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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:32:22
"Precisamos sintonizar o PSDB com os anseios da sociedade" Sebastião Madeira

Eleito para o quarto mandato consecutivo como deputado federal, o presidente do Instituto Teotônio Vilela e do diretório do PSDB no Maranhão, Sebastião Madeira, assumiu o desafio de transformar o instituto em fundação, o que deve ocorrer a partir de janeiro, para cumprir determinação da Justiça Eleitoral. No entanto, muito além da simples mudança de regime institucional, o tucano pretende intensificar os laços da entidade com os diretórios do partido e com a sociedade civil. "Para conseguir votos, é preciso conquistar as mentes e o coração das pessoas", observou o tucano, enquanto se deslocava da Câmara para o Aeroporto de Brasília no início da tarde desta quinta-feira.

 

Com viagem marcada para São Luís, o tucano tinha compromisso com o governador eleito do Maranhão, Jackson Lago (PDT). Na pauta do encontro, o processo de transição do governo estadual. Já está acertado que o PSDB será responsável pelas secretarias de Governo e Articulação Política e pelo Porto de São Luís, que terá status de secretaria. Há ainda a possibilidade de o partido comandar mais uma pasta no estado. Leia abaixo a entrevista, na qual Madeira fala da mudança no ITV, eleições, Maranhão e governo Lula:

 

 

Como o senhor avalia a atuação do Instituto Teotônio Vilela em 2006?

 

No primeiro semestre, o ITV promoveu seminários importantes, como os que realizamos em Cuiabá e Belo Horizonte, onde discutimos, respectivamente, os desafios para o agronegócio e a saúde no Brasil, além de apoiarmos as ações do partido em estados estratégicos como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão e Mato Grosso. Já no segundo semestre, todo o partido se envolveu com a disputa eleitoral, e o ITV deu apoio com pesquisas e publicações. No fim das eleições, também fizemos um ótimo trabalho mostrando o desempenho do partido em todos os estados da federação, comparando com os pleitos anteriores. Agora, o ITV será transformado em fundação e já estamos trabalhando na parte legal, estatutária e regimental para fazer essa transformação exigida por lei.

 

 

O que muda com a transformação do instituto em fundação?

 

Muda a administração, porque hoje a gestão é no regime presidencialista. Já a fundação será acompanhada de perto por um Conselho Curador e também pelo Ministério Público. As ações de apoio no estados serão mantidas, porém controladas com mais rigor.

 

 

O PSDB vai governar, a partir de 2007, 51% do PIB e 41% da população do país. Como o senhor avaliou o desempenho do partido nas eleições de 2006?

 

O desempenho parlamentar nas eleições proporcionais foi bom. Elegemos cerca de 30% a mais de deputados e também alguns senadores. Na eleição presidencial o resultado não foi o esperado, embora, no primeiro turno, tenhamos conseguido uma vitória - levar a disputa para o segundo o turno.

 

 

Logo após as eleições o ex-presidente Fernando Henrique declarou que o PSDB não foi muito eficiente para fazer uma interlocução com a sociedade e aumentar o diálogo com universidades e sindicatos, por exemplo. Como a Fundação ITV pode ajudar nessa interação entre o partido e entidades da sociedade civil?

 

A Fundação ITV, que vai funcionar a partir de janeiro de 2007, pode ajudar. Mas isso ocorrerá dentro de um processo de revitalização do partido, na qual é fundamental, por exemplo, recadastrar os filiados e defender bandeiras que coincidam e estejam em sintonia com os anseios da sociedade. Só assim o PSDB poderá representar melhor o povo brasileiro. Portanto, a Fundação funcionará como braço de apoio do partido.

 

 

Durante as eleições de outubro, o PSDB teve um resultado muito satisfatório no Maranhão e foi fundamental para vitória do governador eleito Jackson Lago...

 

De fato, no Maranhão nosso desempenho foi muito bom - o melhor proporcional no país. Obtivemos 23% dos votos do estado para a Câmara dos Deputados. Elegemos nove deputados estaduais de um total de 42 e quase o deputado João Castelo saiu vitorioso para o Senado. Numa inteligente coalizão, ajudamos a eleger o governador do estado, que foi uma das vitórias mais inesperadas do Brasil. Havia um consenso de que o "sarneysismo" era dominante no Maranhão e que seria imbatível. Provamos o contrário.

 

 

O resultado das urnas colocou a PSDB na oposição ao governo Lula. Na sua avaliação como o partido deve se pautar em relação ao novo mandato do petista?

 

Vamos acompanhar, questionar e fiscalizar o governo Lula. Eventualmente, quando o presidente acertar devemos reconhecer, pois o partido não apenas criticará a gestão petista. O PSDB tem que apresentar bandeiras consistentes para a sociedade e se colocar como excelente alternativa.

 

 

E o futuro?

 

Há uma idéia de refundação e reorganização das bandeiras da legenda para que possamos ter o apoio dos brasileiros. Em um regime democrático o partido só sobrevive e chega ao poder por meio do voto. Para consegui-lo, é preciso conquistar as mentes e o coração das pessoas. Temos quadros excepcionais, como José Serra (SP), Aécio Neves (MG), Geraldo Alckmin (SP), Marconi Perillo (GO), entre outros. São grandes nomes e excelentes talentos. O desafio é ajustar o programa do partido aos anseios da sociedade.

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