Leia abaixo entrevista do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), à jornalista Christiane Samarco publicada na edição do dia 10 de dezembro do jornal O Estado de S. Paulo:
Setores do PSDB apostam que a extinção da CPMF vai virar compromisso de campanha em 2010 e, por isso, é melhor acabar logo com o tributo para forçar o governo a fazer o ajuste fiscal já. O sr. também acha que a CPMF tem prazo de validade curto?
Não tem uma razão técnica que justifique a manutenção do imposto. E quando digo isso não estou imitando o PT do tempo do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Agora o cenário econômico é outro, de estabilidade, crescimento. O Palocci (ministro da Fazenda no primeiro governo Lula) fez um ótimo ajuste em 2003, com meu aplauso e as críticas do PT, e lá eles concordaram que 2008 poderia ser o ano da CPMF com alíquota de 0,08%, e não os 0,38% deste governo perdulário. Eu acho que a CPMF tem que acabar.
Isto significa que o PSDB tem que se preparar para governar sem CPMF?
Temos de nos preparar para governar não só sem a CPMF como também abrindo mão de outros impostos. É evidente que não podemos virar um México. O Brasil precisa de mais que 22% do PIB (de carga tributária) para se financiar. Mas temos que ter coragem, ousadia.
O sr. está dizendo que o PSDB do Senado está decidido a pôr fim à CPMF?
Se não for assim, não acaba essa gastança nunca. Essa farra fiscal vai acabar com o próximo governo, e não digo isso de salto alto, por achar que o PSDB será o sucessor de Lula. Não menosprezo adversário. O que sei é que quem tem que fazer o ajuste é este governo, e não a gente ou quem for o próximo. E, se não acabar a CPMF, o ajuste não sai.
Mas o governo montou um plantão de fim de semana para pressionar e atrair senadores da oposição e os governadores tucanos também trabalham pela CPMF.
Ouvi toda a bancada e não vejo como um senador meu possa mudar de opinião em um final de semana. No PSDB, não tem ninguém querendo uma presidência de Furnas para negociar (como fez o PMDB na Câmara). Também não há queixas por excesso de pressão, nem do governo, nem interna, até porque o PSDB não é como o PDT de Leonel Brizola. O partido não tem dono.
O fechamento de questão está descartado?
Não vejo nenhuma necessidade de fechamento de questão, mas fecharemos se precisar.
Ainda há espaço para negociação de última hora com o PSDB?
Não vou votar a favor da CPMF e não reabro conversa com quem me chantageia. Não posso votar com quem me ameaça. Não admito que o PSDB seja tratado dessa forma. Não temo ameaça pela frente nem aceito pressão por trás.