Informações qualquer
-A A +A A
www.psdb-es.org.br
Vitória-ES, Terça Feira, 22 de Maio de 2012
Facebook YouTube Orkut Twitter
ES Espírito Santo
Newsletter

+ PSDB
Novidades / Entrevistas
Compartilhe: Imprimir RSS PDF E-Mail Twitter Facebook
Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:10:41
"Mulheres devem perder medo de participar da política" Maria de Lourdes Abadia
O combate à violência doméstica e a importância de uma maior participação feminina na política devem ser os principais temas para reflexão no "Dia Internacional da Mulher", comemorado mundialmente nesta quarta-feira, 8 de março. A avaliação é da vice-governadora do Distrito Federal, Maria de Lourdes Abadia, que recebeu a reportagem do site do PSDB/Diário Tucano em seu gabinete no Palácio do Buriti, sede do governo da capital federal.
 
 
Estatísticas cruéis
 
As estatísticas revelam que, de fato, os dois temas destacados pela presidente do PSDB-Mulher representam desafios de peso para o país, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas. Apenas no DF foram registrados no ano passado 4.561 casos de violência na Delegacia de Atendimento à Mulher, segundo levantamento divulgado esta semana.
 
As principais queixas são ameaça (56,9%), seguida de lesão corporal (34,3%), provocadas na quase totalidade dos casos por maridos, ex-maridos, namorados, ex-namorados ou companheiros. "Precisamos encorajar as vítimas a denunciar as agressões cada vez mais", ressaltou Abadia, ao lembrar que os casos reais são bem mais do que os notificados nas delegacias país afora.
 
No Congresso, o tema "violência doméstica" tem sido objeto de debates, sobretudo o projeto de lei 4559/04, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. A proposta determina a instalação de varas e juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher, além da criação de centros de atendimento ao público feminino e de reabilitação ao acusado.
 
 
Fora da política
 
Embora as mulheres representem cerca de 52% do eleitorado e chefiem quase um quarto das famílias do país, elas continuam longe de ocupar seu devido lugar na política. No Congresso Nacional, por exemplo, dos 594 parlamentares titulares apenas 55 são mulheres - pífios 9,25%.
 
Para Abadia, as mulheres precisam perder o medo de participar da política e ingressar nos partidos e nas organizações da sociedade civil. "As mulheres têm de perder essa insegurança, ter mais coragem e ir à luta", recomendou. Desde 1997, as mulheres têm direito a uma cota de até 30% em cada partido para disputar eleições proporcionais, mas esse percentual ainda não é alcançado.
 
Na entrevista, Abadia também destacou o plano de ação do PSDB-Mulher para este ano, que inclui a capacitação política da militância e a criação de um grupo de estudos para debater temas que afetam o público feminino, como saúde, educação e a própria violência doméstica. Como vice-governadora do DF, ela se disse muito satisfeita com os resultados das iniciativas sociais sob sua coordenação durante o governo Joaquim Roriz (PMDB) e reafirmou sua pré-candidatura ao Buriti.
 
 
No Congresso
 
O Congresso Nacional preparou uma série de atividades para marcar a passagem do Dia Internacional da Mulher. A partir das 9h desta quarta-feira, o plenário da Câmara será transformado em Comissão Geral para debater o o tema "Avanço nos direitos da mulher". Ao longo da semana, haverá na casa uma série de eventos, como exposições e palestras. Já o Senado promove nesta quinta-feira, às 10h, sessão solene em alusão à data e a entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz 2005/2006.
 
 
Origem
 
O Dia Internacional da Mulher foi instituído em 1975 pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas para lembrar o trágico episódio ocorrido em Nova York (EUA), em 1857, quando 129 operárias de uma fábrica têxtil morreram carbonizadas num incêndio, no momento em que faziam greve por melhores condições de trabalho.
 
 
Leia a íntegra da entrevista abaixo:
 
O mundo comemora nesta quarta-feira o Dia Internacional da Mulher. A senhora acha que existem motivos concretos para celebrar esta data, sobretudo no Brasil?

Acho que sim, pois nós avançamos muito nesses últimos anos. Temos hoje mulheres na política, no Supremo Tribunal Federal e nas Forças Armadas, por exemplo. Isso representa uma conquista muito grande das mulheres na sociedade brasileira.
 
 
Apesar dos avanços das últimas décadas, as mulheres ainda enfrentam problemas de peso, como a discriminação no mercado de trabalho e a violência doméstica. Quais os principais caminhos para combater essas questões?

Neste dia 8 de março, a grande mobilização que estamos fazendo aqui no Distrito Federal e também nos secretariados estaduais do PSDB-Mulher é a reflexão sobre o combate à violência doméstica, alertando a respeito dos crimes que são cometidos e encorajando as vítimas a denunciar as agressões cada vez mais. Além disso, queremos conclamar as mulheres a se filiar a partidos, militar e participar ativamente do processo eleitoral. No caso do combate à violência doméstica, estamos divulgando o slogan "A paz começa em casa" e também destacando a necessidade de participação da sociedade civil nesta luta, seja nas comunidades, nas escolas, nas igrejas, nas universidades. É importante a participação feminina nesta luta. Somos hoje 52% do eleitorado e a maioria da população. Por isso, considero fundamental a organização das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e humana.
 
 
Além da organização das mulheres, como o Estado pode ajudar a combater esses desafios?

Por meio da comunicação com as mulheres e com ações concretas. No DF, por exemplo, temos vários programas neste sentido. Aqui todos os programas sociais são em nome da mãe. Além disso, temos a Casa Abrigo, na qual acolhemos mulheres vítimas de violência - iniciativa inédita no país -, salas de saúde para elas nos hospitais e as escrituras dos lotes em nome da mulher. Temos ainda uma vasta gama de ações voltada para a mãe e para a mulher, tudo com o objetivo de fortalecer as famílias.
 
 
Por que a participação da mulher na política é tão tímida, apesar de a lei garantir 30% de vagas nas eleições proporcionais para elas e as mulheres representarem mais da metade do eleitorado?

É uma questão cultural ainda, do medo de ir aos palanques ou de se candidatar. Acho que as mulheres têm que perder essa insegurança. Precisam ter mais coragem e ir à luta. Esse receio é o que impede a mulher de participar mais ativamente da política.
 
 
A senhora acha que ainda vamos levar muito tempo para romper essa barreira?

Não. Já avançamos muito. E os exemplos que estamos tendo agora, com mulheres ocupando os principais postos políticos em países como Alemanha, Chile e Estados Unidos revelam um avanço neste sentido, mostrando que as mulheres estão perdendo o medo do poder, de dizer que gostam e querem o poder.
 
 
Já teve esse medo em algum momento?

Quando comecei na política, em 1986, eu tinha muita insegurança. Mas não tenho mais nenhum. Hoje as mulheres estão em pé de igualdade com os homens para assumir o poder.
 
 
O que a senhora acha de candidaturas de mulheres que ganharam notoriedade no ano passado, durante o escândalo do mensalão, como a ex-secretária Fernanda Karina Somaggio e a esposa do dono do restaurante Fiorella, Diana Buani? É oportunismo ou elas realmente seriam boas representantes das mulheres no Parlamento?

É oportunismo. Aproveitar momentos de celebridade principalmente em cima de algo tão deplorável como a corrupção é uma vergonha. Achar que a visibilidade que tiveram naquele momento pode leva-las à política é mero oportunismo. A política precisa de mulheres guerreiras, corajosas, com história de luta, com projetos, e não de quem usa a política para obter notoriedade.
 
 
A senhora foi eleita em novembro de 2005, por unanimidade, presidente nacional do PSDB-Mulher. Quais são os principais planos de sua gestão para o biênio 2006-2008?

Já elaboramos um plano de ação para este ano com todas as metas definidas e aprovadas. Esse roteiro inclui, entre outras medidas, o fortalecimento da Rede Nacional de Militantes Tucanas, composta hoje por 25 mil pessoas, programas de capacitação política inclusive para candidatas a cargos eletivos, a instalação de um grupo de estudos para debater temas que afetam as mulheres brasileiras e a criação do Clube do Tucaninho, além da ação mobilizadora no Dia Internacional da Mulher para combater a violência doméstica.
 
 
Como avalia a experiência de ter coordenado as principais ações sociais do GDF ao longo do governo Roriz?

Foi um privilégio muito grande. O governador Roriz me deu carta branca para coordenar os 73 projetos sociais da nossa gestão. Atingimos resultados muito bons, dentro de uma perspectiva de empreendedorismo social e de inclusão produtiva, com cursos de alfabetização, capacitação profissional e organização de cooperativas.
 
 
Dentro desses programas qual a senhora considera que será o maior legado da atual gestão e qual será o principal desafio para o próximo governo do DF?

Os programas de combate à fome e à miséria deram certo no DF, algo que não ocorreu no Brasil. Esse é um legado muito importante que será deixado por Roriz: aqui em Brasília ninguém passa fome. Destaco ainda essa visão de empreendedorismo social, na qual não apenas se dá o peixe, mas se ensina as pessoas a se capacitar para o seu sustento. Já o grande desafio é enfrentar a continuidade do processo de migração de pessoas pobres para cá, gente que não é atendida em seus estados. Todo governo do DF terá esse grande desafio pela frente.
 
 
Qual mensagem a senhora deixaria para as mulheres neste 8 de março?

Primeiro, da necessidade de ter coragem para participar de organizações na sociedade civil, inclusive na política. Estamos conclamando todas elas a participar das ações partidárias. Além disso, as mulheres devem se mobilizar na luta contra a violência da qual são vítimas. No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é vítima da violência. Temos que fazer algo contra essa estatística cruel.
Gostou desta página?
*
*
*
*
*



Outras Entrevistas

Hartung e o Barraco no Condomínio

Deputado federal Luiz Paulo Velozzo Lucas

"Lei do pré-sal é um retrocesso histórico"

Deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas

?Já fui sucessor de PH; atestado e aprovado?

Deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas

Uma "Comissão da Verdade"

Senador Arthur Virgílio


+ Mais Notícias

[+] Veja Todas as Entrevistas