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Rita Camata revela dificuldades de "resgatar as bandeiras" do PMDB e fala sobre planos no PSDB
O jornal online Folha Vitória estreia nesta segunda-feira (5) uma série de entrevistas especiais sobre as Eleições 2010. Na primeira delas, a deputada federal Rita Camata revela as insatisfações que a fizeram deixar o PMDB e fala sobre os planos para o futuro no novo partido, o PSDB. Rita fala ainda sobre as dificuldades em "resgatar as bandeiras" do PMDB e da necessidade de se construir um segundo palanque político no Espírito Santo para 2010.
A deputada, que está em Vitória, participa nesta tarde de uma festa de acolhida em Jardim da Penha. Nesta terça-feira (6), Rita Camata se encontra com o governador de São Paulo, José Serra, que lhe dará as boas-vindas ao PSDB.
Confira a entrevista na íntegra:
Folha Vitória: O que motivou a saída do PMDB? Havia insatisfação com o partido? Rita Camata: Internamente eu questiono a condução do partido há muito tempo. Em vários momentos, a forma como o partido se posiciona me incomoda. E eu tive, de certa forma, uma resistência interna, achando que pudesse mudar. Eu sempre tive um papel de questionamento interno, sempre de forma muito ética. Queria discutir um programa e resgatar as bandeiras. Eu entrei na política em um ideal de ver o país democratizado através de pessoas que tinha admiração, que tinha histórico de luta. Foi nesse momento rico para a política, das diretas, de mudança de período autoritário... Isso é que eu carrego dentro de mim. É esse ideal de representatividade, de instrumento de transformação social, política e econômica. E o PMDB cumpriu esse papel importante naquela época, colhendo a grande contribuição que antigo MDB deixou... Eu não desmereço em nada, há reconhecimento grande da larga contribuição do PMDB naquela época. Mas daí para frente, a identidade com algumas bandeiras ficou mais difícil.
Folha Vitória: Como surgiu o convite para ingressar no PSDB? Rita Camata: Havia já de longo tempo um convite para ir para o PSDB. Desde quando o partido foi constituído havia pessoas com que eu tinha grande afinidade, como o Serra [governador de São Paulo, José Serra] e o Fernando Henrique [ex-presidente Fernando Henrique Cardoso]. Mas é uma coisa difícil. Na semana passada saiu na imprensa que eu teria saído lacrimejando de uma reunião no PMDB. É duro. Você acaba rompendo com esse sonho de transformação e resgate dentro de um partido. Toda construção afetiva e de respeito que conquistei. De certa forma há esse rompimento. Não vai haver com as pessoas, em momento nenhum, pelo contrário: me ofereceram uma carta dizendo que o partido não irá permitir qualquer possibilidade de fragilização do meu mandato... São conquistas que você tem se impondo. Não dizendo amém, mas tencionando, discutindo, divergindo... Mas não existia esperança de poder mudar nada. Por isso chega uma hora que você tem que decidir. O Espírito Santo e o governador têm essa compreensão. Todos nós que temos a responsabilidade de estar na política sabemos que não é sadio para o Espírito Santo ter um único palanque em projeto.
Folha Vitória: Se a insatisfação com o PMDB é antiga e o convite do PSDB também, porque o momento de mudar é agora? Rita Camata: Chega na vida um momento que vai. É isso. É natural.
Folha Vitória: Qual é a relação que isso tem com o processo eleitoral? Rita Camata: Bom, eu tenho um prazo eleitoral de filiação que vencia sábado. Esse era o limite.
Folha Vitória: A senhora conversou com o governador Paulo Hartung sobre essa decisão? Rita Camata: Nós conversamos sim e há um grande reconhecimento ao papel excepcional que o governador Paulo Hartung desempenhou na reconstrução do Espírito Santo. Eu me orgulho muito de ter contribuído com isso. Mas é uma decisão que acho que cada um vai colhendo dos sentimentos... Nas conversas.
Folha Vitória: A opinião dele influenciou sua decisão de alguma forma? Rita Camata: O que eu tenho a acrescentar sobre isso é que eu tenho o maior respeito pela liderança de Paulo Hartung, pelo grande homem que ele é e pelo trabalho que desenvolve. E acredito que esse respeito seja mútuo.
Folha Vitória: A senhora acha que essa decisão pode estremecer os vínculos que existem entre vocês? Rita Camata: Não.
Folha Vitória: A enquete que esteve online no seu site. A senhora pensou em considerar o resultado dela antes de decidir? Rita Camata: Isso foi uma bobagem e um negócio de risco. Foi uma idéia dos meus assessores. Fizeram sem me consultar, colocaram sem que eu soubesse. Achei desnecessário, além de um pouco arriscado, mas valeu. No que eu puder ser mais transparente, melhor.
Folha Vitória: Quais são os planos da senhora no novo partido? Rita Camata: Eu lamento a antecipação do processo eleitoral, eu vejo as pessoas comentando os cenários de 2014. Há um entendimento que o período para se discutir isso é março, abril e junho. Porque são os períodos de convenção. Agir assim é produtivo para a administração pública. Você antecipar é dispensar forças e energias, que devem ser canalizadas para propósitos maiores. Precisamos estar atentos às preocupações de agora. A gente tem que se preocupar com isso.
Folha Vitória: A senhora pretende sair como candidata ao Senado? Rita Camata: Não é o momento para isso. Ninguém precisa antecipar isso. Agora, o Estado é um estado pequeno e tem que ter perspectiva de projetos eleitorais. Um palanque já foi definido que é o da Dilma. Temos que trabalhar para outra estrutura. Essa antecipação deixa a gente meio chateada porque agora nós podemos produzir mais e canalizar energias para as coisas mais importantes para a população.
Folha Vitória: Como a senhora avalia a possível candidatura de Renato Casagrande? Rita Camata: Ele tem dito que vai colocar a candidatura do PSB na data prevista e eu tenho o maior respeito por ele. É um grande senador. Tem enaltecido o trabalho federal. Conversamos muito também nesse meu período de decisão. Não é uma coisa simples mudar de partido. Eu acho que devo ser a única parlamentar que só teve um partido durante toda a vida política. Eu acredito no projeto nacional do PSDB, não somente o traçado durante o período FHC, mas também aquele que Lula sabiamente manteve. E acredito que PSDB vai ter condições de avançar mais nacionalmente e também no Espírito Santo.
Folha Vitória: Qual é o sentimento que fica, depois de tomada a decisão? Rita Camata: É de alegria, de acolhida, de desafio, tarefas... Acho que é isso. De esperança, motivação para continuar. Lutando pelo Espírito Santo e pelo Brasil.
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