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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:02:29
"Há chances reais de chegarmos no segundo turno da eleição para Câmara" Gustavo Fruet

O deputado Gustavo Fruet (PR) declarou ontem que o lançamento da sua candidatura à presidência da Câmara provocou "uma revolução" em sua vida. Em entrevista ao site Congresso em Foco, o tucano trabalha com a perspectiva real de chegar ao segundo turno da disputa.

 

 

Convencimento

 

O parlamentar paranaense afina a estratégia para um embate duro com seus concorrentes, que estão em campanha há mais tempo. Fruet acredita que poderá "embolar o jogo" e garantir sua ida ao segundo turno com Aldo Rebelo (PC do B-SP) ou Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Se houver a possibilidade de se chegar a uma candidatura com 120 ou 130 votos, é segundo turno", calcula.

 

Sondagens feitas por jornais paulistas revelam que Fruet está bem próximo de conseguir a adesão total dos 64 deputados tucanos, antes mesmo da reunião da bancada na próxima terça-feira. Nesses primeiros dias de campanha, a estratégia de Fruet é trabalhar no convencimento dos novos deputados eleitos com o discurso de renovação e contra o fisiologismo na Câmara.

 

 

Possiblidade de novos aliados

 

Fruet não sabe ao certo quantos deputados poderá conseguir colocar do seu lado na eleição e descarta o apoio de um número expressivo de parlamentares do PFL. Ele aposta mesmo é nas alianças estaduais entre o PSDB e pefelistas. Em conversa com o líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), o candidato da terceira via disse ter tomado cuidado para não criar nenhum constrangimento, considerando o apoio já dado pelos liberais ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo, que busca a reeleição. O tucano pediu apenas que não haja veto ou sanção para aqueles deputados do PFL que resolverem aderir à sua candidatura.

 

Até o início da noite de ontem, Fruet, que tem o apoio do PPS e do PV, já tinha conversado com mais de 100 deputados. Ele acredita que se conseguir a união do PSDB em torno de seu nome, se aproximará dos votos do PFL, tanto no primeiro turno como em uma possível segunda rodada.

 

 

Agenda positiva

 

Gustavo Fruet não parece disposto a fazer concessões em relação ao aumento dos vencimentos dos parlamentares, assunto aguardado com ansiedade por alguns congressistas. "Esse tema precisa ser congelado. O pior cenário é começar a legislatura com essa discussão a respeito de aumento salarial. Há um acompanhamento muito forte que não permite mais outro erro. Nós temos a oportunidade agora de discutir uma agenda positiva. Ao contrário da eleição do presidente Severino Cavalcanti, este momento é de resgate da imagem da Câmara. Os temas em debate seriam o voto aberto, os contingenciamentos do orçamento, as medidas provisórias e as reformas política e tributária", enumera.

 

O deputado também ressaltou o poder de fogo dos seus adversários: "Minha candidatura se coloca contra duas estruturas fortes e minha eleição, se acontecer, não terá nenhum consenso. As estruturas são o governo e a Câmara dos Deputados. Não estou aqui falando em fisiologismo, mas de política. Mas dentro do governo é quase uma disputa autofágica. O Aldo pagou pela lealdade ao governo e ainda deverá ser cobrado se a eleição for para o segundo turno", prevê.

 

Ao site, o tucano critica a gestão Lula e revela pouca esperança de que o país dê um "salto de qualidade" no segundo mandato do presidente. "O Brasil não pegou nenhuma crise internacional e está com o vento a favor, mas a impressão que dá é que será mais do mesmo. Se o governo não tiver cuidado, não vai conseguir evitar que surjam novas denúncias. Até porque o presidente afastou boa parte dos denunciados, mas eles estão voltando pelo voto. A eleição do Chinaglia, não pelo Chinaglia, pois isso seria uma grosseria e um desrespeito com ele, mas seguramente significa a redenção de todas essas pessoas", dispara.

 

 

Perfil

 

Natural de Curitiba (PR), 43 anos, Fruet é filho do ex-prefeito da cidade Maurício Fruet. É advogado, mestre e doutor em Direito. Em 1996, foi eleito vereador da capital paranaense pelo PMDB, partido do qual se desligou em 2004 para entrar no PSDB. Conseguiu seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados em 1999. Assumiu a candidatura do pai, que faleceu poucos dias antes da eleição. No último pleito, foi o deputado federal mais votado em seu estado, com mais de 210.674 votos. O tucano ganhou notoriedade nacional depois de sua participação na CPI dos Correios, em 2005, na qual atuou como sub-relator de movimentação financeira.

 

 

 

Abaixo os principais pontos da entrevista

 

 

Cortes de gastos na Câmara

 

"Nós temos que ter em mente como princípio a transparência e a racionalidade nos gastos. Isso tem que ser feito logo no início da gestão e num prazo muito curto. É uma prioridade, assim como a transparência, apesar de a Câmara ser muito mais transparente do que qualquer outro órgão público. Só tem um jeito de enfrentar isso: abrindo as informações".

 

 

Faltas dos parlamentares em plenário

 

"A solução é aplicar os critérios. A própria legislação já estabelece o número de faltas e regula as justificativas. É preciso rigor nas justificativas. Na hora que você começa a afrouxar, dá margem para todo o tipo de desvio. Tem que ser analisado o que efetivamente é missão oficial [argumento usado pelos parlamentares para justificar ausências e assim evitar o corte da remuneração]. Na hora que se dá transparência a isso, evidentemente, todo mundo terá mais cuidado com um controle mais rígido das justificativas".

 

 

Voto aberto

 

"Em questões como votações de perda de mandato, defendo o voto aberto. Com naturalidade, até porque nós temos que ter a coragem de absolver quem tem que ser absolvido. O fato de entrar no Conselho não significa que a pessoa está condenada e prejulgada. Não havendo meio termo, defendo o voto aberto para tudo. Mas como há uma reação podemos pensar em evitar o voto aberto em casos excepcionais, como indicação ou veto para o Tribunal de Contas da União, além de indicações aprovadas pelo Senado".

 

 

Reforma política

 

"Defendo os grandes temas: fidelidade partidária, com exigência de dois anos para se filiar novamente após trocar de partido, e financiamento público. Mas é preciso definir o que é fidelidade no processo que está acontecendo agora na Câmara. Fidelidade a quem? Ao líder, ao presidente do partido, aos filiados ou aos filiados ouvidos em convenção? O que não se pode é submeter a fidelidade partidária e política a quem comanda a estrutura partidária. De qualquer maneira, as pessoas estão cobrando mais isso. É um processo mais cultural do que legal, mas nesse caso eu defendo esse tempo mínimo para mudança. Fidelidade também não só para quem tem mandato, mas para os filiados também. Sou contra outras duas propostas polêmicas: o voto distrital puro e as listas partidárias. Eu só penso no voto distrital quando mudar a relação de proporcionalidade do voto".

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