Em entrevista publicada nesta sexta-feira no jornal "O Globo", o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que a definição sobre o nome do partido para disputar a sucessão de Lula em 2010 deve ser anunciada até o final do próximo ano. "O melhor candidato será aquele que tenha mais chances de ganhar a eleição", destaca o tucano.
De acordo com Guerra, a escolha não ficará restrita à cúpula partidária. O senador acredita que, caso sejam bem conduzidas, as prévias podem ganhar apoio popular e ajudarão as campanhas de todos os candidatos tucanos. O presidente do partido pondera que, antes da definição do candidato, será preciso consolidar, até junho de 2009, o trabalho de estruturação das bases nos estados com PPS e DEM. Com isso, o partido terá sólidos palanques de Norte a Sul do país. Leia abaixo a íntegra da entrevista.
Em 2009, o PSDB terá de escolher seu candidato à sucessão presidencial. Mais uma vez o partido está dividido entre dois nomes, José Serra e Aécio Neves. Há risco de racha?
Antes, temos uma tarefa política indispensável de estruturação das bases que se entendem neste instante com vista a 2010. Falo de PSDB, PPS e DEM. Em
– Antes
– Queremos, até junho de 2009, palanques sedimentados que possam sustentar uma campanha e apoiá-la de fato em todos os estados. Para não repetir o que aconteceu em 2006, quando o candidato era impedido de se deslocar para alguns estados por conta de divergência de seus aliados. Mais do que falta de campanha de aliados, o que contribuiu mesmo para as derrotas do PSDB, em 2002 e 2006, foi a divisão interna do partido.
Não devemos temer nem dramatizar o cenário de dois candidatos potenciais com imenso poder eleitoral e forte articulação política. Se houver disputa, sob qualquer forma, o partido vai saber que essa disputa o fortalecerá e será desenvolvida de forma construtiva.
– As prévias são uma opção?
– O melhor candidato será aquele que tenha mais chances de ganhar a eleição. A escolha não será feita como era antes. Há suficiente democracia dentro do PSDB para que a escolha não seja de cúpula. O sistema de prévias, bem conduzido, pode alargar o partido, ganhar apoio popular, construir mobilização e ajudar as campanhas. Podemos recorrer a prévias na falta de um acordo prévio.
– Quando se dará essa escolha do candidato?
– Pelo nosso cronograma, no segundo semestre de 2009, vamos iniciar a discussão sobre potenciais candidatos, de forma que até o fim do ano seja tomada uma decisão.
– As pesquisas indicam Serra como o candidato mais competitivo. Até que ponto isso pesará na escolha?
– É inegável o tamanho eleitoral de José Serra. Da mesma forma que é absolutamente previsível a capacidade de o pré-candidato Aécio Neves crescer. São dois candidatos de grande valor e competitivos. Vários fatores são importantes numa decisão dessas. Pesquisas são um deles. Exames mais amplos sobre alianças também são importantes. Haverá suficiente massa crítica para tomarmos, na hora adequada, a decisão que precisamos tomar.
– São Paulo nunca foi um problema para o PSDB, que venceu as eleições presidenciais no estado nas duas últimas vezes, ao contrário de Minas. Como ultrapassar essa dificuldade sem Aécio ser candidato?
– Há uma vontade muito forte de Minas para que Aécio seja candidato à Presidência. Mas eu não aceitaria Minas como problema. Pela ordem, os lugares que mais temos problemas são Rio de Janeiro, Bahia, além do Nordeste de um modo geral.
– O senhor acha possível ter uma chapa puro sangue, com Serra e Aécio?
– Seria desejável, mas é muito pouco provável.
– Até que ponto o prestígio do presidente Lula poderá interferir na próxima eleição?
– O presidente não elege um poste. A ministra Dilma [Rousseff, da Casa Civil] não é um poste, mas Lula é Lula e Dilma é Dilma. Para que Dilma fosse Lula, ela teria de ter nascido no Nordeste, construído uma ampla vida sindical e ter disputado várias vezes a Presidência, superando expectativas.
– O senhor acha que vai ser uma campanha dura?
– Tenho respeito pela candidata Dilma. Acho que ela não permitiria uma campanha agressiva nem primitiva. Ou seja, uma campanha de dossiês.