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Ultima modificação: 22/05/2012 às 06:43:55
Yeda quer PSDB como protagonista das eleições em 2006 Yeda Crusius
Eleita no final da semana passada à presidência estadual do PSDB no Rio Grande do Sul, a deputada federal Yeda Crusius admite que tem pela frente a tarefa de conciliar os ânimos dentro de casa e alinhar o crescimento do partido no Estado ao patamar que ele se encontra nacionalmente, onde polariza a disputa para a sucessão do presidente Lula com o PT. A deputada federal também analisa o atual momento de crise política do País e fala da possibilidade de disputar a eleição ao governo gaúcho no ano que vem. Diz, entretanto, que no momento o desafio é a construção de um partido unido para desenhar o projeto tucano para 2006.
 
 
 
Jornal do Comércio - Qual seu principal desafio à frente do PSDB gaúcho?

Yeda Crusius - O grande desafio é afirmar o PSDB do Rio Grande do Sul no mesmo patamar do PSDB nacional como alternativa diante de um quadro de desmanche partidário nacional em decorrência desse mar de lama. Devemos consolidar essa alternativa partidária, que desenha projetos e não apenas alternativas de poder. O nosso maior desafio é fazer o PSDB continuar crescendo no Estado de modo que se junte ao esforço do PSDB nacional como alternativa em todo o País. O PSDB é um partido que tem apenas 17 anos de existência. O quadro de dificuldades para crescer no Estado foi diferenciado em relação a outras regiões do País. Chegou a hora do nosso partido afirmar sua força no Estado, pois temos um projeto nítido e claro. Já temos história, somos governo em vários estados e na maior parte dos municípios, inclusive no Rio Grande do Sul.
 
 
JC - A senhora acredita que os conflitos internos serão superados? Qual será a sua estratégia para unificar os tucanos do Rio Grande do Sul?

Yeda - Se a tática da divisão foi vencedora no passado, tem a ver inclusive com o tamanho do partido. Então, esta tática tem tempo para durar até que o partido cresça mais. Hoje, o partido é muito grande. Sozinho elegeu três deputados estaduais e dois federais. Embora tenha poucas prefeituras, um número de vereadores ainda menor do que poderia vir a ter, o PSDB gaúcho é grande. O problema é que a última gestão executiva teve peculiaridades que nem é bom lembrar.
 
Tivemos fatos inéditos na nossa vida partidária, como brigas que, na maioria das vezes, eram imaturas e concentradas no campo pessoal. Quando formamos o movimento pela unidade, com todas as lideranças e a base se encontrando para conversar, não houve o jogo da divisão que marcou o passado do partido. A chapa um significa todos os prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, vice-governador, secretários de Estado, associação dos prefeitos, juventude, PSDB mulher, enfim, pessoas e instituições do partido atendendo as bases.
 
 
JC - O fato da chapa de oposição não ter entrado na composição para a constituição da executiva não pode comprometer a tão almejada unidade?

Yeda - Nós estamos buscando os componentes da chapa dois para afirmar nosso compromisso pela unidade. Essa será uma gestão para todos e não irá alimentar questões menores. O nosso projeto visa colocar o PSDB gaúcho como protagonista na eleição estadual e até mesmo na eleição presidencial. Queremos eleger mais deputados estaduais, mais deputados federais. Isso se faz somente quando o partido está motivado para colocar seu projeto em disputa nas eleições gerais, que tomarão forma em 2006.
 
Da parte da chapa um, a disputa ficou no passado. Queremos buscar o diálogo com os componentes da chapa dois. Fizemos uma primeira reunião da executiva na semana passada. As idéias e o entusiasmo são muito grandes e a ligação que o PSDB gaúcho passa a ter com o PSDB nacional permite que sejam facilitadas várias tarefas. Posso assegurar que 99% do partido está unido. O 1% é uma questão localizada em Porto Alegre. O que aconteceu na Capital em 2004 deixou cicatrizes mais difíceis de serem esquecidas. Eles estão na direção do partido na cidade, irão realizar seus trabalhos e serão avaliados. Isso não tem a ver com o tamanho do projeto que nós estamos construindo unidos para o Estado. Fundamentalmente, o que mudou foi a cultura da convivência no partido. O presidente Sanchotene Felice e o vice-governador Antonio Hohlfeldt foram fiadores dessa unidade.
 
 
JC - Diante da aprovação da proposta de candidatura própria do PSDB para o governo do Estado em 2006, a senhora aceitaria disputar o comando do executivo estadual?

Yeda - Quando trabalhamos em sintonia, harmonia e unidade, sabemos que desenhamos um projeto de candidatura própria. Hoje, somos governo estadual. Antonio Hohlfeldt tem sido parceiro e parte importante desse governo. Não apenas somos parceiros do PMDB, como somos parte do governo estadual. O desenho das candidaturas para o ano que vem tem muito a ver com o desmanche partidário em todo o País. As CPIs estão mostrando porque partidos cresceram e agora irão definhar.
 
O PSDB está numa posição ímpar e extremamente positiva porque jamais desviou do seu modo de ser, dos seus projetos e das suas propostas. A candidatura de 2006 tem a ver com a saída para essa crise partidária na qual o PSDB não se inclui. Além de não estar em crise, o partido está inteiro, crescendo e reafirmando seu projeto. Meu nome está inserido nesse contexto, assim como o do vice-governador Hohlfeldt e do deputado Júlio Redecker. Estamos construindo o caminho que irá apontar o representante desse projeto, que foi respaldado pelo nosso último congresso estadual. O que quero ressaltar não é a questão do nome que está sendo colocado agora, mas a construção de um partido unido para desenhar o projeto tucano para 2006.
 
 
JC - O vice-governador Hohlfeldt já manifestou sua decisão de que não entra na disputa se o governador Germano Rigotto concorrer.

Yeda - Aí vemos a responsabilidade de cada um. O Antonio é um vice-governador de uma fidelidade total ao projeto que nós elegemos. Agora, não podemos ficar a espera da decisão do candidato a governador do PMDB. Não dependemos disso para o nosso projeto. Não sei como o PMDB vai resolver concorrer, se vai solicitar ao PSDB o apoio na forma de vice outra vez, enfim, nada disso está desenhado. Tudo indica que o governador Rigotto queira disputar espaço nacional. Se isso acontecer, chegou a hora do PSDB colocar o projeto tucano para o Rio Grande do Sul e buscar suas parcerias.
 
 
JC - A senhora adiantou que vai buscar os outros partidos para construir uma aliança para o governo do Estado. No dia da convenção que a elegeu, o presidente do PFL/RS, Reginaldo Pujol, esteve prestigiando. Naquela mesma ocasião, Sanchotene Felice falou com entusiasmo de uma aliança com o PFL, repetindo para o governo estadual a dobradinha da disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Como fará isso?

Yeda - Os partidos são nacionais. É por isso que digo que quando decidimos como chapa fazer uma gestão totalmente integrada com o quadro nacional, as alianças preferenciais também têm sido discutidas. Para nós não há a menor dúvida de que o PFL no Estado, assim como foi em Porto Alegre, é um parceiro qualificado e já foi testado em uma união nacional conosco em duas eleições presidenciais. No entanto, as alianças são um passo posterior.
 
Em primeiro lugar, devemos organizar o partido para essa articulação, que se faça chegar o argumento tucano desde Brasília até a Câmara de Vereadores. Isso vai ser alcançado por um sistema de comunicação e pela valorização das coordenadorias regionais. A partir dessas ações vamos nos apresentar aos outros partidos. Sempre dissemos que não temos preconceito. Temos sim preferências. Veja só o que deu o preconceito do PT em relação a alianças, que, no passado eram tão criteriosas, e que agora perderam o rumo, provocando essa indignação nacional.
 
Essa crise advém do modo de governar, da corrupção e do aparelhamento do Estado promovido pelo PT e seu governo. Então, vamos nos apresentar aos demais partidos instituídos no Estado, dizer quem é a nova direção, o que vamos propor e deixar nossas portas abertas para o diálogo. O que nós podemos dizer é que já tivemos alianças, já fizemos alianças em torno de um projeto e esse tem sido realizado, seja nas prefeituras ou nos governos estaduais.
 
A presença do PFL na nossa convenção nos alegrou muito, é um parceiro cheio de dignidade e de um comportamento de oposição altamente elogiável. Em 2003 formamos a oposição ao governo Lula, unindo PSDB, PFL e PDT. Então, não apenas o PFL, mas os partidos não sectários serão procurados nesse período de nova gestão no PSDB.
 
 
JC - A base do governo Lula tem trabalhado para fazer com que as investigações das CPIs abranjam o período anterior à atual gestão com o objetivo de dividir a responsabilidade pela crise. A senhora não teme ver o PSDB envolvido nas denúncias, na medida que o banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity, seja incluído no rol de investigados. Já se comenta que o publicitário Marcos Valério seria um "laranja" de um esquema maior controlado por Dantas, desde antes do governo Lula?

Yeda - Quem conhece o modo de atuação do PT ao longo dos anos sabe que esse se organizou como um partido centralista. Até existe uma expressão que ele próprio definiu como centralismo democrático, isto é, reuniões intermináveis que uma vez tirada a decisão, todo mundo tem que obedecer. No caso de desobediência, o sujeito é expulso, expurgado e vilipendiado. O Rio Grande do Sul conhece muito bem esse tipo de prática.
 
A técnica de um partido que é por si só isolado, que reivindica para si as qualidades e coloca nos outros os pecados e os defeitos, quando tem a oportunidade do poder, abandona seus métodos. Essa tentativa de encurralar membros do PSDB não passa de um método para desviar a atenção e impedir que se fale naquele momento sobre o real foco da investigação. O que está sendo investigado não tem paralelo na história do País. Nunca havia chegado ao poder um partido preocupado com o aparelhamento do Estado. E quando chegou, me refiro ao PT, fez a corrupção que originou as três CPIs.
 
 
JC - Na gestão do PSDB isso não ocorreu?

Yeda - Quando o governo Fernando Henrique se elegeu, escolheu três áreas prioritárias para o seu projeto social. Entre elas, os ministérios da Saúde e da Educação. Era uma política de financiamento e de transformação. Todos os partidos políticos estavam presentes nesses ministérios.
 
O critério de preenchimentos de cargos era pela competência. Agora tudo mudou. Tanto é que no Ministério da Saúde estourou o escândalo dos vampiros. O que ocorreu na Empresa de Correios e Telégrafos é um tipo de crime feito através de partido político, isto é, o aparelhamento para a apropriação e enriquecimento ilícito do cargo. O segundo tipo de crime está na CPI dos Bingos. Chegam ao poder pela via democrática pensando que podem achacar todos os que como empresa precisam da licença estatal.
 
Esse é um estilo típico dos tempos da União Soviética. Está se vendo pelos depoimentos de Rogério Buratti que o método se inicia pelas prefeituras do PT. E o terceiro tipo de crime se vê na CPI do Mensalão. É aquela que diz que com dinheiro ilícito se corrompe o voto parlamentar. Se me preocupo que o PSDB acabe envolvido numa dessas CPIs? Nunca dissemos que somos 100% puros. Quem dizia isso era o PT. Eles tiveram a oportunidade de apontar cada pessoa, governador, prefeito ou empresário envolvido em esquemas de enriquecimento ilícito. Eles foram relatores da CPI do Banestado, nascida em 2003 e melancolicamente enterrada em 2004. E não foi a oposição a responsável pelo enterro.
 
 
JC - O eleitor brasileiro votou em Lula como sinal de que desejava mudança. Essa mudança não ocorreu e a política econômica se parece com a de FHC. A senhora acredita que o PSDB será a melhor alternativa da oposição?

Yeda - O PSDB já está vivendo esse processo de reafirmação frente ao governo do PT. Nem bem tínhamos dois anos de governo Lula, o número de prefeitos eleitos pelo PSDB cresceu em qualidade e quantidade como reconhecimento de quem detinha responsabilidades e as fez. O que a população brasileira não quer é esse jogo midiático verificado na última eleição presidencial. O brasileiro quer saber o que os candidatos têm a propor.
 
Não temos líderes populistas. O Geraldo Alckmin e o Mário Covas assumiram São Paulo num cenário destroçado e hoje o estado está podendo reduzir seus impostos. Aécio Neves assumiu Minas Gerais falida. Em um ano reduziu a zero o déficit. No Ceará, as sucessivas administrações do PSDB reduziram de maneira impressionante os índices de pobreza. Sem falar nas centenas de experiências tucanas em municípios de todo o Brasil. Numa eleição limpa como vai ser essa sem dúvida, o eleitor será levado a escolher aquele candidato que preencher atributos essenciais, como honestidade e competência.
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