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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:38:12
Senador defende prévias caso não haja acordo no PSDB Tasso Jereissati, senador PSDB (CE)

Em entrevista publicada no jornal "O Estado de S. Paulo" na última sexta-feira, o senador Tasso Jereissati (CE) avalia que o PSDB terá que fazer prévias caso não haja acordo entre os pré-candidatos a disputa pela Presidência da República. "Se tiver um acordo e se chegar a um consenso em que o partido se sinta confortável, tudo bem. Mas não havendo, a prévia é a única maneira de solucionar isso. Não é pela cúpula", analisou o ex-presidente do partido, que também elogiou os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves. "Nós temos muita sorte de ter dois candidatos muito bem preparados para ser presidente, para ser uma liderança", afirmou Tasso. Abaixo, a íntegra da entrevista.

 

O PMDB é corrupto?

Acho que a grande maioria do PMDB, que tem homens ilustres, claro, é hoje formada por organizações que se especializaram não mais em atingir a Presidência, mas em conseguir cargos que deem poder e recursos. É um partido voltado para ter, através da maioria parlamentar, cargos estratégicos do ponto de vista político e financeiro.

 

Só o PMDB age assim?

Não, é importante dizer que não é só o PMDB. O PMDB só faz isso porque tem a aquiescência do Executivo. Essa rede se espalhou por todo o sistema de poder do País, principalmente pelas prefeituras. E o governo Lula é conivente. Ele montou um sistema de poder, em que a sua sustentação parlamentar é feita com base nisso aí, nesse tipo de permuta. É baseado puramente no toma-lá-dá-cá. Dentro da organização que eles fizeram, que me parece única no mundo, deixaram de se interessar em ter a Presidência, mas querem o poder do presidente, seja qual for o eleito.

 

Mas ainda assim todos querem se aliar ao PMDB, inclusive o partido do senhor.

Aí você entra na reforma política. O PMDB é fundamental por causa do tempo de TV, porque monta um esquema de prefeitos realmente muito capilarizado pelo País e também porque vira a maioria congressual por causa desse ciclo vicioso. Aí é fundamental para governar.

 

O sr. acha que o PSDB será capaz de atrair o PMDB em 2010?

O PMDB vai com quem estiver na frente. Hoje está com poder, instalado até o último dia. Aí vai ver o que está com mais chance. Apesar de que isso não é importante para eles, porque terminada a eleição eles passam a ser fundamentais. Já deixou de ser importante estar junto. Na primeira eleição do Lula, não o apoiaram, nem na primeira do FHC. Apostaram errado. Apostaram em quem estava no poder. Depois migraram para o poder no primeiro dia.

 

Como o sr. vê a discussão no PSDB para a escolha do candidato em 2010?

Essa discussão interna é saudável até certo ponto. Tenho a convicção de que não ocorrerá, em função dessa disputa interna, nenhum tipo de defecção futura, e nós temos a felicidade de ter dois grandes candidatos. Se não tiver acordo, não temos saída, a não ser promover as prévias. Senão elas são absolutamente necessárias e fundamentais. Eu digo com a experiência de quem já participou de outros processos de escolha para a Presidência sem que fossem mais abertos e participativos. E digo: não dá certo.

 

O sr. se refere às escolhas de 2002 (Serra) e 2006 (Geraldo Alckmin)?

Sim. Não dá certo, é complicado, não fica uma coisa legítima. As pessoas não se sentem envolvidas no processo, não se sentem participantes da escolha. Não é bom. Se tiver um acordo e se chegar a um consenso em que o partido se sinta confortável, tudo bem. Mas não havendo, havendo realmente disputa, a prévia é a única maneira de solucionar isso. Não é pela cúpula.

 

Tucanos riem quando se fala em prévias, alegando que o PSDB nem estrutura tem.

Não vejo por que dar risada. Quando fui presidente do PSDB (em 2006), fiz um trabalho grande e montei uma estrutura para realizar prévias. Temos total condições de realizá-las. Mas é claro que tem gente que não quer a prévia.

 

Não é tradição do partido.

Não é tradição do partido mesmo. A tradição do partido é o que chamávamos de reunião de cardeais. Reuniam 10 ou 12 e chegavam a conclusões, mas isso era quando o PSDB era pequeno. Agora não. Somos grande, com gente nova, que não tem aquela cultura dos cardeais. E a maioria dos cardeais desapareceu, infelizmente. A quantidade de gente nova que não conviveu com essa cultura, que não aceita esse tipo de solução, é muito maior. Então não dá mais para o partido, em situação de disputa, resolver por acordos de cúpulas.

 

Mas não é perigoso rachar?

Por isso que é a discussão é saudável até certo ponto. Até o ponto de não levar a divergências mais profundas. Nós temos aí o exemplo recente dos Estados Unidos, da Hillary (Clinton) com o Obama, que foi muito saudável para o partido.

 

Muitos tucanos defendem a tese de que política tem vez e que agora seria a vez de Serra.

Política não tem fila. Tem acordo ou voto. Aí vou voltar ao Obama.

 

Quem o sr. acha que seria o melhor candidato?

Os dois são. Nós temos muita sorte de ter dois candidatos muito bem preparados para ser presidente, para ser uma liderança. Os dois têm a experiência de comandar Estados grandes. Isso é um problema, mas é uma sorte também.

 

E uma chapa puro-sangue?

Acho que a gente tem condições até de pensar nisso.

 

O sr. citou o processo de 2002, quando perdeu a indicação para Serra. Ficou alguma rusga?

Comigo? Zero. Nenhuma. As pessoas acham que eu não me dou bem com Serra, mas eu me dou muito bem. O problema é que temos até uma relação muito franca. Às vezes, ele diz coisas que eu não gosto, e eu também, o que é bom.

 

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