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Ultima modificação: 22/05/2012 às 05:58:54
"Governo Lula não propôs nada de novo ao Brasil" José Aníbal

Em entrevista publicada no último domingo pelo jornal mineiro Hoje em Dia, o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), diz que o partido não teme qualquer investigação na CPI dos Cartões Corporativos, critica a impunidade e o conservadorismo em excesso no governo Lula e faz uma avaliação otimista sobre a expectativa da legenda para as próximas eleições. Leia a íntegra abaixo:

 

 

Quais são as perspectivas do senhor à frente da bancada?

 

As melhores possíveis. Fui eleito por um movimento que quer que o partido fale mais, apareça mais, seja mais combativo, mais propositivo, se coloque mais. Porque o PSDB cresce quando fala.

 

 

O PSDB ficou apático ano passado, com a vitória do Lula para o segundo mandato?

 

O PSDB ficou na expectativa, ficou diante de um Governo que fala muito e faz pouco. Diante de um Governo que talvez seja o Governo mais conservador desde a década de 1930. Que não propôs nada de novo para o país. Depois da falência do Fome Zero, usaram nosso cadastro dos programas sociais e fizeram o Bolsa Família. Nem isso é novo. Então nós estamos esperando que o Governo proponha algo, inclusive um novo modelo de programas sociais, mas até agora nada.

 

 

O PSDB fez acordo com o Governo sobre a CPI e voltou atrás? Em que pé estão as negociações?

 

Não fizemos acordo nenhum. A CPI é uma iniciativa do nosso deputado Carlos Sampaio, que há cinco anos pede informações sobre o uso dos cartões e que achou que uma CPI mista poderia ter mais capacidade de investigação. Não houve acordo com o Governo. O PSDB não teme nenhuma investigação. O ex-presidente Fernando Henrique inclusive mandou uma correspondência ao partido afirmando que nada contra que se investigue, desde que haja alguma denúncia. Mas o Governo tem de ceder algum dos dois cargos de comando para a oposição. Sou contra, porém, que o partido abandone a investigação caso o Governo não ceda. Temos nossas vagas lá, vamos usá-las. Estaremos presentes. E além disso temos já mais de 30 assinaturas para uma CPI protocolada só no Senado, onde as vagas seriam mais repartidas.

 

 

O Governo argumenta que a crise é artificial.

 

O presidente Lula chegou a dizer semana passada que a ex-ministra Matilde dos Santos (Igualdade Racial) é inocente. Fazer compras em um free shop não é inocente. Não se vende nada num free shop que seja indispensável ao exercício do cargo de ministra. Se vende chocolate, bebida, perfume, gravata. Nada disso é essencial ou emergencial. O uso dos cartões é bom, é importante, desde que seja disciplinado. Na França, por exemplo, são cerca de 40 cartões, para o presidente e para os ministros, e só. Aqui são mais de 11 mil. Não pode.

 

 

Como o senhor avalia o anúncio do Governo de que, por um lado, vão investigar o Governo FH e, de outro, a divulgação de problemas nas contas da campanha de 2002?

 

É uma manobra, com certeza. Como já disse, investiguem. Aliás, o Governo tem todos os dados, tudo na mão, para investigar a gestão FH. Sobre as contas, não há problemas. Eu era o presidente do partido na eleição presidencial de 2002 e não há problemas. E se houver, vamos resolver. O que eu acho estranho, realmente, é que se divulguem só os dados do PSDB, e façam isso justo agora, quando se sabe que as contas do PT, por exemplo, são um queijo suíço. O próprio marqueteiro da campanha disse que recebeu por fora! Cadê as contas do PT?

 

 

Quais as perspectivas do partido para as eleições municipais de outubro?

 

São as melhores possíveis. Temos três prefeitos de capitais, Beto Richa (Curitiba), Sílvio Mendes (Teresina) e Wilson Santos (Cuiabá), com totais condições de serem reeleitos. Teremos candidatos nas principais cidades do país. É uma eleição importante para o partido, é uma eleição que fixa o projeto do partido, que tem foco na gestão. As pessoas se lembram do projeto do partido mais tarde, falam bem. Estamos confiantes com o resultado do PSDB.

 

 

E como está a situação em São Paulo? Democratas e PSDB terão duas candidaturas?

 

O PSDB é um partido com ótima presença em São Paulo. Desde que o ex-governador Mário Covas começou o projeto lá, há mais de 20 anos. Tivemos gestões no governo, ainda temos. E hoje temos um cidadão respeitado, que foi candidato a presidente, bem votado em todo o país, como primeiro colocado nas pesquisas. Se ilude quem quer. Alckmin é hoje o principal nome da eleição. Hoje, não há nada que indique que o PSDB não terá candidato à eleição em São Paulo. Inclusive existe uma resolução da Executiva do partido, do ano passado, que diz que o PSDB terá candidato em todas as cidades, especialmente nas que têm mais de 100 mil habitantes. São Paulo tem 8 milhões. Há três anos, nós elegemos o prefeito, José Serra, que depois foi eleito governador no primeiro turno. Mas a decisão ficará para abril, maio. Ainda vamos conversar com o DEM, que é um partido aliado, parceiro.

 

 

Uma separação com o Democratas agora dificultaria uma aliança em 2010?

 

Não acredito. Alianças são feitas e desfeitas, e 2010 ainda está longe. Mas, agora, na eleição de São Paulo, se o PSDB e o DEM não estiverem juntos no primeiro turno, estarão no segundo, com certeza. Vamos conversar para isso. E em 2010, a idéia é repetirmos a parceria. Em 2002, não estivemos juntos, e em 2006, sim.

 

 

Qual a avaliação do senhor do segundo mandato do presidente Lula?

 

É um Governo ruim. O presidente Lula é licencioso. Não há punição, não há investigação. E o que isso transmite à população brasileira é um sentimento de impunidade. O que a população precisa entender é que o grande responsável por esse Governo é o presidente. O presidente Lula. Não se pode mais isentá-lo. É claro que não é culpa dele se um diretor de empresa usa mal um cartão corporativo, mas é responsabilidade dele a política de uso dos cartões. Muita gente acha que o presidente Lula é desocupado, alienado, inocente, ingênuo. Não é não. Lula é muito ativo, muito esperto. Quando Lula diz que não sabia das coisas, é mentira.

 

 

Quem será o candidato do PSDB em 2010?

 

Ainda é cedo. O fato é que temos dois grandes nomes, o Serra com melhores chances, hoje, mas o Aécio com um projeto real, que o povo vê, de melhoria de vida em Minas Gerais. Temos dois bons nomes.

 

 

O partido fará prévias para a escolha do candidato?

 

É possível. Não vejo motivos para não fazer. Vamos fazer uma experiência de prévias esse ano em João Pessoa. Fernando Henrique costuma dizer para colocarmos os dois (Serra e Aécio) para conversar, na praia tranqüilamente... Mas o mais importante é que, não importa qual seja o candidato, o partido tem que estar unido. Unido de verdade. Não apenas unido de boca, mas de ação. De empenho pela campanha.

 

 

Ao contrário de 2002...

 

Sim. O partido tem que entrar junto. E, se entrarmos juntos, temos todas as condições de fazer o sucessor do presidente Lula. Mas ainda há muito a decidir.

 

 

Uma chapa puro-sangue é possível?

 

Sim, é. Mas ainda é cedo. Temos de buscar alianças.

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