No momento em que a sociedade brasileira se permitiu discutir de maneira franca e sem hipocrisia a questão racial no Brasil, alguns paradigmas puderam ser quebrados e outro olhar passou a se
apresentar.
Após décadas em que nos acostumamos a considerar como verdade absoluta a tese da democracia racial e imaginar o Brasil como um lugar onde as diferentes raças vivem em total harmonia, um quadro bem diferente do sugerido até então pode ser percebido.
Providencial neste contexto foi o papel de órgãos como o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – que dentre outras coisas passou a exibir o chamado corte racial em seus levantamentos, particularmente os CENSOS realizados a cada ano e as diversas
PNAD´s – Pesquisas Nacionais por Amostragem Domiciliar.
Ao passar a identificar a raça do cidadão brasileiro em seus levantamentos, e ainda, estimular que ele se auto definisse no contexto racial, foi possível pintar um Brasil com cores bem diferentes daquelas
até então mostradas e apresentadas para o mundo.
A grande "surpresa" trazida pelos números, ratificada pelo CENSO 2010, foi que o Brasil é formado majoritariamente por 50,74% de afrodescendentes ou, usando a definição do IBGE, pretos e pardos.
Os dados acima seriam sem menor importância, não fosse o fato dos mesmos levantamentos identificarem uma gritante desproporção do usufruto do desenvolvimento nacional ao se comparar brancos,
pretos, pardos, amarelos e indígenas.
Uma pesquisa publicada em 2011, indica que 63,7% dos brasileiros consideram que a raça interfere na qualidade de vida dos cidadãos.
Para a maioria dos 15 mil entrevistados, a diferença entre a vida dos brancos
O resultado da pesquisa, elaborada em 2008, não é exatamente uma surpresa em um país onde, apesar de ser apenas metade da população brasileira, os negros elegeram pouco mais do que 8% dos 513 representantes escolhidos na última eleição.
Além disso, o salário de um homem branco no Brasil é, em média, 46% superior em relação ao de um homem negro, o que também pode ser explicado pela diferença de educação entre esses dois grupos.
Daqueles que ganham menos de um salário mínimo, 63% são negros e 34% são brancos. Dos brasileiros mais ricos, 11% são negros e 85% são brancos. Em uma pesquisa realizada em 2000, 93% dos entrevistados reconheceram que existe preconceito racial
Isto indica que os
brasileiros reconhecem que há desigualdade racial, mas o preconceito não é uma questão atual, mas algo remanescente da escravidão.
O Censo 2010
Observando a planilha abaixo percebemos que os números falam por si.
Apesar de alguns avanços por conta de políticas específicas, percebemos que muito há ainda por ser feito para que os brasileiros afrodescendentes possam ver garantidas as compensações mínimas de
décadas de exclusão, o que permitirá que o mesmo possa ser verdadeiramente alçado à categoria de Cidadão Brasileiro.
Até lá, fica aqui o registro de nosso compromisso com as lutas do povo negro e a certeza de que o caminho está sendo construído a muitas mãos.
Parabéns ao negro brasileiro pelo Dia Nacional da Consciência.
Viva Zumbi ! Viva a Democracia! Viva a Igualdade!
|
Indicadores |
Brasileiro branco |
Brasileiro negro |
|
Analfabetismo |
5,9% |
13,3% |
|
Nível universitário |
15,0% |
4,7% |
|
Expectativa de vida |
73,13 |
67,03 |
|
Desemprego |
5,7% |
7,1% |
|
PIB per capita |
R$ 22,699 |
R$ 15,068 |
|
Mortes por homicídios |
29,24% |
64,09% |