Secretário de Relações Institucionais do Governo de São Paulo e ex-coordenador das campanhas de Geraldo Alckmin à Presidência da República e de José Serra ao governo paulista, José Henrique Reis Lobo foi eleito presidente do diretório municipal do PSDB de São Paulo em convenção realizada no último dia 16.
Nome de consenso entre as principais lideranças no estado, o tucano tem agora o desafio de preparar a legenda para as eleições de 2008. "Precisamos aguçar no cidadão a percepção de que o partido tem grandes lideranças, bons quadros e competência para governar", destacou. Ao falar sobre o governo Lula, Reis Lobo disse que a gestão petista "desrespeita a ética e compromete a crença nos valores da democracia". Leia abaixo a entrevista:
Como avalia o PSDB na Grande São
O PSDB é um partido muito bem estruturado, tanto na capital como na região metropolitana. Temos prefeitos, vice-prefeitos e muitos vereadores. Mas o mais importante é que temos uma militância bastante aguerrida e participativa. Isso nos faz crer que poderemos ter um desempenho ainda melhor nas eleições do ano que vem.
O senhor chegou à Presidência do Diretório Municipal como nome de consenso. O senhor é um conciliador?
Não acho que tenha chegado à Presidência do Diretório por ter espírito conciliador. Afinal, não há divergências entre o governador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin quanto ao papel que eles imaginam que o partido deve desempenhar nas eleições do ano que vem. O meu nome surgiu porque eles consideraram relevante a experiência que adquiri como coordenador das suas respectivas campanhas nas eleições de 2006.
Isso não o torna conciliador?
Falando em tese, considero conciliador na política aquele que não vê essa atividade como uma batalha. Sempre haverá vencedores e perdedores, mas precisamos administrar os conflitos de sorte a encontrar uma solução em que todas as partes ganhem e por isso possa ser aceita por todos.
Ainda acredita que os termos direita e esquerda explicam a disputa política hoje em dia?
Nessa questão, sou partidário do filósofo italiano Norberto Bobbio, para quem esquerda e direita não deixaram de existir com o fim da Guerra Fria e com a queda do muro de Berlim. A visão da esquerda sobre as questões sociais e a maneira de resolvê-las não é a mesma da direita. Acontece que ambos os espectros foram absorvendo postulados que não eram seus. Com isso, as suas cores perderam as tonalidades mais fortes.
O que pretende fazer para expandir a presença tucana na cidade?
O PSDB venceu as últimas eleições na capital, tanto para o governo do Estado, com José Serra, quanto para a Presidência da República, com Geraldo Alckmin. Isso é resultado da percepção de que o partido tem grandes lideranças, bons quadros e competência para governar. Acho que o trabalho tem de ser no sentido de aguçar essa constatação, o que é facilitado pela repercussão dos governos tucanos.
Em suas palavras, quem é José Henrique Reis Lobo?
Na política, apenas um militante do PSDB que tem a convicção inabalável de que o partido é hoje o que apresenta as melhores propostas e os quadros mais preparados para executá-las.
O PSDB tem dois grandes mitos no Estado de São Paulo: Mário Covas e Franco Montoro. Como vê ambos?
São os fundadores da genealogia tucana. Foram figuras extraordinárias, que ainda hoje são referência para quem milita na vida pública. Protagonistas de episódios importantes da história do Brasil, ajudaram a escrever belas páginas dessa história. Primaram pelo compromisso com a democracia, pelo respeito ao povo e pela conduta irrepreensível, sobretudo em relação à ética.
Como avalia o governo Lula? Ele seria uma espécie de "neopopulista"?
Não concordo com o vocábulo "neo" para adjetivar o populismo praticado pelo atual presidente da República. Sob esse aspecto, nada diferencia a sua conduta da praticada por nossos governantes nos anos mais deprimentes da República. Por isso mesmo, mais nefasta é a sua ação. Ela é atrasada e irresponsável. Não há o olhar para o futuro. Falta-lhe a generosidade para com as novas gerações.
E do ponto de vista ético?
É um governo antipedagógico, porque desrespeita a ética e compromete a crença nos valores da democracia. Trata-se de um governo que busca sofregamente o aplauso fácil e que abdica a realização do sonho da construção de um país mais justo e mais promissor. Colhe a aprovação dos incautos, mas figurará como réu perante o tribunal da história.