O PT, quando fez escândalo contra o vitorioso processo de privatização de empresas estatais, tinha apenas o objetivo de assumir o poder, observa o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sobre as práticas do partido do atual presidente da República. "O caso foi fruto de práticas imorais de escutas telefônicas e sua reprodução parcial", lembra o presidente de honra do PSDB.
Mesmo passados onze anos do caso, FHC sempre teve clareza sobre as manobras petistas e acusa o partido de ter feito uma campanha de difamação contra o seu governo e o PSDB. "Atribuo as denúncias a uma permanente campanha de difamação do PT que sempre encontrou ecos nos ouvidos 'apetizados' do Ministério Público, com o propósito de assumir o poder", comenta.
A decisão da Justiça Federal, absolvendo o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e os ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende e Pio Borges, foi divulgada na semana passada. Eles eram acusados pelo PT de privilegiar o Banco Opportunity no processo de privatização de Telebrás.
Em entrevista ao site do PSDB, o ex-presidente diz que "o PT sabia que as privatizações e as concessões eram um instrumento de modernização do País" e criticava o processo apenas para passar uma idéia à opinião pública de que havia falcatrua".
No governo, segundo ele, o PT faz as mesmas concessões "nem sempre bem". E, diferente do PSDB, que gerou ganhos ao Tesouro Nacional e para toda a população brasileira com a democratização da telefonia celular, que chegou aos trabalhadores das mais diferentes classes sociais, os petistas "fingem que mudaram tudo sem mudar nada, quando não mudam para pior".
Sobre a crise internacional e a possibilidade do governo do PT não dar o aumento do funcionalismo público, como prometeu, Fernando Henrique critica a atual administração dizendo que "não há como negar que o governo do presidente Lula foi, no mínimo, imprevidente com relação à crise".
Veja abaixo a entrevista do ex-presidente:
1. Demorou, mas a decisão Justiça Federal mostra que os objetivos do PSDB sempre foram trabalhar para o País?
FHC: Não há dúvidas, a sentença mostra que nosso governo agiu com boa fé, persistência e visão do interesse público também na privatização das teles.
2. A que o senhor atribui as denúncias feitas contra os responsáveis pelo processo de privatização?
FHC: Atribuo as denúncias feitas ao Luiz Carlos Mendonça de Barros e aos demais colaboradores a uma permanente campanha de difamação que o PT, sempre encontrando eco em ouvidos "apetizados" do Ministério Público, moveu contra meu governo e o PSDB, cujo propósito era o de assumir o poder.
3. À época, o escândalo foi fruto da falta de cuidado e do despreparo da oposição?
FHC: Não, foi fruto de práticas imorais de escutas telefônicas e sua reprodução parcial e deturpada na mídia, como, aliás, continua a ser praticada, só que agora sem a finalidade específica de denegrir um governo ou um partido.
4. O PT criticou, mas depois que chegou ao governo fez concessões. Como avaliar esta mudança de rumo e de comportamento?
FHC: O PT, como, aliás, o presidente do partido proclamou com respeito à reforma previdenciária, sabia que as privatizações e as concessões eram um instrumento de modernização do país. Criticavam, como eu disse, apenas para que a opinião pública pensasse que havia falcatruas
5. Os ganhos que o Brasil teve com a privatização, especificamente das teles, realmente transformaram o País. É possível imaginar como seria o Brasil ainda sob as estatais do setor? Quem mais ganhou com a privatização?
FHC: A privatização das teles assegurou enormes ganhos ao Tesouro (cerca de 28 bilhões de dólares, pela venda de 20% das ações, que o Governo possuía), permitiu a rápida expansão dos telefones celulares (passamos de 2 milhões para mais de cem milhões de celulares em 8 anos e a telefonia fixa aumentou) e, com isso, foi possível o acesso à internet. Hoje há 50 milhões de internautas!
6. Como o senhor está vendo a possibilidade de o governo do PT suspender o prometido aumento do funcionalismo público? O governo do presidente Lula pareceu sempre "iludido" em relação ao tamanho da crise. E iludiu a população dizendo que a crise não era nossa, mas "do Bush". O governo deu um passo mais largo que as pernas? Foi irresponsável?
FHC: Não há como negar que o governo Lula foi, no mínimo, imprevidente com relação à crise. Aumentou os gastos correntes, inclusive concedendo aumentos que crescem progressivamente até 2012, custou a reduzir a taxa de juros e comprometeu o ritmo dos investimentos, num momento em que deveria ter feito exatamente o contrário por causa da crise que começou em meados de 2007.