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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:33:10
Presidente do PSDB Mulher aponta conquistas e desafios da organização Deputada Thelma de Oliveira

Deputada Thelma de Oliveira comemora os 10 anos da fundação

 

Brasília (01)- À frente do PSDB Mulher desde novembro de 2007, a deputada Thelma de Oliveira (MT) destaca vitórias do secretariado nestes dez anos de vida, como a eleição de 77 prefeitas, 85 vice-prefeitas e 730 vereadoras do partido ano passado. Nesta entrevista a tucana aponta, além das conquistas, os vários desafios que ainda precisam ser superados, como a ampliação da participação política, o combate à violência e a busca pela equiparação salarial. ?Enquanto não houver respeito pelas mulheres e elas não conquistarem os seus espaços, inclusive no lado político, não teremos de fato uma democracia consolidada?, disse a deputada, ao citar Ruth Cardoso. Morta em junho do ano passado, a antropóloga dá nome a uma medalha que será lançada no 1º Fórum Nacional do PSDB Mulher, nesta quarta-feira.

 

Qual a expectativa para o encontro do PSDB Mulher?

Neste 1º Fórum Nacional, vamos comemorar dez anos de existência do PSDB Mulher. Programamos um grande evento, trazendo companheiras de todos os estados e reunindo prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras, deputadas estaduais e federais, senadoras e nossas grandes lideranças. Temos confirmadas as presenças de governadores tucanos, inclusive da Yeda Crusius, que já comandou o PSDB Mulher. O presidente do partido, senador Sérgio Guerra, está nos dando um apoio muito grande, assim como o Instituto Teotônio Vilela, sob o comando do deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas. Isso é um reconhecimento da força da mulher e da importância feminina na sociedade. O evento também será mais uma demonstração de unidade e de fortalecimento, inclusive no que diz respeito às eleições de 2010.

 

Quais os objetivos que o PSDB Mulher quer alcançar com esse encontro?

Primeiramente destaco o lançamento da ?Medalha Professora Ruth Cardoso?, com a participação do ex-presidente Fernando Henrique. Nossa ideia é premiar mulheres e entidades que tenham feito um trabalho para promoção feminina nos seus direitos, nas suas reivindicações e também em relação à justiça social e ao desenvolvimento sustentável, uma das grandes bandeiras da professora Ruth. Em relação aos objetivos, considero que já tivemos muitas vitórias durante esses 10 anos. No ano passado, trabalhamos para aumentar o número de candidatas e continuaremos nessa luta porque entendemos que a representação política feminina ainda é muito pequena. Esse fórum pretende exatamente demonstrar a importância da participação da mulher, seja ela de cunho partidário ou em outros setores, nas esferas pública e privada.

 

Qual a relevância dessa conscientização na sociedade?

Precisamos mostrar que somente dessa forma construiremos uma democracia e uma sociedade mais justas. Também reafirmaremos algumas lutas que temos encaminhado há algum tempo, a exemplo do enfrentamento da violência contra a mulher e da busca pela equiparação salarial. Não é mais possível que tenhamos dentro da sociedade, particularmente na esfera privada, mulheres exercendo as mesma funções que os homens e, em alguns casos, recebendo até 60% menos pelo mesmo trabalho. Pretendemos também destacar a importância da ampliação da nossa representação política, algo que começa dentro do partido. Tem um projeto da senadora Marisa Serrano estabelecendo que 30% das vagas do PSDB sejam ocupadas por mulheres. Essa é uma luta que queremos encaminhar para conseguirmos ampliar nossa representação.

 

Como avalia o resultado de relatório da ONU mostrando que o Brasil é o penúltimo colocado no ranking que mede a participação feminina nas câmaras federais entre os países da América do Sul?

Essa constatação já vem sendo feita há algum tempo. Na Câmara, nós somos apenas 9%, apesar de representarmos mais de 50% do eleitorado feminino e mais de 51% da população brasileira. Esse documento comprova que estamos muito aquém do ideal. Os partidos têm uma importância fundamental para ampliar essa representação. E isso nós vamos debater no fórum. No processo de discussão de reforma política, acredito que para nós mulheres, a adoção de listas fechadas e do financiamento público seriam muito importantes para garantir essa ampliação da representação política.

 

O documento também destaca a importância da Lei Maria da Penha no combate à violência contra a mulher. Como a senhora avalia este tema?

Essa questão é muito importante. O PSDB lançou uma cartilha em março que foi distribuída no Brasil inteiro para que os secretariados estaduais e municipais pudessem trabalhar o enfrentamento da violência. Mas temos um longo caminho a percorrer. Infelizmente o Brasil, certamente pelas questões culturais e históricas, e por ser ainda um país machista, nos leva a ter uma situação que ainda nos envergonha. Ruth Cardoso tinha uma preocupação muito grande com isso. Ela dizia que enquanto não houver respeito pelas mulheres e elas não conquistarem os seus espaços, inclusive no lado político, não teremos de fato uma democracia consolidada.

 

É possível falar em uma agenda para a mulher em 2010?

Vamos continuar na luta por questões como combate à violência e busca pela igualdade salarial. Sou relatora de um projeto em tramitação na Comissão do Trabalho que está exatamente discutindo a igualdade salarial, algo que não pode ficar de fora. Já em relação à reforma política, ainda não saberia dizer neste momento como essa questão vai ficar. Mas esse debate terá que acontecer. Acredito que o fórum será importante para abordar pontos como voto distrital e o parlamentarismo. Não podemos continuar da forma como estamos. Destaco ainda a questão do combate à pobreza, que Ruth Cardoso tinha como uma das grandes bandeiras de vida. Ela sempre colocou nos seus pronunciamentos e nos seus debates a questão do combate à pobreza e da importância de dar oportunidades para que todas as pessoas possam ter uma qualidade de vida melhor.

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