Século Diário: - O PSDB de Vitória está convencido que tem chance de fazer o prefeito?
Luiz Emanuel Zouain da Rocha: - Absolutamente. Não tenho nenhuma dúvida sobre isso. Aliás, as últimas pesquisas que foram feitas em Vitória apontam isso. Quando você inclui o ex-governador Paulo Hartung nas pesquisas, parece que o resultado final é definitivo. De qualquer maneira, não dá para desconsiderar a força da candidatura de um Paulo Hartung. Claro, se ele evidentemente se lançar candidato. Eu, particularmente, acredito que ele não sai. Agora, sem o ex-governador no cenário, Luiz Paulo Vellozo Lucas aparece na frente com folga. Nessa pesquisa da Futura, o Luiz Paulo aparece com mais de 10% de margem sobre os outros postulantes.
- Quem aparece em segundo...
- Depois acho que vem o Lelo [Coimbra-PMDB], o Luciano Rezende [PPS] e a Irini [Lopes-PT] mais embaixo.
- E com César Colnago na disputa?
- O César aparece praticamente empatado com Lelo e com o Luciano. Do ponto de vista eleitoral, os dois candidatos do PSDB são competitivos. Nós temos o privilégio de ter dois nomes que disputam a prefeitura com chances de vencer.
- Mas o senhor está analisando esse cenário favorável ao PSDB sem Hartung na disputa.
- Eu creio que Paulo não será candidato a prefeito. Ele fez uma trajetória de ascensão na política capixaba e ocupou todos os postos possíveis. Não acredito que ele queira voltar atrás agora para ser novamente prefeito de Vitória. Ele mesmo é autor de uma famosa frase que diz que “muita gente na política ganha perdendo”. E, nesse caso, acho que ele ganharia perdendo.
- E quanto a esse esforço de bastidores que Hartung tem feito para tentar juntar PPS e PSDB, tendo como candidato Luciano Rezende e vocês trabalhando pela candidatura do candidato do PPS. É possível isso?
- A orientação nacional do partido é que nos municípios com população acima de 50 mil habitantes o PSDB tenha candidato próprio a prefeito. O José Serra, recentemente, quando nos visitou reforçou essa posição. Brevemente, no início de outubro, receberemos a visita do senador Aécio Neves, que também claramente defende essa posição. Respeitamos todas as candidaturas, mas o PSDB vai ter candidato.
- Quer dizer que o PSDB terá candidatos de “A a Z”?
- A base do partido hoje está muito forte. É uma base essencialmente formada pela juventude. Parece pouco dizer isso, mas esta é uma militância ativa que está envolvida com a vida partidária. Hoje, temos 60 ou 70 pessoas que vivem o partido diariamente. Essa turma que está fomentando o debate dentro do partido não aceitaria nunca que o partido não tivesse candidato próprio a prefeito.
- O PSDB teria duas armas para escolher: Luiz Paulo ou Colnago?
- Nós apoiamos o Luciano Rezende em 2008 à prefeitura de Vitória. Aliás, sem o PSDB a candidatura de Luciano não se viabilizaria. Nós não só o apoiamos, mas demos condições para o PPS eleger uma bancada de vereadores, no caso o [Fabrício] Gandini e o Max da Mata, que se elegeram no palanque dele. Nossa expectativa é que em 2012 ele pague a conta, ou seja, nos apoie. Ele está devedor com o PSDB. (risos).
- Pelos dados que o senhor comentou com base nas pesquisas, tudo indica que teremos uma disputa bem apertada em Vitória, com grandes chances de só ser decidida no segundo turno. Diante de um provável segundo turno, o PSDB já definiu de quais partidos se aproximaria?
- Concordo com você que a eleição em Vitória deve ser decidida no segundo turno. Quanto às possíveis alianças, estamos conversando com muita gente. A primeira coisa que fiz quando assumi a presidência do PSDB foi procurar o PSB. Tenho conversado muito com o Serjão [vereador Sérgio Magalhães], com o Juarez [Vieira, vereador]. Tem muita gente que diz que não adianta conversar agora, que é muito cedo para falar em aliança. Não é, não. Essa conversa é o tempo inteiro. Isso é um jogo de sedução. Você tem que ter proposta e princípios e estar preparado para convencer as pessoas que estamos em busca de algo que será bom para todo mundo. O PSDB tem projeto, tem proposta e uma história para contar em Vitória.
- Nessa conversa tem algum partido vetado?
- Estamos conversando com todos, com exceção do PT. Se eu precisar conversar com o PT, também converso. Mas duvido que eles queiram conversar conosco. Mesmo porque, nessa relação, a única coisa que o PT nos proporia era a vice, para compor com a gente. E isso nós não aceitaríamos aqui em Vitória. Em outros municípios o PSDB até tem aliança com o PT. Em Castelo, por exemplo. Mas estamos conversando com todos. Estamos para nos reunir com o PMDB, que é um partido fundamental nesse processo. Estamos também nos aproximando do PSB, partido que temos muitas afinidades. Tenho amigos dentro do PSB. Além do mais, o PSB é partido do governador e isso não pode ser desconsiderado. Colnago, por exemplo, tem conversado muito com a Executiva regional do PSB.
- O PSB confirmou que vai ter candidatura própria em Vitória. Como o senhor avalia esse anúncio?
- Acho extraordinário. Eles querem consolidar o partido como alternativa real de poder na Capital. Isso é natural. Respeitamos muito essa decisão. É claro que iremos trabalhar para ter o PSB numa aliança conosco ainda no primeiro turno.
- Corre nos bastidores que se Hartung se lançar na disputa o candidato do PSDB é o Luiz Paulo. Se Hartung não sair, o candidato do PSDB seria o César Colnago.
- A política é um jogo cheio de vertentes e possibilidades, mas também tem muita fantasia. Nós nem teríamos condições de combinar numa mesa de discussão uma hipótese como esta, que condiciona a escolha entre Luiz Paulo e Colnago a partir da decisão de Hartung. Para o PSDB a discussão é a seguinte: os dois nomes do partido têm condições de concorrer. E os dois querem ser candidato a prefeito. Vamos fazer uma discussão interna dentro do partido para escolher quem será o candidato. As pesquisas eleitorais e o debate interno indicarão qual o melhor caminho a seguir. Respeito muito a figura do ex-governador Paulo Hartung, e não seria nem inteligente da minha parte dizer o contrário, mas nós não podemos ficar aguardando a decisão do ex-governador para decidir o que iremos fazer. Não precisamos disso.
- Quer dizer que o PSDB sai com ou sem Hartung?
- Há muita contradição em torno desta história. Parece que o presidente regional do PMDB, deputado Lelo Coimbra, foi orientado a dar uma declaração à imprensa (inclusive eu vou tentar repetir o que li nos jornais) para anunciar que entre César, Luciano e Lelo houvesse um consenso sobre uma candidatura única. E esse seria o candidato de Paulo Hartung o ano que vem. Então, me parece que Hartung já escolheu o que vai fazer. Ele quer apoiar alguém e não sair candidato. O que posso afirmar é que o PSDB vai decidir ainda este ano quem será o nosso candidato a prefeito de Vitória. Pode ter certeza disso. Eu acredito que o Paulo Hartung está preparando um projeto nacional. Ele deve voltar a ser candidato ao Senado em 2014. Eu acho que é isso.
- Como está o PSDB em Vitória para a disputa? Como vocês estão pensando as chapas de vereador?
- Em setembro de 2009, assumi interinamente a presidência do partido em Vitória até 19 de março deste ano fiquei. Nesse processo, me aproximei muito dos vereadores, para definir como o PSDB encararia essa relação com a prefeitura de Vitória. Confesso que não e fácil para dois vereadores, que têm a base popular de Neuzinha [Neuza de Oliveira] e Varejão [Aloísio], construírem uma relação com o poder Executivo que não seja de proximidade até por conta das demandas, que são muitas. Nós temos certo controle da bancada, tanto é que eles não votaram no Bolão [Ronaldo Matiazzi-PT] para presidente da Câmara de Vitória. Elegeram o presidente da Câmara sem os votos do PSDB. Afinal, o PSDB precisa cumprir seu papel de oposição ao PT. Os vereadores estão muito próximos da gente e envolvidos com a vida partidária do PSDB. Eles têm consciência que o PSDB em Vitória é oposição.
- E como está a construção da chapa de vereadores para o ano que vem?
- Temos o Maurício Leite, que foi vereador, o Toninho Loureiro e outros nomes novos que não vou revelar agora. Estamos construindo uma chapa de vereador com algumas novidades. Estou encontrando pessoas novas que estão dispostas a disputar a eleição pela primeira vez. Estamos trabalhando para construir uma chapa completa. Para cada partido ter uma chapa completa, teria que ter 16 homens e sete mulheres. O PSDB já tem uma chapa com cerca de 20 nomes. E há muita gente nos procurando para se filiar ao partido via redes sociais. Acho que o PSDB, entre os partidos, é o que tem a maior interação nas redes sociais do Estado. Com chapa completa e candidato a prefeito, pretendemos fazer de três a quatro vereadores em Vitória. Não tenha dúvida disso.
- O senhor é contra ou a favor do aumento do número de vereadores na Câmara de Vitória?
- Fiquei sabendo que a Câmara de Aracruz vai passar a ter 17 vereadores. Sou a favor de reduzir repasse de recursos para a Câmara. Até porque, invariavelmente, o presidente da Câmara de Vitória acaba devolvendo recursos públicos no final do ano. Se está devolvendo é porque está sobrando. Se está sobrando, podemos cortar. Sou a favor do aumento da representatividade, mas com redução de gastos. E para isso é necessário mexer na lei orgânica. Mas creio que não vai aumentar o número de vereadores agora.
- Podemos confirmar, o PSDB sai com candidato próprio independente da posição de Hartung?
- Com certeza. Pode escrever. O PSDB terá candidato próprio nas eleições de 2012 à prefeitura de Vitória.