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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:24:40
PT difamou apenas para assumir o poder Fernando Henrique Cardoso

O PT, quando fez escândalo contra o vitorioso processo de privatização de empresas estatais, tinha apenas o objetivo de assumir o poder, observa o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sobre as práticas do partido do atual presidente da República. "O caso foi fruto de práticas imorais de escutas telefônicas e sua reprodução parcial", lembra o presidente de honra do PSDB.

Mesmo passados onze anos do caso, FHC sempre teve clareza sobre as manobras petistas e acusa o partido de ter feito uma campanha de difamação contra o seu governo e o PSDB. "Atribuo as denúncias a uma permanente campanha de difamação do PT que sempre encontrou ecos nos ouvidos 'apetizados' do Ministério Público, com o propósito de assumir o poder", comenta.

A decisão da Justiça Federal, absolvendo o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e os ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende e Pio Borges, foi divulgada na semana passada. Eles eram acusados pelo PT de privilegiar o Banco Opportunity no processo de privatização de Telebrás.

Em entrevista ao site do PSDB, o ex-presidente diz que "o PT sabia que as privatizações e as concessões eram um instrumento de modernização do País" e criticava o processo apenas para passar uma idéia à opinião pública de que havia falcatrua".

No governo, segundo ele, o PT faz as mesmas concessões "nem sempre bem". E, diferente do PSDB, que gerou ganhos ao Tesouro Nacional e para toda a população brasileira com a democratização da telefonia celular, que chegou aos trabalhadores das mais diferentes classes sociais, os petistas "fingem que mudaram tudo sem mudar nada, quando não mudam para pior".

Sobre a crise internacional e a possibilidade do governo do PT não dar o aumento do funcionalismo público, como prometeu, Fernando Henrique critica a atual administração dizendo que "não há como negar que o governo do presidente Lula foi, no mínimo, imprevidente com relação à crise".


Veja abaixo a entrevista do ex-presidente:


1. Demorou, mas a decisão Justiça Federal mostra que os objetivos do PSDB sempre foram trabalhar para o País?
FHC: Não há dúvidas, a sentença mostra que nosso governo agiu com boa fé, persistência e visão do interesse público também na privatização das teles.

2. A que o senhor atribui as denúncias feitas contra os responsáveis pelo processo de privatização?
 FHC: Atribuo as denúncias feitas ao Luiz Carlos Mendonça de Barros e aos demais colaboradores a uma permanente campanha de difamação que o PT, sempre encontrando eco em ouvidos "apetizados" do Ministério Público, moveu contra meu governo e o PSDB, cujo propósito era o de assumir o poder.


3. À época, o escândalo foi fruto da falta de cuidado e do despreparo da oposição?
FHC: Não, foi fruto de práticas imorais de escutas telefônicas e sua reprodução parcial e deturpada na mídia, como, aliás, continua a ser praticada, só que agora sem a finalidade específica de denegrir um governo ou um partido.


4. O PT criticou, mas depois que chegou ao governo fez concessões. Como avaliar esta mudança de rumo e de comportamento?
FHC: O PT, como, aliás, o presidente do partido proclamou com respeito à reforma previdenciária, sabia que as privatizações e as concessões eram um instrumento de modernização do país. Criticavam, como eu disse, apenas para que a opinião pública pensasse que havia falcatruas em marcha. No governo, continuam fazendo, lentamente e nem sempre bem, concessões na área dos transportes, no petróleo, na de energia elétrica etc. Fingem que mudaram tudo sem mudar nada, quando não mudam para pior.


5. Os ganhos que o Brasil teve com a privatização, especificamente das teles, realmente transformaram o País. É possível imaginar como seria o Brasil ainda sob as estatais do setor? Quem mais ganhou com a privatização?
FHC: A privatização das teles assegurou enormes ganhos ao Tesouro (cerca de 28 bilhões de dólares, pela venda de 20% das ações, que o Governo possuía), permitiu a rápida expansão dos telefones celulares (passamos de 2 milhões para mais de cem milhões de celulares em 8 anos e a telefonia fixa aumentou) e, com isso, foi possível o acesso à internet. Hoje há 50 milhões de internautas!


6. Como o senhor está vendo a possibilidade de o governo do PT suspender o prometido aumento do funcionalismo público? O governo do presidente Lula pareceu sempre "iludido" em relação ao tamanho da crise. E iludiu a população dizendo que a crise não era nossa, mas "do Bush". O governo deu um passo mais largo que as pernas? Foi irresponsável?
FHC: Não há como negar que o governo Lula foi, no mínimo, imprevidente com relação à crise. Aumentou os gastos correntes, inclusive concedendo aumentos que crescem progressivamente até 2012, custou a reduzir a taxa de juros e comprometeu o ritmo dos investimentos, num momento em que deveria ter feito exatamente o contrário por causa da crise que começou em meados de 2007.

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