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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:28:23
Plano Real: Aníbal recorda negociação no Congresso Deputado José Aníbal (PSDB)

Líder do PSDB fala sobre a resistência do PT ao plano que acabou com a inflação

Paula Sholl
Deputado José Aníbal

Brasília (30)- Nessa entrevista exclusiva ao Diário Tucano, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), explicou como foi a negociação do Plano Real no Congresso Nacional há 15 anos, conduzida diretamente por ele na época por indicação do então líder da bancada tucana, José Serra. Segundo Aníbal, a oposição comandada pelo PT agiu de forma dura e agressiva e não acreditava no projeto que acabou com a chaga da inflação no país. "Nós tivemos sucesso e a realidade está aí, apesar da resistência daqueles que hoje desfrutam do que fizemos", apontou o tucano, ao lembrar a herança bendita da estabilidade econômica recebida pelo governo Lula. O líder criticou a forma com que o Planalto enfrenta  a crise e destacou o preparo do PSDB para vencer nas urnas as eleições de 2010 e recolocar o país no rumo do desenvolvimento.

Como se deu a aprovação do Plano Real no Congresso Nacional há 15 anos?

O Plano Real mudou o Brasil. Deu novo rumo ao país e acabou com a chaga da inflação, que penaliza, prejudica e abate sobretudo o rendimento do trabalhador.   As coisas custavam um preço de manhã e outro à noite. As pessoas recebiam o salário, corriam ao supermercado para fazer suas compras e estocavam no freezer porque os produtos poderiam dobrar de preço. A inflação não era de 4%, 5% ao ano como passou a ser depois do Plano Real. Era 4%, 5% por dia. Chegamos a ter 80% de inflação no mês. O salário do trabalhador estava sempre defasado. Ele recebia, mas comprava cada vez menos. Nós tivemos a prudência de aprová-lo no Congresso. Fui o responsável, indicado pelo líder da bancada na época, José Serra, para fazer as negociações. O incrível é que o governo atual foi contra o Plano Real. Nós tivemos sucesso e a realidade está aí, apesar da resistência daqueles que hoje desfrutam do que fizemos.

Como a oposição petista se posicionou durante a votação  do Plano Real?

Eles diziam que o Plano Real era somente para ganhar a eleição e que depois a inflação voltaria. Isso era o desejo deles, mas felizmente a inflação não voltou. Eles criticaram tudo que nós fizemos, se opuseram a tudo de forma violenta, agressiva. Muito diferente da oposição que fazemos hoje. Quem vê o presidente Lula hoje e lembra o que ele fez e disse anos atrás enxerga uma diferença enorme. Se é para o bem do Brasil, é bom que ele tenha mudado. E é positivo que ele tenha consciência de que um outro governo virá ? e nós temos muita esperança de que será o governo do PSDB ? e que ele não deve deixar uma herança maldita, cometendo erros em cima de erros como ele está fazendo hoje, pelos quais vamos ter que pagar adiante.

Entre esses erros, qual o senhor destacaria?

Em um momento de crise é bom que o governo tenha recurso para investir, o que pode ocorrer por meio da poupança no momento da bonança. Mas a gestão petista promoveu e continua promovendo a gastança e, com isso, não tem dinheiro para investir. Exemplo disso é o PAC, que só executou 4,8% dos recursos aprovados no Orçamento da União de 2009. É um sinal eloquente de que o governo não está sabendo lidar com a crise e não consegue fazer uma política de investimento capaz de gerar empregos e combater o efeito mais perverso dessa crise: a diminuição dos postos de trabalho.

Nesses 21 anos, o PSDB fez um ciclo completo: foi governo, conheceu a máquina pública, se tornou o maior partido de oposição do país e agora apresenta dois dos principais nomes na disputa à Presidência. O que essa experiência acumulada confere ao PSDB?

O partido tem credibilidade junto à opinião pública no Brasil inteiro. O PSDB foi construindo referências muito objetivas de compromisso com a população. Não é de garganta, é de programas sociais que dão resultado e melhoram a vida das pessoas. O PSDB deu esse rumo ao Brasil em plano nacional. E em São Paulo, há quatro períodos de governos consecutivos, vem fazendo com que o estado seja referência, um modelo que nos orgulha. O governador de São Paulo, José Serra, é muito bem avaliado pela população pobre, que vê os investimentos na saúde, na educação e na qualificação dos jovens. E isso tem ocorrido também agora em Minas Gerais, com o governador Aécio Neves. Enfim, no plano nacional o PSDB é, sem dúvida, a alternativa ao governo que esta aí e espero que ela  se consolide nas eleições do ano que vem, para que voltemos a governar o país e ajudá-lo a dar passos adiante. O período Lula está se encerrando e espero que ele não termine mal. Tenho a expectativa de que o Brasil se recomponha dessa crise e esteja numa situação melhor em 2010. Mas o PT já mostrou que é incapaz de fazer o país dar um salto adiante. Ele é bom em críticas corrosivas e para se beneficiar da máquina pública, mas definitivamente não sabe estruturar o país e gerar oportunidades.

Hoje a grande palavra de ordem é gestão, e o governo do PSDB criou paradigmas que perduram até hoje ? equilíbrio nas contas públicas, Lei de Responsabilidade Fiscal, definição de metas, uma relação com o dinheiro público de forma mais responsável.  Esse é um diferencial do partido?

Os pontos fortes do PSDB são a honestidade, o compromisso com as pessoas, mas sobretudo a coragem de fazer, de inovar, de enfrentar situações que aparentemente não podem ser mudadas. É algo diferente do governo atual. O governo Lula é muito conservador. Não enfrenta os poderosos, os interesses incompatíveis com os interesses da população. O PSDB enfrenta, questiona e melhora o país. Não é possível fazer mudanças sem oposição. Nós contrariamos os interesses de pessoas que ganhavam dinheiro com a inflação, com os banqueiros. O atual presidente tem uma relação umbilical com os banqueiros, o que resulta na taxa de  juros mais alta do mundo. Nós começamos os programas sociais importantes, atendemos seis milhões de pessoas. Antes de nós não havia nenhum programa social. O PSDB promoveu a diminuição do trabalho infantil, criamos o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação, que foram ampliados e transformados no Bolsa Família. O programa complementa a renda, mas isso por si só é insuficiente. O que emancipa as pessoas e as faz crescer é a criação de oportunidades. Esse é o caminho de uma política social competente. Nós vamos dar continuidade aos programas sociais, ampliá-los e criaremos oportunidades. Essa é a cara do PSDB.

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