convergência do que de diferença com Max Mauro e Max Filho. O maior de diferença é oposição ao atual governo. Mas para nós é mais importante a aliança para o próximo governo. A nossa aliança nem transformou Max Mauro e Max Filho em aliados de Paulo Hartung, nem nos transformou em adversários de Paulo Hartung. Estamos aliados para o próximo governo. E eu sou extremamente grato ao reconhecimento do PTB, do Roberto Jefferson, de Max Mauro e Max Filho, pela confiança que estão depositando no nosso projeto. Eles foram fator fundamental para estabilizar o nosso projeto e impedir que fosse um projeto isolado.
Folha Vitória: Quando o senhor lançou candidatura, muita gente acreditava que o senhor desistiria da ideia. Hoje a candidatura do senhor já é fato. O que o senhor acha que fortaleceu a candidatura do senhor? Luiz Paulo: Isso a gente tem que perguntar às pessoas que fizeram esse tipo de previsão. Eu estou há 35 anos na militância política. Comecei na campanha de 74, no velho MDB. Estou há 17 anos na política do Espírito Santo. Essa pergunta tem que se dirigir às pessoas que fizeram esse julgamento. Quero reafirmar o que eu sempre disse: a aliança PMDB/PT não nos entusiasma e representa e não tem capacidade de nos liderar. Então queremos outro projeto e estamos construindo ele. O PSDB tem história, propostas, projetos nacionais e folha de serviços prestados ao Estado e ao país. Eu sempre avaliei que existia no mercado político espaço para mais um palanque. Tem pessoas que, como nós, não querem acompanhar a aliança PMDB/PT no Estado. Queremos nos fortalecer como opção. O PSB com o Casagrande também tem todo o direito de fazê-lo. E isso não é surpresa para mim. Sempre acreditei que a sociedade iria ficar insatisfeita com uma candidatura única e iria procurar alternativas. O fato de termos um bom governo, bem avaliado não quer dizer que tenhamos que ter candidatura única. O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada. Temos um ótimo governo, do qual fazemos parte, e, no ano que vem, os projetos que integram o governo apresentarão projetos diferentes com visões diferentes do futuro.
Folha Vitória: E quais são as perspectivas do senhor? Luiz Paulo: Eu estou muito animado. Nosso projeto é competitivo. Tentaram nos desqualificar ou diminuir com um objetivo claro: de inviabilizar o nosso projeto para que houvesse uma candidatura única. E isso não estamos de acordo. Vai haver disputa. Aí a gente pode ganhar ou perder. Se perder, pode compor depois. Se ganhar, pode chamar para a conversa depois.
Folha Vitória: Então o senhor considera a possibilidade de integrar um governo vencedor que não seja o do PSDB? Luiz Paulo: Isso tudo pode acontecer. Quando Paulo Hartung ganhou em 2002, procurou compor uma base mais ampla e foi correto. Em 2006, a mesma coisa. Isso é normal de acontecer, se o projeto tiver afinidade. Mas ter oposição também é normal e muito saudável. Nós podemos ajudar também sendo oposição. Estou participando da discussão do projeto do pré-sal na comissão da Câmara e estou fazendo várias críticas ao projeto para melhorá-lo. Estou ajudando o país e o pré-sal.
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