Por Fernando Mendes
Ele recebeu a reportagem de A Tribuna na Residência Oficial da Praia da Costa, na tarde da última sexta-feira (14/8), onde falou sobre as pré-candidaturas lançadas até agora e também sobre sua possível candidatura ao Senado no ano que vem.
Sobre o nome do vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB), lançado esta semana para sucedê-lo, Hartung diz que ele está "absolutamente preparado".
A Tribuna ? Qual é o candidato do senhor ao governo do Estado em 2010?
Paulo hartung ? Existe uma máxima na política que você precisa tratar as coisas na hora certa para poder ter probabilidade de êxito. A hora de tratar do processo eleitoral é dentro do ano eleitoral.
Meu raciocínio político leva a gente a empurrar isso para o ano que vem. Esse arco de aliança formado para dar sustentação ao nosso projeto para o Espírito Santo, de certa forma, me empurra a tratar desse tema mais à frente.
O vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB) é o candidato do governo?
O vice-governador é um homem absolutamente preparado para governar, em minha visão.
Está dentro do governo, conhece os programas do governo, divide comigo a função de coordenar a equipe de governo. É uma pessoa absolutamente preparada para esta missão.
Evidentemente que é a evolução das forças políticas que vai compor esse quadro, de quantas candidaturas vão ter. Desde lá de trás, acho que não ia ter uma candidatura só na base. Tudo indica que terá mais de uma.
É natural, porque tem uma disputa nacional que, sem o presidente Lula, se torna muito dura, muito acirrada. Com isso, é natural que nas disputas regionais sejam organizados movimentos políticos alinhados a essa disputa nacional.
Essa antecipação atrapalha?
Antigamente quem estava no governo tentava segurar a sucessão até a última hora. Eu acho isso uma bobagem. O debate eleitoral não é desserviço para quem está governando, quando feito em torno de ideias, projetos e propostas.
Quem é pré-candidato deveria se esmerar e deixar o governador trabalhar. Estou falando isso para todos não forçarem o governador a entrar no debate. Se forçar, daqui a pouco tenho que responder alguma coisa.
Como avalia a atitude do prefeito de Vitória, João Coser (PT), de retirar seu nome da disputa ao governo e liderar o movimento Avança Espírito Santo, de apoio a Ricardo?
Quando o João Carlos Coser toma sua atitude em relação a seu destino e vai liderando na direção de um caminho, ele ajuda a estratégia do governador e quero ressaltar isso. Para o governador ficar governando o Espírito Santo.
Quando o dep utado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), representando a outra corrente, vai para a luta e coloca o nome dele, está ajudando a minha estratégia. Estou dando dois exemplos.
Quando João procura os prefeitos e vai articular, isso é bacana, pois ele é um líder e prefeito da capital.
Esse debate antecipado tem atrapalhado o trabalho do senhor de alguma forma?
Digo a todos os pré-candidatos, se puderem deixar o governador no piloto automático da agenda administrativa até o ano que vem, eu vou. Quando chegar no ano que vem, podem tirar posições políticas, é natural.
Quando o senhor assumiu o governo, liderou um movimento na luta contra o crime organizado. Como avalia o retorno de alguns nomes ligados a essas práticas à disputa de 2010?
Não subestimo as forças políticas que dominaram o Estado durante tantos anos. Eles têm influência e dinheiro. Não sei onde estão, mas têm, porque desviaram muito dinheiro do poder público. É só ver como o dinheiro apareceu em minha administração.
Eles não têm limite para nada. Usam a violência e qualquer método para atingir os objetivos escusos que carregam. No português claro, temos que estar sempre atentos em relação a este assunto.
Infelizmente a punição desses delitos no Brasil inteiro é muito lenta. Perde prazo, prescreve, é uma vergonha.
É lamentável, mas é uma realidade. Não é só aqui, é só olhar para umas figuras que estão no Congresso Nacional também. Esse é o problema do Brasil. O nome desse problema é impunidade.
Faz o que bem entende, tira do povo e fica por isso mesmo. Temos que ce rcar isso no debate e na consciência política do nosso povo com relação aos maus capixabas e às pessoas mal intencionadas.
Como o senhor vê os movimentos de apoio aos pré-candidatos até agora, como o dos sete prefeitos da Grande Vitória ao nome de Ricardo?
A princípio meu papel é respeitar esses movimentos todos. É claro que lá na frente eu vou ter minha posição, é óbvio.
Se eu posso não participar disso aí e concentrar minha energia na administração do governo do Estado, vou concentrar.
O senhor pretende deixar o cargo em abril do ano que vem para disputar o Senado?
Estou muito alegre com meu trabalho. Estou muito estimulado. Sou muito agradecido a Deus e ao povo capixaba, pois é daí que vem minha energia.
Eu tinha medo da reeleição, de perder disposição para o trabalho, cansar e virar uma mesmice. Entrei no segundo mandato com uma disposição danada para fazer um melhor que o primeiro.
Estou com muito gás para levar esse barco até o porto. Tenho vontade de ir até o último dia de governo e não escondo isso de ninguém. Colocaram um monte de fantasia, que isso era uma pista falsa. Essa é a minha vontade.
Então, o senhor pode ficar fora da disputa?
Tenho clareza que vai chegar uma hora que vou ter que debater isso com as forças políticas do meu Estado.
Pode ser que minha vontade pessoal tenha algum tipo de conflito com o sentimento das forças políticas. Se o entendimento for esse, que eu posso ir até o final, vou numa boa, feliz da vida.
Se eu tiver de sair ou de ficar, não é isso que vai induzir a nada no processo político.
Se eu tenho uma liderança perante a população, eu a terei dentro do governo e fora do governo.
Essa discussão vai acontecer em algum momento de março (de 2010). Isso também me dá um tempo grande para trabalhar.
A crise no Senado te estimula ou desestimula?
É neutro. Só acho que a briga no Senado não é uma coisa conjuntural, como muitas vezes alguns analistas estão falando, ela é uma questão estrutural na política.
Uma hora é na Câmara e outra no Senado. Precisamos fazer uma reforma da legislação eleitoral e partidária. Uma reforma política no País, que faz parte da reforma do Estado, que eu defendo. Para mexer na raiz do problema e não em seus efeitos colaterais.
Temos que fortalecer a democracia e ensinar para os jovens que política não é coisa ruim. Política é coisa boa. Não pode confundir a política com politicagem.
Como o senhor avalia a pré-candidatura do senador Renato Casagrande?
Eu desconheço essa pré-candidatura. Não sei se estou mal informado. Pelo menos das vezes que eu li as coisas nos jornais e que eu estive com Renato, não tem pré-candidatura. Ele está pensando o que fazer.
Tem conversado comigo permanentemente e espero que ele faça o melhor. Reflita com seus amigos e companheiros e tome a decisão certa. É isso o que eu espero dele.
Nós lutamos muito para fazê-lo senador da República. Estamos satisfeitos com o seu mandato. Tivemos uma luta dura, pois no início ninguém acreditava na possibilidade de sucesso, ninguém. Todo mundo que você ia, dizia ?iiiiii... isso aí não vai dar não?.
Lutamos muito e envolvi muitas lideranças nesse processo. Tive que convencer pessoas que tinham muita dificuldade com Renato e com o PSB. Tive que fazer um trabalho quase que de um a um. Foi uma luta muito grande conquistar esse mandato.
De certa forma, até agora, pelo que a gente vê, valeu a pena aquela luta. O que a gente recebe de informações do mandato que está sendo exercido, é positivo.
Em relação ao que eu sei, ele está refletindo sobre o que fazer, conversando com seus companheiros e, entre esses companheiros, tem conversado comigo permanentemente, quase toda semana.
Acho eu que é isso. A não ser que eu esteja mal informado. Eu não tenho informação de lançamento de pré-candidatura. Sei que tem uma avaliação sendo feita pelo partido dele.
Torço para que esta avaliação siga para uma direção correta, como amigo dele que sou há muitos anos.
O senhor acredita que seria melhor para o Estado que ele continuasse no mandato até 2014?
Não é meu papel ir para o jornal dizer a minha opinião sobre o que cada liderança política deve fazer. A minha opinião, cada liderança política, quando quer, me procura e eu dou. Todo mundo sabe disso.
Perguntam e eu falo o que eu penso. Se eu levar isso a público, não vou estar contribuindo. É minha maneira de agir.
O deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) tem dito que as principais pastas do governo estão com os tucanos e que a pré-candidatura dele é a mais governista. O que acha dessa classificação?
O PSDB esteve comigo na primeira eleição, no primeiro governo inteiro, na reeleição e está comigo em várias áreas do governo. No que depender de mim, nós vamos continuar trabalhando.
O Luiz Paulo fazer um movimento de ter uma candidatura ao governo do Estado é legítimo. Primeiro porque o partido tem uma pretensão à disputa nacional, então é absolutamente legítimo que venha a ter uma articulação aqui.
Avisei há nove meses atrás que a base que sustenta esse projeto que eu tenho a honra de liderar, vai acabar lançando mais de uma candidatura. É legítimo que tenha uma candidatura.
O Luiz Paulo também teve que abrir mão de uma pretensão que tinha no último pleito para o Senado, para acomodar a pretensão do Renato Casagrande. Então, quer dizer, isso também dá legitimidade a essa movimentação.
Até onde eu posso falar é isso. No mais, é o debate de candidaturas. Se eu entrar nesse debate, me perdoe, eu não consigo o que eu estou querendo: tranquilidade para continuar trabalhando e navegando em direção à qualidade de vida dos capixabas.