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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:04:44
Luiz Paulo garante palanque tucano em 2010 Luiz Paulo Vellozo Lucas, deputado federal (PSDB-ES)

Em entrevista ao site Rede de Notícias, o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), presidente do Instituto Teotônio Vilela, garantiu palanque tucano no Estado em 2010. Segue abaixo a reprodução da entrevista.

 

Rede de Notícias ? A gente conversa agora com o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas, um dos principais expoentes do PSDB capixaba. Luiz Paulo o partido perdeu recentemente um dos seus principais membros, com a saída do vice-governador Ricardo Ferraço. Essa mudança comprometeu a estrutura do partido?

Luiz Paulo ? Ela mudou bastante a perspectiva do PSDB, principalmente com vistas as eleições de 2010. O vice-governador era o nosso candidato natural. E ele traiu-nos para se aliar com nosso principal adversário que é o PT.

 

Mas o PSDB se fortaleceu nas eleições municipais. Nós elegemos 13 prefeitos, quatro vice-prefeitos. Estamos em coligações vitoriosas 45 cidades em todo o Estado. Em resumo, um desempenho brilhante em São Paulo, em Minas Gerais, no Maranhão, no Brasil inteiro. Nosso dois candidatos à presidência da República, Aécio Neves e José Serra (governadores de Minas Gerais e São  Paulo, respectivamente) estão entre os melhores governadores do País, lideram as pesquisas de intenção de votos.

 

E nós estamos animados. O PSDB, junto com os Democratas e o PPS formamos o que estamos chamando de uma aliança pelo Brasil, que deve ser lançada no início de março, em Brasília. Essa aliança irá se reproduzir em todos os estados da federação.

E também, no Estado, nós haveremos de formar um projeto regional que tenha articulação e represente no Espírito Santo nosso projeto nacional.

 

Eu espero que o nosso candidato seja José Serra, o governador de São Paulo. Gosto demais do Aécio, mas acho que quem tem mais condições de enfrentar a máquina do PT e o prestígio do presidente Lula é o governador de São Paulo.

E aqui no Estado nós teremos palanque para o Serra na campanha, candidato a governador comprometido com o Serra, ou com o nosso outro candidato, se for o Aécio, candidato a senador, a deputados federais, estaduais e eu estou muito animado.

 

? O senhor falou em relação ao candidato José Serra, a gente percebe que o senhor tem trabalhado em torno dessa campanha dele. Mas se for o Aécio, o PSDB capixaba terá mesmo assim uma chapa completa?

? O meu entusiasmo, eu diria para você, que seria igual, se o candidato for o Aécio ou for o Serra. Eu só acho que o Serra está em melhores condições porque São Paulo gera muita notícia na televisão e essa notícia chega pela parabólica, no interior. Por isso que até em Garanhuns, na cidade de Lula, onde ele era uma unanimidade, o Serra está na frente das pesquisas. Isso porque o sucesso do governo de São Paulo chega a Garanhuns.

 

E o sucesso de Aécio em Minas não chega. Saindo de Minas ? onde ele é venerado, sei lá, onde ele é quase uma unanimidade, tem o apoio dos mineiros ? fora de lá ele é pouco conhecido. Em alguns lugares ele perde até para Heloisa Helena (ex-senadora pelo estado de Alagoas e candidata a presidente da República pelo Psol).

 

O que eu acho é que neste momento a gente vai dar uma cartada muito importante. A candidata do PT, a Dilma Roussef, é uma candidata forte, também não podemos subestimar. Também não se pode subestimar o prestígio do presidente Lula. E nós temos que discutir com franqueza com o povo brasileiro: se querem a continuidade do que chamamos lulapetismo ou se quer um modelo que o PSDB, o Democratas, o PPS defendem, um modelo baseado numa agenda de reformas, com propostas pluraristas, propostas mais  integradas, propondo a integração do Brasil com a economia mundial.

 

E nesse momento que assume a presidência dos Estados Unidos o Barack Obama , eu troco uma camisetas do Barack  por mil do Che. Ele está sendo muito mais revolucionário para o mundo do que foi o Che.

 

? O PT disse que o candidato natural deles seria o prefeito João Coser. Do PSDB, quem seria o candidato natural do partido?

Nós não temos uma candidatura natural que tínhamos quando o vice-govenador era do nosso partido, mas o meu nome, sou deputado federal do partido, já fui presidente (do partido), prefeito de Vitória, tive uma boa votação para deputado em todo o Estado, meu nome é natural, é cogitado, e eu estou à disposição. Sou candidato da aliança. Mas o nome é a última coisa que nós  vamos escolher. Nesse momento, o que a gente quer é trazer gente para o time, vou conversar com todo mundo.

 

? O deputado Theodorico Ferraço tem dito que está tentando uma reaproximação entre o senhor e o Ricardo Ferraço. Isso ainda é possível?

 

O deputado Theodorico Ferraço é a principal  liderança do Democratas aqui no Estado, junto como Élcio  Álvares (deputado estadual candidato à presidência da Assembleia Legislativa. Tem também o Max da Mata também,vereador em Vitória. O DEM é parceiro do PSDB Nacional e será parceiro aqui. Eu tenho  conversado com  o deputado Ferraço. Eu tenho segurança de que estaremos no mesmo palanque em 2010. Eu não sei de que lado vai estar o Ricardo Ferraço, mas o pai dele eu sei: vai estar com a gente na campanha do Serra.

 

? Vamos falar um pouquinho do trabalho da bancada federal. Qual a avaliação que o senhor faz do trabalho da bancada em 2008?

Dos13 parlamentares da bancada, eu sou o único de oposição. Acho o governo  do presidente Lula ruim, muito embora ele seja popular e carismático. Mas a administração é muito ruim, é uma colcha de retalhos. Andou para trás em vários aspectos no Brasil em termos de gestão pública, em termos de qualidade do gasto, em termos de senso de prioridade. Em tudo isso a máquina pública do País andou para trás.

 

O governo federal está aparelhado. É poder pelo poder e mais poder em torno desse projeto vieram as forças mais atrasadas do Brasil  O governo não se preparou para a crise. O governo tinha de ter feito um monte de coisa que não fez.

 

Por exemplo, vai mexer na legislação trabalhista, vai mexer nisso agora que está tendo desemprego, o certo era ter mexido antes.

Outro ponto é a reforma tributária: vai mexer com isso agora com a receita caindo, tinha de ter feito no tempo das vacas gordas. Mas no tempo das vacas gordas o governo Lula só fez contar fábulas da ?Cigarra e da Formiga?. A cigarra ficou só cantando e capitalizar um sucesso que definitivamente não são se deve a trabalhos do governo do PT. São frutos de árvores plantadas no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).

 

As reformas, a autossuficiência em petróleo, o superávit da balança comercial, tudo isso mesmo a possibilidade de crescer os programas sociais como o Bolsa-Família deve-se a alta arrecadação, a um bom desempenho da economia.

Em fim, o trabalho da bancada, como eu sou o único parlamentar de oposição, meu trabalho é fiscalizar, é dizer o que está errado, é mostrar os caminhos. Eu debati o erro que o governo cometeu com relação à questão do pré-sal. Nós perdemos uma ótima oportunidade de fazer leilões nas áreas do pré-sal, para trazer investimentos internacionais. Agora o pré-sal vai ficar lá em baixo, ele não gera riqueza enquanto não houver investimento. E gora, na crise, que a gente não sabe quanto tempo ainda vai durar nós perdemos essa oportunidade.

 

Também no setor elétrico, o governo permitiu uma escalada de preços absurda na parte livre do setor elétrico que alimenta a indústria; e também permitiu que 75% da nova geração fosse feita hoje com energia suja, queimando combustível fóssil, prejudicando a questão do aquecimento global, ao contrário do que está sendo feito no mundo inteiro.

 

Então o meu trabalho na bancada, é bater diferente do que os demais parlamentares, eu sou presidente do Instituto Teotônio Vilela, que assessora o PSDB no seu trabalho de oposição, uma oposição construtiva, não selvagem, que o PT fez quando estávamos no poder.

 

Minha avaliação do meu trabalho na bancada, no Congresso, é positiva. Temos percorrido o Brasil. Este ano, nas eleições municipais, nós tivemos em todos os estados preparando nossos candidatos, preparando o material. Nós achamos que o governo municipal, sobre certos aspectos, é até mais importante até do que o governo federal. Faz toda a diferença você mora na cidade bem administrada. Isso depende do prefeito, do vice-prefeito. Eu que fui vice-prefeito estou bem à vontade para exaltar a importância do papel do prefeito.

 

? Na opinião do senhor, a bancada teria de fazer uma mea culpa? Muito gente fala que faltou empenho na captação dos recursos...

? Eu não sei quem fala isso, mas eu acho que é uma bobagem. Na verdade, o trabalho dos parlamentares no Congresso, dos deputados federais, dos senadores, é governar o Brasil. É tão importante quanto o do presidente da República, eles governam o Brasil junto.

 

O sistema federativo do Brasil é muito ruim. Os municípios ficam de pires na mão. Dependendo do dinheiro dos estados e da União para poder fazer seus investimentos, mas a União não tem esse dinheiro. Estão aí as obras do aeroporto paradas, as estradas esburacadas, os investimentos nos portos que não acontecem.

 

Se o PSDB estivesse hoje no poder a nível federal, nós faríamos uma descentralização radical dessas coisas, porque no governo do PT isso foi ainda mais centralizado. Então, esta é uma questão de visão. Esta é a minha visão. Outros companheiros de bancada têm uma visão diferente. Acho que cada um deve ser avaliado, analisado de acordo com a contribuição que dá ao País, ao Estado, de acordo com sua visão política

 

? O governo parece que vai tentar passar a reforma tributária da forma como foi apresentada. O senhor acredita que a reforma vai passar da forma como o projeto está?

? Não acredito que vai ser votado o relatório do Luciano Mabel. É um dos maiores ?Frankesteins? políticos que eu já vi na minha vida. O projeto do governo era muito ruim, o relatório conseguiu piorar ainda. Vamos trabalhar para que ele seja arquivado e que o debate da reforma tributária seja feito em cima do relatório do senador Dornelles, que foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado no finalzinho da legislatura passada.

 

Esse relatório é um trabalho muito bom. A reforma tributária não é uma penada. É uma mudança da Constituição. Tem coisas administrativas da reforma que poderiam ser feitas desde já, que o governo Lula se quisesse poderia ter feito e não fez, sem mexer na Constituição.

 

Não reformaram nada. É um governo antirreformista. Todo mundo acha que tem que fazer a reforma tributária, mas o projeto do governo piora o que já existe e que era muito ruim

 

 

 

 

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