Nos primeiros meses do nosso mandato em Brasília destacamos, inúmeras vezes, o descaso da União com o nosso Estado. Apesar da localização estratégica do Espírito Santo, dos resultados na economia e dos avanços nos índices de desenvolvimento humano nos últimos anos, o governo federal insiste em nos oferecer um tratamento diferenciado porquanto injusto.
Em 2010, a arrecadação de tributos federais no Espírito Santo foi da ordem de R$ 10,1 bilhões. Este valor fez do Espírito Santo o 9º Estado maior arrecadador de impostos para a União. Vale destacar que no período 2007/2010, dentre os Estados da região Sudeste, o Espírito Santo obteve a maior elevação percentual na arrecadação de tributos chegando a 33,4%, superando Minas Gerais (21,2%), Rio de Janeiro (21,7%) e São Paulo (19,9%).
Apesar da contrapartida desigual dispensada ao nosso Estado, pelo governo petista, o povo capixaba tem motivos de sobra para sentir orgulho desta terra. Em recente pronunciamento feito na Câmara dos Deputados, destaquei números da pesquisa "Os emergentes dos emergentes" divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, que aponta a capital do nosso Estado como a 3ª cidade "mais classe A do Brasil", com 26,9% de sua população apresentando renda domiciliar total superior a R$ 6.745,00/mês, superada apenas por Niterói (30,7%) e Florianópolis (27,7%).
Outro motivo para comemoração são os números divulgados pelo IBGE, revelando que o Espírito Santo é o Estado que mais atrai novos moradores no Brasil, segundo pesquisa nacional por amostra de domicílios 2009. A pesquisa aponta que o Espírito Santo recebeu 107.421 novos moradores vindo de outros Estados, contra 54.674 que deixaram as terras capixabas.
Fico a imaginar como ficará o Espírito Santo a partir do momento em que receber a devida e merecida atenção do governo federal em relação aos investimentos na área portuária, rodovias e aeroporto e, finalmente, se livrar do maldito apagão logístico a que é submetido. A superação do gargalo de infraestrutura necessita de uns R$ 3 bilhões, segundo estimativas de especialistas.
Ou seja, uma bagatela se comparado aos R$ 65 bilhões que serão injetados no megalomaníaco projeto do trem-bala, uma obsessão que sequer vai encurtar a distância entre Rio e São Paulo em face da relação custo-benefício.
Neste semestre vamos continuar lutando para o Espírito Santo receber do governo federal a devida atenção e respeito de que é merecedor.
César Colnago é vice-líder do PSDB na Câmara dos Deputados