O deputado Gustavo Fruet (PR) está em sua terceira legislatura consecutiva e firmou-se como um dos parlamentares mais atuantes no combate à corrupção. Integrante de CPIs como a dos Correios e do Apagão Aéreo, esse paranaense reeleito com a maior votação de seu estado se define como um político movido pela paixão - a exemplo do pai, o já falecido ex-deputado e ex-prefeito Maurício Fruet. Mestre e doutor em Direito e dono de um inquestionável bom humor, ele lamenta, no entanto, o apequenamento do Legislativo diante do Executivo e a má imagem do Congresso após sucessivos escândalos. Nessa entrevista à Agência Tucana, Fruet falou do caos nos céus do Brasil, da falta de gestão da administração petista e das perspectivas do PSDB no Paraná nas próximas eleições municipais.
O senhor é um dos parlamentares mais ativos nos trabalhos de CPIs e do Conselho de Ética. Como senhor avalia a questão da ética na política?
As iniciativas e afirmações do governo Lula banalizaram o problema. Eles quebraram as fronteiras entre o que é certo e o que é errado, o bom e o mal, o justo e o injusto, e tentam passar a falsa impressão de que todos são iguais. Estamos diante de dois personagens na vida política. De um lado, os cínicos - sem compromisso algum com a ética. Para eles, os fins justificam os meios. O auge dessa corrente ocorreu no mensalão. De outro lado, os fanáticos - que despontam com a CPI dos Cartões Corporativos. Tenta-se preservar qualquer personagem do atual governo e responsabilizar a gestão anterior. Esse segmento não tem compromisso com o resultado, apenas com a defesa dos companheiros.
Como a parcialidade dessas investigações repercute na população?
Avaliando as pesquisas de um ano para cá, dois fatos são muito evidentes. Primeiro, quase a metade da população entende que a democracia pode existir sem deputados e senadores. O Congresso está perdendo sua referência como instituição. Os políticos são a categoria com pior avaliação nas pesquisa de opinião. A única exceção que vi foi no meu estado, o Paraná, em que os cartolas de futebol estão na lanterna. Em segundo lugar, em muitas enquetes, pela primeira vez a metade do leitorado admite um terceiro mandato para o presidente Lula. Ou seja, à medida que o Legislativo perde credibilidade, o Executivo cresce. Isso é lastimável.
O senhor foi um dos parlamentares que se destacaram na CPI do Apagão Aéreo. Acredita que acabou a crise na aviação civil?
Não, pelo contrário. Neste ano, temos os maiores indicadores de acidentes aéreos da história da aviação brasileira, com uma média de 9,5 por mês. A presidente da Anac, Solange Vieira, prestou depoimento na Comissão de Turismo da Câmara e um fato passou despercebido diante das recentes denúncias. Ela afirmou que em 35% destes acidentes os pilotos não estavam com a habilitação regular. Existe uma clara falha de fiscalização. Temos de investigar se a Anac vem cumprindo seu papel, qual a relação da agência com a Infraero, e se será possível administrar os seguidos cortes orçamentários. Os problemas continuam. O que diminuiu foi a visibilidade, pois, felizmente, não há acidentes com vítimas fatais. Mesmo com os investimentos prometidos pelo PAC, a infra-estrutura está deficiente e não há clareza e confiança.
Mas, em virtude das deficiências dessa gestão, qual o maior problema? A falta de um rumo ético ou a ausência de uma gestão adequada?
Os dois, e aqui cabe um desafio para o PSDB: denunciar a corrupção mas, ao mesmo tempo, demonstrar que muito do que está sendo colhido agora é fruto de ações de governo anteriores, em especial da gestão Fernando Henrique Cardoso. A administração petista não tem humildade para reconhecer a importância do cenário internacional favorável e de políticas firmes e consistentes adotadas no passado. Não podemos e não teremos vergonha da nossa história.
Quais são as perspectivas para o PSDB nas próximas eleições municipais?
Sem dúvida, o PSDB vai crescer no Paraná. Temos hoje a prefeitura na capital, com Beto Richa, que alcança um índice de aprovação superior a 60% e possibilidades reais dele ser reeleito ainda em primeiro turno. Isso consolida uma nova liderança no estado, em virtude do peso da região metropolitana, e no Brasil. Nosso desafio é disputar o maior número de prefeituras. Já foram realizados seis encontros regionais envolvendo praticamente quase todos os diretórios municipais. Essa é uma tarefa árdua, pois estamos falando de 399 municípios. Estamos confiantes também com a pré-candidatura do deputado Luiz Carlos Hauly em Londrina, além de Ponta Grossa e Maringá, para mencionar apenas as cidades com maior peso eleitoral. A expectativa é que possamos aumentar as prefeituras e o número de vereadores e vice-prefeitos. A idéia também é consolidar a importância de lideranças estaduais, como o senador Alvaro Dias.
O senhor fala com muito orgulho e carinho do seu pai, o ex-deputado e ex-prefeito Maurício Fruet. Qual o seu maior legado político?
São dois. O primeiro é que política deve ser feita com firmeza, mas com muito entusiasmo e alegria. E o segundo é que para se ganhar credibilidade, leva-se uma vida, mas para perdê-la, basta um ato.