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Vitória-ES, Terça Feira, 22 de Maio de 2012
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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:37:17
Ricardo Santos: "exoneração tem como pano de fundo o processo sucessório" Ricardo Santos

A exoneração de Ricardo Santos do cargo de secretário Estadual de Agricultura é tida pelo PSDB como um momento meramente político que tem como pano de fundo a processo sucessório de Paulo Hartung à frente do Palácio Anchieta. A afirmação é do ex-secretário, que reassumiu na semana passada a presidência do Diretório Estadual da legenda. Apesar disso, a relação do partido com Hartung, segundo ele, não está estremecida. Mesmo porque, para o PSDB, o governador não tem um candidato à sucessão. Para Santos, o governador apóia Ricardo Ferraço assim como apóia o pré-candidato tucano ao Palácio, o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas.

Confira a entrevista na íntegra:

Folha Vitória - Como se deu a saída do senhor do secretariado? Foi um acordo?
Ricardo Santos - A minha saída se deu na última quarta-feira. Eu fui comunicado pelo chefe da Casa Civil que estava sendo providenciada a minha exoneração. Certamente essa exoneração tem como pano de fundo o processo sucessório. Foi uma decisão tomada pelo governo com certeza dentro de uma estratégia de realinhamento de forças políticas de composição de governo. Eu deixei a secretaria com a sensação de missão cumprida. Trabalhamos oito meses intensamente para consolidar a secretaria como uma secretaria de desenvolvimento rural. Ampliamos os programas, como o Pronaf Capixaba. Ampliamos também a ação da secretaria junto às chamadas populações tradicionais. Ampliamos programas de grande relevância para as pequenas produções agrícolas. Com fornecimento de equipamentos. Além de criarmos programas novos, voltados ao desenvolvimento florestal, com programas que visam incorporar a recomposição de áreas de interesse ecológico para recuperar nascentes. Encaminhamos soluções de longo prazo para o problema de deficiência hídrica. E demos curso aos programas das principais cadeias produtivas, como com o programa Renovar Arábica. E expandimos consideravelmente nosso programa de fruticultura. A secretaria também entrou na quarta etapa do programa Luz para Todos, que visa universalizar o fornecimento de energia elétricas para todas as comunidades rurais.

Folha Vitória - O senhor acredita que havia algum descontentamento do governo com a forma como o senhor conduzia a secretaria?
Ricardo Santos - Do ponto de vista do desempenho da secretaria ela ampliou o seu leque de ações. Ela intensificou seu relacionamento com as comunidades rurais. A secretaria acabou se transformando no principal instrumento de interiorização do desenvolvimento do Governo do Estado.

Folha Vitória - O próprio governador diz que é cedo para se discutir eleições, mas a saída do senhor não parece uma questão eleitoral?
Ricardo Santos - Eu não saberia exatamente quais são as razões. Eu acho realmente que o processo político é o plano de fundo para essa mudança que aconteceu. O governo tem as suas estratégias e as suas razões. E não cabe a mim discutir ou debater sobre elas.

Folha Vitória - Essa mudança aparentemente injustificada estremece a relação que existe entre o PSDB e o atual governo?
Ricardo Santos - Não. O PSDB tem participado do secretariado de Paulo Hartung desde o início. Apoiamos Paulo Hartung nas eleições de 2002, apoiamos nas eleições de 2006. Participamos com vários filiados em posições importantes do governo. Eu, na verdade, me incorporei apenas nos últimos oito meses. Então não enfraquece. Porque nós estamos preocupados hoje é com o futuro. O PSDB tem a responsabilidade de apresentar à sociedade, considerando a sua tradição e sua experiência na gestão pública, um projeto de governo que dê continuidade ao processo de trabalho que o governador Paulo Hartung promoveu na administração pública e que avance naquelas áreas que seja considerada necessidade de avançar. 

Folha Vitória - Agora afastado do secretariado, que papel o senhor assume no que se refere à eleição?
Ricardo Santos - Eu reassumi a presidência e o papel que tenho agora de imediato é de primeiro continuar o trabalho de mobilização do partido para as eleições de 2010, com reuniões no interior e na Grande Vitória. Um trabalho que nós já começamos. Já estivemos em Barra de São Francisco, Linhares, vamos estar em Alegre, Cachoeiro de Itapemirim e Santa Maria de Jetibá para começar a construir chapas proporcionais. E acho que esse é o trabalho fundamental que temos que fazer em curto prazo. Certamente no ano que vem nós vamos intensificar as articulações com os partidos no sentido de construir as alianças partidárias para o pleito de 2010.

Folha Vitória - Na nota emitida pelo partido se fala em candidato"s" ao Senado. Até agora o partido se referia a apenas uma candidatura, de Rita Camata e apoiaria a possível candidatura de Paulo Hartung. Isso seria um indicativo de que o partido não apoiaria mais o governador na disputa dele ao Senado?
Ricardo Santos - Com certeza nós vamos apoiar o governador Paulo Hartung. Nós teremos certamente um candidato. A nossa aliança com o governo não se desfez. Mesmo porque existe bastante convergência entre o programa de governo que Hartung desenvolve e as prioridades e o modelo de gestão que nós pregamos. Lembrando, como disse anteriormente, que nós sempre tivemos participação em áreas chaves do governo Paulo Hartung.

Folha Vitória - Quem poderia ser o segundo candidato do partido ao Senado, Max Mauro?
Ricardo Santos - Eu diria que é muito cedo para você discutir essas questões. O PSDB discute as alianças partidárias em torno de propostas e projetos. Buscando uma convergência de partidos para um programa de governo que possa continuar o que já foi construído e para avançar. Um programa voltado para diminuir os desníveis sociais, a pobreza e interiorize o desenvolvimento capixaba. Então eu acho cedo falar de composição de chapas. Nós temos nosso pré-candidato, Luiz Paulo Vellozo Lucas, mas é cedo para antecipar qualquer coisa dessa natureza.

Folha Vitória - Voltando a falar da nota, alguns críticos afirmam que essa nota foi produzida medindo palavras para não criar conflitos com o governo. Houve essa preocupação?
Ricardo Santos - Não. O título dela resume muito bem a intenção: "o PSDB vai em frente". O que a gente quer dizer é que apesar da minha saída nós seguiremos em frente com a nossa estratégia em construir um projeto político que faça o Espírito Santo continuar avançando e resolvendo os seus principais problemas de natureza econômica e social.

Folha Vitória - Alguns parlamentares criticaram o senhor dizendo que a pasta da Agricultura estava sendo utilizada para fins eleitorais. Como o senhor recebeu essas críticas?
Ricardo Santos - Eu não vejo consistência nessas críticas. Até mesmo pelo meu perfil. Eu tenho uma larga experiência em gestão pública, eu sou um profissional da administração pública, e todos os programas de projetos da secretaria sempre foram alicerçados em critérios que fogem ao estilo clientelista. Para um apoio a uma associação de produtores, por exemplo, seja para ceder um secador de café ou um trator agrícola, nós sempre analisamos criteriosamente a estrutura dessa associação, o número mínimo de associados dela, a capacidade de gestão e se ela tinha assistência técnica que pudesse apoiá-la na produção agrícola pretendida. Nós nunca deixamos de levar em conta esses critérios no sentido de fazer com que a locação de recursos fosse a mais racional e justa possível.

Folha Vitória - O vice-governador tem tido uma visibilidade muito grande nos últimos meses, inaugurando e anunciando obras no lugar do governador Paulo Hartung. O senhor acredita que isso possa caracterizar uso da máquina para fins eleitorais?
Ricardo Santos - Eu próprio participei de vários eventos desse tipo pelo interior do Estado. Com a presença do vice-governador. Em eventos da Secretaria de Agricultura. Eu quero entender que nessas ocasiões, em que eu estive presente, ele estava cumprindo missões administrativas na condição de vice-governador do Estado.

Folha Vitória - É possível que Ricardo Ferraço dispute a eleição já como governador, se for concretizado o afastamento de Hartung para concorrer ao Sendo. Isso muda de alguma forma as estratégias do PSDB?
Ricardo Santos - Não. A nossa estratégia continua a mesma. Prevê-se que ele assuma o governo em abril.

Folha Vitória - Isso desperta alguma preocupação extra?
Ricardo Santos - Não. Primeiro porque todos os candidatos a cargos majoritários e proporcionais tomarão as medidas necessárias para cumprir a lei. Com certeza todos os candidatos a governador, os que se apresentaram até agora e os que estão por vir tem que se submeter à fiscalização do TRE, que está cada vez mais rigorosa. Todos eles têm que se submeter à lei, como acontece em toda eleição.

Folha Vitória - Quando eu entrevistei o deputado Luiz Paulo ele me disse que não considerava Ricardo Ferraço o candidato de Hartung, mas o candidato do PMDB. Considerando os últimos acontecimentos, o senhor avalia de que forma?
Ricardo Santos - Na última entrevista do governador sobre isso, ele se referiu a duas candidaturas. Foi a candidatura de Ricardo Ferraço e a de Luiz Paulo. Ele sempre faz referências elogiosas ao vice-governador, como braço direito dele, como também sempre faz referências elogiosas ao deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, pela sua competência.

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