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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:21:49
"Os problemas sociais não são apenas responsabilidade do Estado" Alfredo Kaefer

O deputado Alfredo Kaefer (PR), eleito com 158.659 votos - a terceira maior votação do Paraná -, é um entusiasta da chamada responsabilidade social. Em seu primeiro mandato, ele conseguiu conciliar sua atuação parlamentar, uma sólida atividade empresarial e projetos voltados ao desenvolvimento de crianças e jovens. Nesta entrevista à Agência Tucana, Kaefer falou ainda sobre a importância do agronegócio, a necessidade de reformular o sistema tributário e a revolução defendida por ele na educação.

 

 

O senhor construiu uma carreira sólida no ramo do agronegócio e está em seu primeiro mandato parlamentar. O que o empresário Alfredo Kaefer tem a ensinar ao deputado?

 

Podemos levar a praticidade da iniciativa privada ao campo político. Tenho conduzido minhas ações dentro desse pragmatismo, defendendo sempre que o Estado se encaixe naquelas funções básicas a ele inerentes - como é o caso da saúde, educação, segurança, justiça e meio ambiente.

 

 

Sua votação foi a terceira maior do Paraná. A que deve esse desempenho vindo de alguém em sua primeira incursão na política?

 

Eu tive uma votação expressiva na minha cidade, Cascavel, que foi importante nesse somatório. Tivemos 40% do votos válidos, um trabalho acentuado em todo o estado, mas principalmente numa região onde já sou conhecido há muito tempo por várias ações empreendidas.

 

 

Quais são suas perspectivas para as eleições deste ano?

 

Durante três anos estive na presidência do PSDB em Cascavel e estruturamos o partido na cidade e na região. Nós vamos fazer vários prefeitos, vice-prefeitos e vereadores no estado. Eventualmente, onde não for possível ter candidato próprio, pretendemos fechar coligações com partidos com os quais tenhamos afinidade. Nossa prioridade, no entanto, é a candidatura própria.

 

 

O Legislativo tem sido reiteradamente mal avaliado pelo cidadão. O senhor acha que o Congresso está alheio à sociedade brasileira?

 

Não acho que o Congresso esteja alheio, apenas enfraquecido. Nosso problema é um Executivo muito forte. O predomínio de um poder sobre o outro é demasiado, mas não será com ações imediatas que vamos reverter esse quadro. O Executivo governa e legisla por meio da edição desmesurada de medidas provisórias.

 

 

O Congresso atualmente analisa a proposta de reforma tributária encaminhada pelo Planalto. O senhor está otimista ou pessimista em relação ao projeto?

 

Nem pessimista, nem otimista. Apenas realista. A proposta peca em três aspectos que considero fundamentais. Antes de tudo, não reduz carga tributária nominal - atualmente em 37% do PIB. Esse percentual é intolerável e deveria ser reduzido a 20 ou 25%. Em segundo lugar, não simplifica os tributos, pois poucos impostos serão aglutinados. A burocracia fiscal continuará muito grande. Por fim, ela não leva em consideração uma melhor distribuição do bolo tributário. Hoje, 58% de toda a arrecadação destina-se à União, 25% aos estados e apenas 16% aos municípios, que deveriam receber uma fatia maior.

 

 

O agronegócio é a principal área responsável pelo superávit comercial do Brasil. Como o governo Lula tem tratado essa questão?

 

Muito mal. O agronegócio foi responsável pelo desenvolvimento do país nesses últimos anos e não tem recebido atenção do governo. Nesse momento, vivemos uma situação favorável em relação ao preço dos produtos devido a uma conjuntura internacional peculiar, mas tivemos muitos problemas em função da sobrevalorização do real. Nesse momento, o governo deveria ser ágil ao criar mecanismos de compensação para evitar que o segmento exportador seja prejudicado.

 

 

Vamos falar de responsabilidade social. O senhor mantém um instituto que auxilia crianças nas áreas de saúde, educação e esportes. Como vê essa questão?

 

Temos uma entidade no Paraná chamada Instituto Alfredo Kaefer, que desenvolve vários programas sociais. O principal deles é o projeto Jovem Atleta, que faz uma integração aluno-escola-esporte-família. Realizamos também ações na área de saúde e de atendimento aos idosos. Não podemos deixar unicamente ao Estado as soluções dos nossos problemas sociais. Cada vez que interagimos por meio de uma entidade dessa natureza certamente amenizamos o sofrimento de algumas pessoas.

 

 

O senhor tem dito que a grande revolução a ser realizada é na educação. O que falta ser feito nessa área?

 

Temos de redirecionar os investimentos e concentrar o foco na educação infantil. Na minha opinião, a partir de dois ou três anos, a criança já deve receber os primeiros fundamentos de educação por meio do que chamamos convencionalmente de creches. Está provado que quem tem acesso à educação na idade tenra se desenvolve melhor. Ao mesmo tempo, tiraríamos muitas crianças que vivem em ambientes extremamente inadequados para dar-lhes educação. É necessário ainda investir na pré-escola e no ensino fundamental. As escolas profissionalizantes e técnicas devem ser valorizadas. Defendo também que o ensino superior público e gratuito seja extinto e substituído por um sistema onde houvesse universalização do financiamento. A universidade tem de ser paga com amplo financiamento, para que, depois de formado, o profissional desembolse os valores para a faculdade e, com isso, realimente o sistema. Esse recursos seriam revertidos para a educação básica.

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